{"id":77338,"date":"2026-09-23T16:07:03","date_gmt":"2026-09-23T19:07:03","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/?p=77338"},"modified":"2026-09-23T16:07:03","modified_gmt":"2026-09-23T19:07:03","slug":"40-das-mulheres-ja-renunciaram-a-empregos-por-dificuldade-de-acesso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/40-das-mulheres-ja-renunciaram-a-empregos-por-dificuldade-de-acesso\/","title":{"rendered":"40% das mulheres j\u00e1 renunciaram a empregos por dificuldade de acesso"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>No Brasil, quatro em cada dez mulheres (39%) j\u00e1 abriram m\u00e3o de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional em virtude de dificuldades de deslocamento<\/strong>. Os fatores desfavor\u00e1veis s\u00e3o falta de seguran\u00e7a, custo com os quais\u00a0teriam de arcar para cobrir o servi\u00e7o, tempo e territ\u00f3rio, conforme aponta a pesquisa <em>O Direito de Ir, Vir e Viver<\/em>, da Indique, consultoria de diversidade e inclus\u00e3o racial, em\u00a0parceria com a organiza\u00e7\u00e3o feminista Think Eva e a 99.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>Mais da metade (54%) tamb\u00e9m deixou de comparecer a um compromisso de trabalho ou recusou um convite desse tipo pelos mesmos motivos. E um quinto (21%) j\u00e1 desistiu de fazer alguma capacita\u00e7\u00e3o, incluindo faculdade.<\/p>\n<p><strong>As mulheres, refor\u00e7a o estudo, abdicam o tempo todo n\u00e3o somente de experi\u00eancias e conquistas no \u00e2mbito ocupacional ou educacional, mas no social e no de bem-estar. <\/strong>Oito em cada dez (80%) faltaram a encontros, eventos ou atividades, sendo que um ter\u00e7o renunciou a atividades f\u00edsicas ou de lazer (33%) e a visitas a familiares e amigos (32%) e o dobro (69%) a sair \u00e0 noite.<\/p>\n<p><strong>Entrevistas feitas com 564 mulheres de diferentes idades, classes e regi\u00f5es do pa\u00eds mostraram que a inseguran\u00e7a ou viol\u00eancia \u00e9 o principal impedimento, indicado por 32% delas<\/strong>. A falta de dinheiro (22%) figura em segundo lugar, seguida pela precariedade do transporte p\u00fablico\u00a0(15%), que n\u00e3o atende devidamente, e a dist\u00e2ncia dos lugares onde precisam ir (14%).\u00a0<\/p>\n<p>A sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a faz com que a maioria evite certos bairros ou regi\u00f5es da cidade (87%) e planeje hor\u00e1rios (73%). Tamb\u00e9m para se proteger, 63% j\u00e1 evitaram algum meio de transporte e 60% fizeram outro caminho at\u00e9 o destino.\u00a0<\/p>\n<p>Para uma das mulheres que respondeu a pesquisa, a aprova\u00e7\u00e3o em uma gradua\u00e7\u00e3o da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) n\u00e3o p\u00f4de ser considerada de fato uma vit\u00f3ria. Ela relatou n\u00e3o ter sido poss\u00edvel curs\u00e1-la porque n\u00e3o chegaria a tempo ao campus, j\u00e1 que parou de usar \u00f4nibus ap\u00f3s ter sido assaltada diversas vezes.<\/p>\n<p>Outro aspecto relevante \u00e9 a preocupa\u00e7\u00e3o com o ass\u00e9dio sexual. O levantamento constatou que 89% relatam ter sido v\u00edtimas em pelo menos um tipo de ve\u00edculo, com predomin\u00e2ncia de \u00f4nibus (68,8%), deslocamentos a\u00a0p\u00e9 (60,8%) e de metr\u00f4 ou trem (50,2%). A bicicleta e a moto por aplicativo aparecem como os que as deixam menos vulner\u00e1veis, mas s\u00e3o citadas, ainda assim, por 6,6% e\u00a04,1% das participantes.<\/p>\n<h2>Autom\u00f3veis<\/h2>\n<p>Os carros por aplicativo s\u00e3o op\u00e7\u00e3o recorrente de oito em cada dez mulheres ouvidas na pesquisa (80%). Apesar de custarem mais caro para 67% das entrevistadas de periferias e \u00e1reas com desfalques estruturais e de transporte.<\/p>\n<p>No total, 68% das entrevistadas declararam n\u00e3o ter ve\u00edculo pr\u00f3prio e 52% gastam mais de uma hora por dia em deslocamento. Quase metade (45%) avalia como piores as condi\u00e7\u00f5es de mobilidade de seus endere\u00e7os, na compara\u00e7\u00e3o com o centro da cidade, e 33% classifica o transporte p\u00fablico de seu respectivo bairro como ruim ou p\u00e9ssimo.<\/p>\n<p><strong>Outra conclus\u00e3o \u00e9 a de que, de fato, a renda define o quanto de acesso elas t\u00eam a determinados modais. <\/strong>Oito em cada dez (80,3%) mulheres de baixa renda usam \u00f4nibus regularmente, contra 52,1% entre as de alta renda. O carro pr\u00f3prio, por outro lado, \u00e9 usado regularmente por 40,6% destas, contra apenas 8,3% das mulheres de baixa renda.<\/p>\n<h2>Mulheres como cuidadoras<\/h2>\n<p>Uma das tarefas atribu\u00eddas\u00a0historicamente\u00a0\u00e0s mulheres, o cuidado tamb\u00e9m estabelece certas rotinas adotadas por elas. Segundo o estudo,\u00a054% das entrevistadas afirmam que exercem esse tipo de trabalho sozinhas, ante 38% que dizem dividi-lo com outras pessoas.\u00a0<\/p>\n<p><strong>Tais dados explicam por que o trajeto de muitas mulheres n\u00e3o se limita \u00e0 casa-trabalho e vice-versa, incluindo paradas no meio do caminho. As que planejam sozinhas os percursos relacionados ao cuidado, como escola, idas a consultas m\u00e9dicas e farm\u00e1cias e compras s\u00e3o 43%, sendo que 44% escolhem o ve\u00edculo que v\u00e3o utilizar com base nessas responsabilidades.<\/strong><\/p>\n<p>Os carros por aplicativo s\u00e3o acionados por 53% quando transportam dependentes, sejam eles filhos, idosos ou pessoas com defici\u00eancia.<\/p>\n<h2>Sobre a coleta de dados<\/h2>\n<p>A etapa quantitativa foi feita entre\u00a08 de junho e 9 de julho de 2026, com 564 mulheres entre 18 e 60 anos, com foco nas capitais\u00a0S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Curitiba, Porto Alegre, Bras\u00edlia, Manaus e Bel\u00e9m, al\u00e9m de outras 73 cidades brasileiras.<\/p>\n<p>As organiza\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m colheram contribui\u00e7\u00f5es de\u00a0especialistas ligadas a temas como planejamento urbano, direito \u00e0 cidade, mobilidade feminina, desigualdades territoriais, periferias e\u00a0mobilidade ativa.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-09\/40-das-mulheres-ja-renunciaram-empregos-por-dificuldade-de-acesso\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es com a Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No Brasil, quatro em cada dez mulheres (39%) j\u00e1 abriram m\u00e3o de uma vaga de emprego ou oportunidade profissional em virtude de dificuldades de deslocamento. 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