{"id":77283,"date":"2026-09-22T19:42:20","date_gmt":"2026-09-22T22:42:20","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/?p=77283"},"modified":"2026-09-22T19:42:20","modified_gmt":"2026-09-22T22:42:20","slug":"instalacao-no-sesc-pompeia-denuncia-marcas-do-trafico-de-escravizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/instalacao-no-sesc-pompeia-denuncia-marcas-do-trafico-de-escravizados\/","title":{"rendered":"Instala\u00e7\u00e3o no Sesc Pompeia denuncia marcas do tr\u00e1fico de escravizados"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>As marcas do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de africanos escravizados, <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-03\/onu-escravizacao-de-africanos-foi-maior-crime-contra-humanidade\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">considerado\u00a0pela Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas como o crime mais grave j\u00e1 praticado contra a humanidade<\/a>, s\u00e3o denunciadas pela obra <em>O Barco<\/em>, que pode ser visitada a partir desta ter\u00e7a-feira (22) no Sesc Pompeia, em S\u00e3o Paulo.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>Durante cerca de 400 anos, milh\u00f5es de africanos foram sequestrados e vendidos como mercadorias em col\u00f4nias de na\u00e7\u00f5es europeias, crime que continuou a ser cometido mesmo ap\u00f3s a independ\u00eancia de algumas delas.<\/p>\n<p><strong>O Brasil foi o principal destino desses escravizados<\/strong>. Por meio de muita viol\u00eancia e dos chamados navios negreiros, mais de 4,8 milh\u00f5es de escravizados atravessaram o Oceano Atl\u00e2ntico para o trabalho for\u00e7ado no Brasil.<\/p>\n<p>E \u00e9 isso que nos lembra a obra\u00a0da artista portuguesa Grada Kilomba, que lan\u00e7a uma provoca\u00e7\u00e3o ao p\u00fablico: o que o fundo do oceano nos diria se fosse esvaziado de \u00e1gua hoje?<\/p>\n<p>\u201cO Barco vem mostrar aquilo que estava no fundo de muitos barcos que aparecem nos monumentos da Europa e da Am\u00e9rica Latina e que glorificam uma hist\u00f3ria, que contam a hist\u00f3ria com gl\u00f3ria, como um descobrimento, como uma expans\u00e3o e como algo rom\u00e2ntico e glorioso. Como artista, me interessa muito questionar o que \u00e9 essa gl\u00f3ria e o que esses barcos gloriosos traziam no fundo\u201d, disse a artista, em entrevista \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cSe esvazi\u00e1ssemos a \u00e1gua, o oceano e a terra em si iriam revelar uma s\u00e9rie de trilh\u00f5es de passagens de corpos humanos, n\u00e3o s\u00f3 no passado, mas no presente, em uma repeti\u00e7\u00e3o da viol\u00eancia c\u00edclica\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p><strong>A obra escult\u00f3rica e perform\u00e1tica criada por Grada Kilomba \u00e9 composta por 134 blocos de madeira queimada que s\u00e3o dispostos em uma \u00e1rea de 220 metros quadrados, com extens\u00e3o de 32 metros de comprimento<\/strong>.<\/p>\n<p>A pe\u00e7a desenha a silhueta do fundo de uma grande embarca\u00e7\u00e3o e, com isso, busca revelar a arquitetura do espa\u00e7o criado nos por\u00f5es dos navios negreiros para acomodar os corpos de milh\u00f5es de pessoas africanas escravizadas.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=474770:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/EBNjfvz0jff8xAXVy6YEHmwpzVE%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/09\/22\/_pin4583.jpg.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 22\/09\/2026 - Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos: Paulo Pinto\/Agencia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n        <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/EBNjfvz0jff8xAXVy6YEHmwpzVE%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/09\/22\/_pin4583.jpg.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 22\/09\/2026 - Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos: Paulo Pinto\/Agencia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n    <!-- END scald=474770 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos:\u00a0<strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=474770--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p><em>O Barco<\/em> \u00e9 resultado de uma extensa pesquisa da artista em bot\u00e2nica, hist\u00f3ria e travessias transatl\u00e2nticas. Tamb\u00e9m tem inspira\u00e7\u00e3o na trag\u00e9dia de <em>Ant\u00edgona,\u00a0<\/em>em que Et\u00e9ocles e Polinices, filhos de \u00c9dipo, se matam ap\u00f3s uma luta pela disputa do poder em Tebas. Segundo a mitologia grega, Creonte assume o trono e ordena que Et\u00e9ocles seja enterrado com honras de her\u00f3i, mas pro\u00edbe o sepultamento de Polinices.<\/p>\n<p>\u201cEsta obra [<em>O Barco<\/em>] tamb\u00e9m vem em sequ\u00eancia dessa obra <em>Ant\u00edgona<\/em>, que questiona quem \u00e9 que pode ser enterrado e quem n\u00e3o, quem \u00e9 que pode ser lembrado e tem um lugar para ser chorado e para ser celebrado e quem n\u00e3o\u201d, explicou a artista. \u201cN\u00e3o \u00e9 por acaso que as hist\u00f3rias s\u00e3o esquecidas e proibidas de serem recordadas, de serem ritualizadas e lembradas porque isso produz mem\u00f3ria\u201d.<\/p>\n<p>Para Kilomba, o oceano \u00e9 um espa\u00e7o de sepultamento de milh\u00f5es de vidas perdidas, tanto da escraviza\u00e7\u00e3o e do colonialismo quanto das guerras, mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cEste barco leva tamb\u00e9m n\u00e3o s\u00f3 ao passado. M\u00faltiplos barcos atualmente continuam a atravessar as \u00e1guas globais para fugir a genoc\u00eddios, massacres, crises clim\u00e1ticas, migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas, guerras e conflitos. E os mesmos corpos caem no fundo do mar\u201d.<\/p>\n<\/blockquote>\n<h2>Poemas<\/h2>\n<p><strong>Obra de grandes dimens\u00f5es, <em>O Barco<\/em> teve que ser adaptada\u00a0para caber no galp\u00e3o do Sesc Pompeia. <\/strong><\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 muito interessante come\u00e7ar a trabalhar nessa narrativa de que os barcos atracavam em diferentes portos e n\u00e3o chegavam inteiros, n\u00e3o chegavam com toda a sua popula\u00e7\u00e3o, assim como os barcos hoje saem de um lugar para um outro e n\u00e3o chegam inteiros. Essa reflex\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 muito importante: parte desta obra torna-se invis\u00edvel aqui no espa\u00e7o porque ela \u00e9 muito maior do que ele\u201d.<\/p>\n<p>Embora n\u00e3o esteja inteira, a obra ainda continua a conter 18 blocos em seu centro, que estampam um poema gravado em dourado. O poema foi escrito pela pr\u00f3pria artista e traduzido para iorub\u00e1, kimbundu, crioulo cabo-verdiano, portugu\u00eas, ingl\u00eas e \u00e1rabe da S\u00edria.\u00a0\u201c<em>Uma alma, uma mem\u00f3ria. Uma mem\u00f3ria, um esquecimento. Um esquecimento, uma ferida<\/em>\u201d, dizem alguns desses versos.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=474774:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/CrftF1bZX4flEYsNUmRylNd_aCA%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/09\/22\/_pin4564.jpg.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 22\/09\/2026 - Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos: Paulo Pinto\/Agencia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n        <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/CrftF1bZX4flEYsNUmRylNd_aCA%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/09\/22\/_pin4564.jpg.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 22\/09\/2026 - Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos: Paulo Pinto\/Agencia Brasil\" title=\"Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil\" \/><br \/>\n    <!-- END scald=474774 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">\u00a0Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. Fotos:\u00a0<strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=474774--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>\u201cEsta obra \u00e9 o inconsciente da nossa hist\u00f3ria. N\u00f3s temos uma hist\u00f3ria que entrou no projeto europeu de escravatura durante mais de 400 anos e que foi completamente apagada. Est\u00e1 invis\u00edvel na nossa realidade, n\u00e3o \u00e9 documentada, nem estudada. E a mim, como artista, interessa muito trabalhar esse invis\u00edvel e com esse inconsciente sobre o que est\u00e1 apagado no imagin\u00e1rio coletivo\u201d, disse a artista.<\/p>\n<p>Segundo Kilomba, um dos objetivos desse trabalho \u00e9 \u201cmostrar como estes barcos e toda a constru\u00e7\u00e3o da identidade moderna e toda a constru\u00e7\u00e3o da identidade da Europa foi constru\u00edda sob uma hist\u00f3ria de grande viol\u00eancia, na qual a popula\u00e7\u00e3o africana foi a grande protagonista\u201d, sendo transformada em uma mercadoria que acabou construindo \u201ctodo esse imp\u00e9rio e riqueza\u201d.<\/p>\n<p>Uma viol\u00eancia que, segundo ela, ainda se mant\u00e9m presente nos dias atuais. \u201cQuando a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 contada devidamente, a sua barb\u00e1rie repete-se\u201d, lembrou a artista.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-cheio_8colunas type-image\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=474769:cheio_8colunas --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/AUj2uVHnFNMR7jx2CYh4ab83dCE%3D\/754x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/09\/22\/_pin4569.jpg.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"S\u00e3o Paulo (SP), 22\/09\/2026 - Instala\u00e7\u00e3o \u201cO Barco\u201d da artista portuguesa Grada Kilomba, no SESC Pomp\u00e9ia. 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Fotos:\u00a0<strong>Paulo Pinto\/Ag\u00eancia Brasil<\/strong><!--END copyright=474769--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<h2>Itiner\u00e2ncia<\/h2>\n<p>O Barco j\u00e1 foi exposto em Lisboa e Londres e desembarcou pela primeira vez no Brasil no Instituto Inhotim, em Minas Gerais, onde ficou por 28 meses. E agora est\u00e1 na capital paulista, seguindo em itiner\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito bonito pensar numa itiner\u00e2ncia pelo Brasil, que \u00e9 o que n\u00f3s estamos a fazer agora, entrando em diferentes espa\u00e7os arquitet\u00f4nicos e em diferentes lugares e cidades\u201d, afirmou a artista.<\/p>\n<p>No Sesc Pompeia, a obra estar\u00e1 exposta junto a outros dois trabalhos de Grada Kilomba: a videoinstala\u00e7\u00e3o <em>Opera to a Black Venus<\/em> e a instala\u00e7\u00e3o <em>Compressed Time<\/em>.<\/p>\n<p>Concebida pelo Instituto Inhotim, a exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 gratuita e permanecer\u00e1\u00a0em cartaz at\u00e9 o dia 25 de outubro, no Espa\u00e7o Galp\u00e3o do Sesc Pompeia.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/cultura\/noticia\/2026-09\/instalacao-no-sesc-pompeia-denuncia-marcas-do-trafico-de-escravizados\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es com a Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As marcas do tr\u00e1fico transatl\u00e2ntico de africanos escravizados, considerado\u00a0pela Assembleia Geral da Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas como o crime mais grave j\u00e1 praticado contra a humanidade, s\u00e3o denunciadas pela obra O Barco, que pode ser visitada a partir desta ter\u00e7a-feira (22) no Sesc Pompeia, em S\u00e3o Paulo. 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