{"id":80593,"date":"2026-11-07T12:43:57","date_gmt":"2026-11-07T15:43:57","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/?p=80593"},"modified":"2026-11-07T12:43:57","modified_gmt":"2026-11-07T15:43:57","slug":"do-linguajar-ao-salario-estudo-aponta-racismo-na-industria-do-som","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/do-linguajar-ao-salario-estudo-aponta-racismo-na-industria-do-som\/","title":{"rendered":"Do linguajar ao sal\u00e1rio, estudo aponta racismo na \u201cind\u00fastria do som\u201d"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Pesquisadores identificaram padr\u00f5es que retratam a exist\u00eancia de racismo na ind\u00fastria do som no Brasil. A constata\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um estudo feito com profissionais do setor de audiovisual, que relataram desigualdades no mercado de trabalho e at\u00e9 mesmo pr\u00e1ticas para \u201chigienizar\u201d os produtos finais.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p><strong>O levantamento frisa que \u201cn\u00e3o existe voz de preto nem voz de branco\u201d e\u00a0refor\u00e7a que os timbres humanos s\u00e3o diversos<\/strong>.<\/p>\n<p>O dossi\u00ea <a href=\"https:\/\/dossieacordosom.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>A Cor do Som<\/em><\/a> foi elaborado por duas institui\u00e7\u00f5es privadas que autuam no combate ao racismo: a Semi\u00f3tica Antirracista, que surgiu com foco na realiza\u00e7\u00e3o de cursos relacionados \u00e0 diversidade racial; e o Est\u00fadio Nina, que conecta marcas ao p\u00fablico negro.<\/p>\n<p>O lan\u00e7amento foi nesta semana, quando come\u00e7a o <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/tags\/consciencia-negra\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Novembro Negro<\/a>, m\u00eas dedicado \u00e0 Consci\u00eancia Negra. O levantamento recebeu apoio da empresa Audiolivros.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0s conclus\u00f5es, os pesquisadores ouviram 24 pessoas, sendo 18 profissionais negros que atuam tanto na \u00e1rea t\u00e9cnica, como na criativa; quatro acad\u00eamicos; e duas personalidades engajadas no debate racial, que n\u00e3o tiveram os nomes revelados.<\/p>\n<p><strong>O estudo traz a percep\u00e7\u00e3o dos entrevistados, mas sem dados quantitativos<\/strong>.<\/p>\n<h2>\u201cLimpar o som\u201d<\/h2>\n<p>Ao analisar as quest\u00f5es t\u00e9cnicas do produto audiovisual, o estudo identificou que, <strong>no Brasil, a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1udio segue um paradigma de origem europeia, colonial e elitista<\/strong>. Dessa forma, \u201cse busca higienizar o som dos ru\u00eddos e interfer\u00eancias da rua, da pra\u00e7a, do povo\u201d.<\/p>\n<p>\u201cOperadores de som recebem uma cartilha a ser seguida, e as regras apontam para um som o mais higienizado poss\u00edvel\u201d, cita o dossi\u00ea, avaliando que se trata de uma forma de descartar ru\u00eddos perif\u00e9ricos e marcas culturais afro-brasileiras.<\/p>\n<p><strong>Para a pesquisa, \u00e9 preciso \u201cdesconstruir o mito da neutralidade t\u00e9cnica nas produ\u00e7\u00f5es sonoras\u201d<\/strong>.<\/p>\n<p>Outra pr\u00e1tica \u00e9 na linguagem do produto final. De acordo com os autores, existe a preval\u00eancia de uma norma padr\u00e3o que produz hierarquias entre diferentes modos de falar, \u201creduzindo a pluralidade \u00e0 indignidade do erro\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa lembra o conceito \u201cPretugu\u00eas\u201d, da intelectual e ativista L\u00e9lia Gonzalez (1935-1994).<\/p>\n<p>\u201cUm modo de falar portugu\u00eas marcado por elementos fon\u00e9ticos e sint\u00e1ticos de l\u00ednguas africanas, frequentemente tratados como um esc\u00e1rnio da l\u00edngua portuguesa, a exemplo da troca do L pelo R em algumas palavras, a exemplo de probrema, ou da substitui\u00e7\u00e3o do LH por I, como em faia\u201d.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=469940:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/RJW3O5LJScOhR8tzKWeu1KWbG-o%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/26\/_rbr2308.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 26\/07\/2026 - XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na orla de Copacabana. Mobiliza\u00e7\u00e3o integra a 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Julho das Pretas e re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras em defesa da democracia, do combate ao racismo, da repara\u00e7\u00e3o e do bem viver. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n        <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/RJW3O5LJScOhR8tzKWeu1KWbG-o%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/07\/26\/_rbr2308.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Rio de Janeiro (RJ), 26\/07\/2026 - XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na orla de Copacabana. Mobiliza\u00e7\u00e3o integra a 12\u00aa edi\u00e7\u00e3o do Julho das Pretas e re\u00fane organiza\u00e7\u00f5es de mulheres negras em defesa da democracia, do combate ao racismo, da repara\u00e7\u00e3o e do bem viver. Foto: T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" title=\"T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n    <!-- END scald=469940 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><!--copyright=469940-->Mulher exibe cartaz na XII Marcha das Mulheres Negras do Rio de Janeiro, na orla de Copacabana. Foto: <strong>T\u00e2nia R\u00eago\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=469940--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Mercado de trabalho<\/h2>\n<p>Nas conversas com os profissionais negros do setor, os pesquisadores coletaram uma lista de condi\u00e7\u00f5es que marcam a presen\u00e7a desses trabalhadores nas empresas de \u00e1udiovisual, como produtoras, est\u00fadios e ag\u00eancias de publicidade.<\/p>\n<p><strong>Entre as queixas, est\u00e3o:<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Profissionais negros recebendo menos que brancos em fun\u00e7\u00f5es equivalentes;<\/li>\n<li>Contrata\u00e7\u00f5es de profissionais negros justamente porque aceitam remunera\u00e7\u00f5es menores;<\/li>\n<li>Dificuldade de cobrar valores compat\u00edveis com a pr\u00f3pria qualifica\u00e7\u00e3o;<\/li>\n<li>Necessidade de trabalhar mais para demonstrar compet\u00eancia;<\/li>\n<li>Falta de reconhecimento mesmo quando s\u00e3o respons\u00e1veis pelo desenvolvimento de projetos.<\/li>\n<\/ul>\n<h2>Exemplos<\/h2>\n<p>Sobre a dificuldade de receber remunera\u00e7\u00e3o suficiente, um profissional da \u00e1rea criativa conta que \u201cfazia de tudo\u201d, como produ\u00e7\u00e3o de palco, liga\u00e7\u00f5es telef\u00f4nicas, edi\u00e7\u00e3o e capta\u00e7\u00e3o. Quando reivindicou remunera\u00e7\u00e3o compat\u00edvel com seu trabalho, foi demitido.<\/p>\n<p>\u201cSegundo eles, n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de oferecer o sal\u00e1rio de uma pessoa qualificada como eu. Ent\u00e3o, eu fui desligado por <em>e-mail<\/em> e contrataram outra pessoa, que \u00e9 uma <em>influencer<\/em> branca\u201d, relembra.<\/p>\n<p>Outro profissional relatou a dificuldade para ter reconhecimento.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEra a pessoa que mais trabalhava, tinha desenvolvido o projeto, mas eu era a pessoa menos ouvida. Tinha que brigar muito para as pessoas entenderem que eu sabia do que eu estava falando\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Outra constata\u00e7\u00e3o \u00e9 o fato de os negros exercerem mais \u201ctrabalhos bra\u00e7ais\u201d do que as fun\u00e7\u00f5es criativas. Para o dossi\u00ea, \u201cos lugares pensantes, de tomada de decis\u00e3o, de cria\u00e7\u00e3o, permanecem sendo majoritariamente destinados a pessoas brancas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cQuando a gente come\u00e7a no audiovisual, n\u00e3o nos \u00e9 dada a oportunidade de contar hist\u00f3rias, ent\u00e3o\u00a0a gente, pragmaticamente, \u00e9 colocado em fun\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas. Eu fiz som, montagem, assist\u00eancia de produ\u00e7\u00e3o\u2026 Por que eu n\u00e3o podia ser produtor?\u201d, reclamou um profissional da \u00e1rea de cinema.<\/p>\n<h2>Especificamente negro<\/h2>\n<p>Os pesquisadores identificaram ainda um enquadramento de profissionais pela quest\u00e3o racial\/cor.<\/p>\n<p>\u201cEu sempre fui chamado de negro a vida inteira, e isso tamb\u00e9m \u00e9 uma forma de te aprisionar, porque voc\u00ea vira o negro, aquele negro \u00fanico\u201d, diz um dos entrevistados.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201c&#8217;Eu sou a pessoa negra, o jornalista negro, o escritor negro, o roteirista negro\u201d, exemplifica.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>Outra quest\u00e3o \u00e9 a vis\u00e3o do setor de que as produ\u00e7\u00f5es feitas por negros s\u00e3o \u201cde nicho\u201d, isto \u00e9, feitas para um p\u00fablico espec\u00edfico<\/strong>.<\/p>\n<p>Para os pesquisadores, o racismo sustenta uma ideia t\u00e1cita de que produ\u00e7\u00f5es negras n\u00e3o s\u00e3o para o p\u00fablico geral, mas apenas para p\u00fablicos negros, enquanto as produ\u00e7\u00f5es brancas s\u00e3o destinadas a todos.<\/p>\n<p>\u201cEsta l\u00f3gica perversa \u00e9 mais um efeito da ideologia que coloca o branco como universal\u201d, escrevem.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cAcham que tudo o que pessoas pretas falam s\u00f3 \u00e9 escutado por pessoas pretas. Sempre \u00e9 um nicho\u201d, se queixa um dos profissionais ouvidos.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Contra o silenciamento<\/h2>\n<p>A equipe que preparou o dossi\u00ea afirma que o \u201csilenciamento \u00e9 um dos mecanismos mais recorrentes do racismo\u201d.<\/p>\n<p>Dessa forma, considera o estudo \u201cfundamental para repensar as narrativas, os fluxos de trabalho e o paradigma que orienta a cadeia produtiva do \u00e1udio e do audiovisual no Brasil\u201d.<\/p>\n<p>Os pesquisadores almejam que as constata\u00e7\u00f5es possam \u201cinquietar\u201d e causar o desejo de saber mais sobre esses assuntos.<\/p>\n<p>\u201cA discuss\u00e3o do racismo a partir da \u00f3tica sonora n\u00e3o \u00e9 comum e, por isso, nos exige o exerc\u00edcio de pensar fora da caixa, questionar os lugares-comuns e desafiar verdades assentadas\u201d, sustentam.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-11\/do-linguajar-ao-salario-estudo-aponta-racismo-na-industria-do-som\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es com a Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisadores identificaram padr\u00f5es que retratam a exist\u00eancia de racismo na ind\u00fastria do som no Brasil. A constata\u00e7\u00e3o est\u00e1 em um estudo feito com profissionais do setor de audiovisual, que relataram desigualdades no mercado de trabalho e at\u00e9 mesmo pr\u00e1ticas para \u201chigienizar\u201d os produtos finais. O levantamento frisa que \u201cn\u00e3o existe voz de preto nem voz [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":80594,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_mbp_banners":[],"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[22],"tags":[],"class_list":["post-80593","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-nacional"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7Eq1F-kXT","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/guialimeira.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/11\/marambaia.jpg?fit=1600%2C800&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80593","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=80593"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80593\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":80595,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/80593\/revisions\/80595"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/80594"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=80593"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=80593"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=80593"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}