Por Dra. Camila Leite, endocrinologista e docente na Mandic Limeira
Nos últimos anos, medicamentos utilizados para o tratamento da obesidade passaram a ocupar espaço frequente nos consultórios, na imprensa, nas redes sociais e nas conversas do dia a dia. O aumento do interesse por essas terapias trouxe benefícios importantes, mas também despertou uma preocupação crescente entre os profissionais de saúde: o uso indiscriminado dessas medicações, muitas vezes sem avaliação médica adequada.
Os análogos do GLP-1 representam um dos maiores avanços da Endocrinologia nas últimas décadas. Seu impacto no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2 é amplamente respaldado pela literatura científica, com resultados consistentes na redução do peso corporal, melhora do controle glicêmico e diminuição do risco cardiovascular em pacientes selecionados.
Entretanto, é fundamental compreender que esses medicamentos possuem indicações específicas. A decisão pelo seu uso deve considerar critérios clínicos bem estabelecidos, histórico de saúde, presença de comorbidades e avaliação individualizada dos riscos e benefícios.
Embora apresentem um perfil de segurança favorável quando utilizados corretamente, esses medicamentos não estão isentos de efeitos adversos. Eventos gastrointestinais são relativamente comuns e complicações mais graves, embora incomuns, como a pancreatite aguda, exigem diagnóstico precoce e intervenção médica imediata. Por esse motivo, o acompanhamento especializado é parte indissociável do tratamento.
Outro aspecto que merece destaque é a compreensão da obesidade como uma doença crônica e multifatorial. Essa condição não pode ser reduzida exclusivamente ao excesso de peso corporal, tampouco o tratamento deve se limitar ao uso de medicamentos. Mudanças sustentáveis no estilo de vida, incluindo alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, qualidade do sono e manejo adequado de outros fatores metabólicos, permanecem como pilares fundamentais da abordagem terapêutica.
É importante destacar que os medicamentos para o tratamento da obesidade são recursos que dependem de indicação criteriosa, acompanhamento contínuo e monitoramento clínico. Nenhum deles deve ser iniciado por influência de relatos pessoais, conteúdos publicados nas redes sociais ou recomendações sem fundamentação científica.
A Medicina dispõe, atualmente, de tratamentos cada vez mais eficazes para o manejo da obesidade e de outras doenças metabólicas. No entanto, o sucesso deles depende não apenas da eficácia da medicação, mas, sobretudo, da adequada seleção dos pacientes, do acompanhamento médico e do compromisso com um cuidado baseado em evidências científicas.
E é importante sempre destacar que o maior cuidado que o paciente pode ter é não praticar a automedicação. A saúde deve ser conduzida com responsabilidade, sempre por meio de uma avaliação individualizada e de uma relação de confiança entre médico e paciente.
Dra. Camila Leite é endocrinologista membro da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, é docente na Mandic, possui pós-graduação em Nutrologia pela Associação Brasileira de Nutrologia e, em Sexualidade, pelo Instituto Paulista de Sexologia. CRM 125810 e RQE 71977.






