{"id":78309,"date":"2026-10-06T15:39:18","date_gmt":"2026-10-06T18:39:18","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/?p=78309"},"modified":"2026-10-06T15:39:18","modified_gmt":"2026-10-06T18:39:18","slug":"sp-mostra-abriu-as-portas-para-o-cinema-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/sp-mostra-abriu-as-portas-para-o-cinema-mundial\/","title":{"rendered":"SP: mostra abriu as portas para o cinema mundial"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Em 1992, o jornalista Ubiratan Brasil, o Bira, foi at\u00e9 o Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para acompanhar uma sess\u00e3o da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo. Era uma produ\u00e7\u00e3o estadunidense e o diretor do filme estava na sess\u00e3o, acompanhando a exibi\u00e7\u00e3o, mas pouqu\u00edssimas pessoas estavam na sala para assistir.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>Naquele ano, a mostra de cinema chegava \u00e0 16\u00aa edi\u00e7\u00e3o. \u201cEu fui em uma sess\u00e3o em um s\u00e1bado de manh\u00e3, ao meio-dia, l\u00e1 no Masp. Se tinha 16 pessoas era muito. E o diretor do filme estava l\u00e1. Antes de come\u00e7ar o filme, ele elogiou a gente e disse: \u2018Obrigado. L\u00e1 fora est\u00e1 um sol, \u00e9 s\u00e1bado e voc\u00eas est\u00e3o aqui dentro vendo o meu filme\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Na sa\u00edda da sess\u00e3o, o diretor ainda conversou com o p\u00fablico e trocou impress\u00f5es sobre seu filme, embora ele ainda fosse bastante desconhecido pelas pessoas. \u201cNingu\u00e9m tinha ouvido falar dele\u201d, contou Bira \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>O filme era <em>C\u00e3es de Aluguel<\/em> e o diretor, at\u00e9 ent\u00e3o um desconhecido, era Quentin Tarantino. \u201cNaquele dia a gente conheceu Quentin Tarantino que jamais voltar\u00e1 a ter um filme [exibido] com apenas 16 pessoas presentes em uma sala. A mostra trazia isso, essas boas surpresas que depois se confirmariam no futuro\u201d, disse ele.<\/p>\n<p><strong>Neste ano, a Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo chega aos 50 anos de exist\u00eancia. Durante este tempo, ela conseguiu exibir 11.692 filmes de 8.474 cineastas de diversos pa\u00edses do mundo.<\/strong> Nomes como Wim Wenders, Pedro Almod\u00f3var, Manoel de Oliveira, Amos Gitai e Jafar Panahi chegaram em S\u00e3o Paulo para participar do festival e apresentar seus filmes.<\/p>\n<p>\u201cComo muitas pessoas falam, a mostra abriu as portas do cinema mundial para n\u00f3s, paulistas principalmente. Os cinemas aqui passavam s\u00f3 <em>blockbusters<\/em>, s\u00f3 os americanos. Voc\u00ea nunca tinha a chance de ver um filme chin\u00eas, um filme coreano, um filme cubano. E a mostra era realmente uma aventura porque hoje \u00e9 muito mais f\u00e1cil, tudo \u00e9 legendado. Naquela \u00e9poca, voc\u00ea entrava pra ver um filme indiano com legendas em italiano. Eu n\u00e3o falo italiano, ent\u00e3o eu ficava mais observando as imagens e tentando entender um pouco da hist\u00f3ria. Tinha um pouco esse grau de aventura e de descobertas, que era muito gostoso\u201d, disse Bira.<\/p>\n<h2>Hist\u00f3ria<\/h2>\n<p>A primeira Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o Paulo aconteceu em outubro de 1977. Organizada pelo cr\u00edtico Leon Cakoff, ent\u00e3o diretor do departamento de cinema do\u00a0Museu de Arte de S\u00e3o Paulo Assis Chateaubriand (MASP), a iniciativa integrou as comemora\u00e7\u00f5es dos 30 anos de funda\u00e7\u00e3o do museu.<\/p>\n<p><strong>Apesar da divulga\u00e7\u00e3o limitada e da cobertura discreta da imprensa, os 11 dias de exibi\u00e7\u00e3o atra\u00edram mais de 15 mil espectadores. Naquela edi\u00e7\u00e3o foram exibidos 23 filmes de 17 pa\u00edses, entre eles, <em>L\u00facio Fl\u00e1vio, o Passageiro da Agonia<\/em>, de Hector Babenco, cuja sess\u00e3o foi amplamente ovacionada.<\/strong><\/p>\n<p>Bira passou a acompanhar a mostra quando ela entrava em sua 4\u00aa edi\u00e7\u00e3o. Naquela oportunidade viu apenas dois filmes, <em>Cidade das Mulheres<\/em>, de Fellini, e <em>O Tambor<\/em>, de Volker Schl\u00f6ndorff. Desde ent\u00e3o, ela se tornou parte de sua vida cultural, ininterruptamente.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cA\u00ed comecei a entrar nesse ritmo de, todos os anos tirar f\u00e9rias [durante o evento, para aproveit\u00e1-lo], como muita gente faz at\u00e9 hoje\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>A aposentada Vanda Sanae Hamanaka Serizawa acompanha a mostra desde sua primeira edi\u00e7\u00e3o. \u201cApesar de poucos filmes, comparado ao que ela agora se tornou, esta foi uma janela extraordin\u00e1ria para o mundo que n\u00e3o conhec\u00edamos. Aquele era um per\u00edodo de ditadura e tudo era censurado. O Cakoff contornou aquela situa\u00e7\u00e3o magistralmente e foi aprimorando a mostra a cada ano\u201d, disse ela \u00e0 reportagem. \u201cEra um portal de alumbramento. Quem experimentava aquela viv\u00eancia, via de regra, retornava nos pr\u00f3ximos anos. Nos prim\u00f3rdios, os filmes eram de gra\u00e7a\u201d, recordou.<\/p>\n<p>Para ela, que j\u00e1 chegou a assistir sete filmes em um mesmo dia durante o evento, a mostra \u00e9 tamb\u00e9m \u201cuma usina de ideias\u201d, contribuindo para a forma\u00e7\u00e3o de profissionais do cinema.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cV\u00e1rios \u2018mostreiros\u2019 [como s\u00e3o chamados os frequentadores do festival] se profissionalizaram como diretores ou cr\u00edticos de cinema. At\u00e9 o ano 2000, quase n\u00e3o t\u00ednhamos acesso \u00e0 internet. Isso era algo restrito para a \u00e1rea de tecnologia. Ent\u00e3o, o diferencial da mostra sempre foram os filmes fora do <em>mainstream<\/em> [da corrente predominante]. Ela era um canal para a gente ter contato com imagens, linguagens e comportamentos de outras paragens e, sobretudo, ter a percep\u00e7\u00e3o cr\u00edtica al\u00e9m da tela\u201d, disse ela.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m disso, destacou Vanda, a mostra ajudou a formar novos p\u00fablicos por meio de suas sess\u00f5es gratuitas ou que acontecem em periferias e tamb\u00e9m se transformou em uma grande confraterniza\u00e7\u00e3o, possibilitando o encontro com outros cin\u00e9filos. \u201cTodo ano eu fa\u00e7o quest\u00e3o de fazer um jantar ou almo\u00e7o [para os amigos cin\u00e9filos]. Mas isso sempre depois da mostra porque durante ningu\u00e9m quer saber, todo mundo prioriza o cinema. Virou uma confraria de afetos\u201d, falou.<\/p>\n<p>Para Bira, outra grande qualidade desse festival \u00e9 poder assistir a um filme no cinema. \u201cAs pessoas est\u00e3o habituadas a ficar em casa e ver [filme] em televis\u00e3o, celular ou <em>tablet.<\/em> A experi\u00eancia de ir ao cinema est\u00e1 ficando um pouco rara, as pessoas t\u00e3o abrindo m\u00e3o disso. Mas na mostra voc\u00ea tem a chance de conhecer um filme novo, um cineasta diferente e tudo isso numa sala de cinema\u201d, destacou.<\/p>\n<h2>Sem interrup\u00e7\u00f5es<\/h2>\n<p>Desde que surgiu, a mostra nunca deixou de ser realizada. Nem mesmo entre os anos de pandemia e de fechamentos de salas de cinema, quando ela se reinventou e adotou o modo de exibi\u00e7\u00e3o online ou de exibi\u00e7\u00e3o em cinemas <em>drive-in.<\/em><\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-grande_6colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=354082:grande_6colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/BQIqOYh5iQOanQOVnm321EXaKzY%3D\/463x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/renata_de_almeida_por_mario_miranda_filhoagencia_foto_1.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Renata de Almeita, diretora da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo. Foto: Mario Miranda Filho\" title=\"Mario Miranda Filho\" \/><br \/>\n        <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/BQIqOYh5iQOanQOVnm321EXaKzY%3D\/463x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/renata_de_almeida_por_mario_miranda_filhoagencia_foto_1.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Renata de Almeita, diretora da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo. Foto: Mario Miranda Filho\" title=\"Mario Miranda Filho\" \/><br \/>\n    <!-- END scald=354082 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\"><!--copyright=354082-->Renata de Almeida, diretora da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo.\u00a0<strong>Foto:\u00a0Mario Miranda Filho<\/strong><!--END copyright=354082--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Teve anos em que ela foi grandiosa, exibindo mais de 460 filmes em uma \u00fanica edi\u00e7\u00e3o. E teve anos em que ela aconteceu em formato menor, por dificuldades de patroc\u00ednio. Mesmo assim, jamais deixou de existir. \u201cAcho que o segredo da mostra \u00e9 que ela \u00e9 el\u00e1stica, ela pode ser mega ou enorme, como neste ano em que estamos comemorando 50 anos, como ela tamb\u00e9m pode ser pequenininha. Eu acho que a gente tem que saber dan\u00e7ar conforme a m\u00fasica\u201d, disse Renata de Almeida, diretora da Mostra, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil.<\/strong><\/p>\n<p>Neste ano em que completa 50 edi\u00e7\u00f5es, a <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2026-10\/mostra-de-cinema-de-sp-chega-aos-50-anos-com-homenagem-james-gray\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mostra <\/a>vai exibir 380 filmes de 93 pa\u00edses. E como forma de celebra\u00e7\u00e3o, ela ainda apresentar\u00e1 exposi\u00e7\u00f5es, <em>shows<\/em>, debates e lan\u00e7amentos de uma <a href=\"https:\/\/acervo.mostra.org\/edicoes\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">plataforma de acervo<\/a>\u00a0e de livros. Entre eles, <em>Antes Que Eu Me Esque\u00e7a: Um Ensaio de Lembran\u00e7as <\/em>para os 50 Anos da Mostra Internacional de Cinema em S\u00e3o Paulo, escrito por Renata de Almeida. \u201c\u00c9 um livro sobre as hist\u00f3rias da mostra, mas tamb\u00e9m sobre a minha vida e sobre as minhas hist\u00f3rias dentro da mostra. \u00c9 um livro de encontros. Foi tamb\u00e9m um retrospecto de entender v\u00e1rias coisas que aconteceram com a vida e me revisitar em outras \u00e9pocas e outras idades\u201d.<\/p>\n<p>Esta sua hist\u00f3ria com o evento, relembra Renata, teve in\u00edcio em 1989, em sua 13\u00aa edi\u00e7\u00e3o. \u201cEstou h\u00e1 37 anos fazendo isso\u201d, diz. \u201cPrimeiro come\u00e7ou como um trabalho, teve o divertimento e agora \u00e9 um pouco da minha vida. Tudo junto e misturado, n\u00e3o d\u00e1 mais nem pra saber o que \u00e9 uma coisa ou outra\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><br \/>\n            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2026-10\/sp-mostra-abriu-portas-para-o-cinema-mundial\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es com a Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1992, o jornalista Ubiratan Brasil, o Bira, foi at\u00e9 o Museu de Arte de S\u00e3o Paulo (Masp), na Avenida Paulista, para acompanhar uma sess\u00e3o da Mostra Internacional de Cinema de S\u00e3o Paulo. 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