Em meio à disparada do petróleo no mercado internacional, produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná enfrentam escassez de diesel e altas de até 55% no litro do combustível durante o período crucial de colheita. Entenda a situação e o posicionamento da ANP.
O período que deveria ser de intenso trabalho e comemoração nos campos do Sul do Brasil tornou-se motivo de dor de cabeça. Produtores rurais do Rio Grande do Sul e do Paraná estão denunciando dificuldades severas para comprar óleo diesel, insumo essencial para abastecer o maquinário agrícola.
O agravante? O problema ocorre em pleno período de colheita das safras de arroz e de soja, e vem acompanhado de relatos de aumentos de preços considerados abusivos.
Preços nas alturas e listas de espera
A situação tem pegado muitos agricultores de surpresa. O produtor de arroz Fernando Rechsteiner, de Pelotas (RS), relatou a mudança drástica no mercado em questão de dias: “Até o início da semana passada, ninguém se preocupava com a entrega de diesel. Já nessa semana, eu fui fazer um pedido e fui colocado em uma lista de espera. Estava pagando R$ 5 o litro, e já subiu para R$ 7”.
No Paraná, o cenário não é diferente. Luiz Eliezer Ferreira, técnico do departamento econômico do Sistema FAEP, confirmou que as queixas de falta de combustível começaram recentemente. Cidades como Rio Azul, Faxinal, Guarapuava, Prudentópolis e Irati já registram distribuidoras sem o produto para atender a região.
No norte gaúcho, a situação também é crítica. Segundo Allan André Tormen, presidente do Sindicato Rural de Erechim, cerca de 20% dos produtores locais enfrentam barreiras para encontrar o óleo diesel. Além da escassez, o peso no bolso assusta: os relatos apontam altas de preços que variam de 20% a 55%.
O Efeito Cascata: Barril a US$ 100 e Especulação
As queixas no campo brasileiro ganharam força cerca de uma semana após o início do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã. A tensão geopolítica provocou uma verdadeira disparada no preço do petróleo no mercado internacional, empurrando o barril para a marca de US$ 100.
Apesar de a Petrobras ainda não ter repassado reajustes oficiais para as refinarias no Brasil, o mercado já reagiu. Somente nos primeiros dias de março, o diesel acumulou uma alta de 7% nas bombas.
Diante da falta de justificativas claras para o desabastecimento repentino, produtores e associações do setor agropecuário levantaram suspeitas de um movimento especulativo. A desconfiança é de que haja uma retenção proposital de estoques ou um freio nas importações pelas distribuidoras, aguardando repasses de preços maiores para lucrar na venda.
ANP nega desabastecimento e promete investigar
Na contramão das denúncias dos produtores, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) afirma que não há registros oficiais de falta de combustível no Brasil.
Em nota divulgada recentemente, a agência informou ter entrado em contato com os principais fornecedores e assegurou que, no Rio Grande do Sul, os estoques são suficientes para garantir o abastecimento.
Para esclarecer o desencontro de informações, a ANP prometeu ser enérgica: “As distribuidoras serão formalmente notificadas para que prestem os devidos esclarecimentos à ANP sobre o volume em estoque, os pedidos recebidos e os pedidos efetivamente aceitos”.
Enquanto o impasse não se resolve, o produtor rural segue na incerteza, correndo contra o tempo para garantir que a safra não seja perdida nos campos.






