{"id":74957,"date":"2026-08-20T06:24:53","date_gmt":"2026-08-20T09:24:53","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/?p=74957"},"modified":"2026-08-20T06:24:53","modified_gmt":"2026-08-20T09:24:53","slug":"lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias\/","title":{"rendered":"L\u00e9sbicas cobram sa\u00fade integral, trabalho digno e fim de viol\u00eancias"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p><strong>Praticamente oito em cada dez mulheres l\u00e9sbicas enfrentam diversos tipos de viol\u00eancia cotidianamente, como mostra o<a href=\"https:\/\/dossies.agenciapatriciagalvao.org.br\/violencia-em-dados\/79-mulheres-sofreram-lesbofobia-no-pais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0LesboCenso Nacional: Mapeamento de Viv\u00eancias L\u00e9sbicas no Brasil<\/a>, realizado pela Liga Brasileira de L\u00e9sbicas e pela Coturno de V\u00eanus (Associa\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica Feminista de Bras\u00edlia) e\u00a0divulgado ainda em 2022. A lesbofobia ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o em registros de viol\u00eancias, e o ass\u00e9dio moral e o sexual est\u00e3o entre as formas mais recorrentes, de acordo com o levantamento.<\/strong><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px;height:1px;display:inline\" \/><\/p>\n<p>Para marcar o combate \u00e0 lesbofobia (preconceito, \u00f3dio ou discrimina\u00e7\u00e3o contra mulheres que se relacionam com outras mulheres), <strong>o <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-08\/dia-nacional-do-orgulho-lesbico-e-celebrado-nesta-quarta-feira\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Dia Nacional do Orgulho L\u00e9sbico<\/a>\u00a0\u00e9 lembrado nesta quarta-feira (19)\u00a0no Brasil.<\/strong>\u00a0O 19 de agosto simboliza, tamb\u00e9m, a luta pela visibilidade desse p\u00fablico e por avan\u00e7os de direitos.<\/p>\n<p>Para analisar as principais reivindica\u00e7\u00f5es, avan\u00e7os e desafios dessa agenda social e econ\u00f4mica, a <strong>Ag\u00eancia Brasil <\/strong>entrevistou a assistente social Michele Seixas, coordenadora pol\u00edtica nacional na Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas (ABL).<\/p>\n<p>Entre as prioridades listadas pela ativista social, est\u00e1 a busca por uma sa\u00fade integral de qualidade e por oportunidades para\u00a0l\u00e9sbicas no mercado de trabalho.<\/p>\n<h2>Sa\u00fade<\/h2>\n<p>A militante defende o atendimento qualificado no Sistema \u00fanico de Sa\u00fade (SUS), para atender \u00e0s especificidades de todos os corpos l\u00e9sbicos, com profissionais de sa\u00fade capacitados. \u201cA sa\u00fade \u00e9 um gargalo para a popula\u00e7\u00e3o l\u00e9sbica. Deparamo-nos com uma sa\u00fade que vem sendo invisibilizada e violada h\u00e1 muitos anos para n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<div class=\"dnd-widget-wrapper context-medio_4colunas type-image atom-align-left\">\n<div class=\"dnd-atom-rendered\"><!-- scald=472162:medio_4colunas {\"additionalClasses\":\"\"} --><br \/>\n            <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/f4aMKlTY1VK9nuU49FMr8VoVKbc%3D\/365x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/19\/whatsapp_image_2026-08-19_at_12.40.06.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica. Michele Seixas\n, Assistente Social,\n Especialista em Direitos Humanos, G\u00eanero, e Sexualidade (DIHS\/ENSP\/FIOCRUZ) e Coordenadora Pol\u00edtica Nacional na Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas - ABL. Foto: Michele Seixas\/ Arquivo Pessoal\" title=\"Michele Seixas\/ Arquivo Pessoal\" \/><br \/>\n        <img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/imagens.ebc.com.br\/f4aMKlTY1VK9nuU49FMr8VoVKbc%3D\/365x0\/smart\/https%3A\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/sites\/default\/files\/thumbnails\/image\/2026\/08\/19\/whatsapp_image_2026-08-19_at_12.40.06.jpeg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"Dia Nacional da Visibilidade L\u00e9sbica. Michele Seixas\n, Assistente Social,\n Especialista em Direitos Humanos, G\u00eanero, e Sexualidade (DIHS\/ENSP\/FIOCRUZ) e Coordenadora Pol\u00edtica Nacional na Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas - ABL. Foto: Michele Seixas\/ Arquivo Pessoal\" title=\"Michele Seixas\/ Arquivo Pessoal\" \/><br \/>\n    <!-- END scald=472162 --><\/div>\n<p><h6 class=\"meta\">A assistente social Michele Seixas \u00e9 especialista em direitos humanos, g\u00eanero\u00a0e sexualidade e coordenadora da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas (ABL) &#8211; <strong>Foto:\u00a0Michele Seixas\/Arquivo pessoal<\/strong><!--END copyright=472162--><\/h6>\n<\/p>\n<\/div>\n<p>Michele Seixas lamenta que as l\u00e9sbicas ainda sofram com o senso comum de preconceito e, nos atendimentos em sa\u00fade, exista um fundamentalismo religioso somado \u00e0 falta de forma\u00e7\u00e3o continuada em educa\u00e7\u00e3o permanente em sa\u00fade.<\/p>\n<p>Apesar do despreparo existente nos servi\u00e7os de sa\u00fade ressaltado por Michele, ela cita que alguns munic\u00edpios brasileiros at\u00e9 oferecem aulas <em>online<\/em> sobre a tem\u00e1tica, mas a participa\u00e7\u00e3o dos profissionais de sa\u00fade \u00e9 volunt\u00e1ria e, na maior parte das vezes, ocorre em n\u00famero reduzido.<\/p>\n<p>Outro ponto exigido pelo movimento l\u00e9sbico \u00e9 que a entrevista cl\u00ednica realizada por um profissional de sa\u00fade no in\u00edcio de um atendimento colete, obrigatoriamente, a informa\u00e7\u00e3o de orienta\u00e7\u00e3o sexual do paciente, a fim de direcionar o cuidado cl\u00ednico adequado.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 alguns anos, n\u00e3o era obrigat\u00f3rio marcar ra\u00e7a\/cor, durante a anamnese. Agora \u00e9.\u00a0E precisa ser obrigat\u00f3rio preencher o quesito orienta\u00e7\u00e3o sexual. Isso vai determinar como ser\u00e1 o atendimento em sa\u00fade daquela l\u00e9sbica.\u201d<\/p>\n<h2>Direitos reprodutivos<\/h2>\n<p>Ao falar de direitos reprodutivos, Michele conclui que a Pol\u00edtica de Planejamento Familiar no Brasil n\u00e3o assiste as l\u00e9sbicas. Uma das reivindica\u00e7\u00f5es \u00e9 que elas tenham acesso \u00e0 dupla maternidade por via de reprodu\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n<p>\u201cToda mulher deve ter o direito de escolher ser ou n\u00e3o m\u00e3e. Mas, quando as l\u00e9sbicas chegam a uma cl\u00ednica da fam\u00edlia, os pr\u00f3prios funcion\u00e1rios dizem que n\u00e3o sabem o que fazer conosco em pleno 2026\u201d, critica.<\/p>\n<p>Segundo Michele, na maioria das vezes, o direito de formar uma fam\u00edlia fica restrito \u00e0quelas que tem melhores condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas.<\/p>\n<h2>Assist\u00eancia social<\/h2>\n<p>Outro ponto cr\u00edtico \u00e9 a falta de reconhecimento e de cadastramento de arranjos familiares de l\u00e9sbicas nos programas da Pol\u00edtica Nacional de Assist\u00eancia Social (PNAS). \u201cFam\u00edlias l\u00e9sbico-afetivas n\u00e3o s\u00e3o reconhecidas como tal. Ent\u00e3o, estas n\u00e3o s\u00e3o contabilizadas dentro da Pol\u00edtica de Assist\u00eancia Social no Brasil\u201d, constata a representante da Articula\u00e7\u00e3o Brasileira de L\u00e9sbicas (ABL).<\/p>\n<h2>Mercado de trabalho<\/h2>\n<p>A lesbofobia tamb\u00e9m pauta a falta de acesso a postos de trabalho dignos que poderiam combater a vulnerabilidade social e a informalidade das mulheres l\u00e9sbicas.<\/p>\n<p>Michele Seixas, que tamb\u00e9m \u00e9 especialista em direitos humanos, g\u00eanero e sexualidade no Departamento de Direitos Humanos, Sa\u00fade e Diversidade Cultural da Escola Nacional de Sa\u00fade P\u00fablica Sergio Arouca, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), aponta que as l\u00e9sbicas que adotam uma identidade que desafia os padr\u00f5es de g\u00eanero e o conceito de feminilidade passam por um processo de exclus\u00e3o maior.<\/p>\n<p>A rejei\u00e7\u00e3o \u00e0 n\u00e3o conformidade de g\u00eanero recai com mais for\u00e7a nas l\u00e9sbicas classificadas como desfeminilizadas (o termo abreviado \u00e9 desfem).<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cL\u00e9sbicas desfems, l\u00e9sbicas caminhoneiras, l\u00e9sbicas que n\u00e3o performam a feminilidade dos colonizadores\u00a0tendem a passar por um processo de exclus\u00e3o do mercado de trabalho\u201d, aponta.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Michele relata casos de mulheres l\u00e9sbicas que, para conseguir uma vaga de emprego, se ajustam para performar uma feminilidade padr\u00e3o \u2013\u00a0usando maquiagem e roupas que n\u00e3o utilizam no dia\u00a0a dia\u00a0\u2013, pois a n\u00e3o conformidade com esse estere\u00f3tipo resulta em exclus\u00e3o nos processos seletivos.<\/p>\n<p>\u201cEla [a mulher l\u00e9sbica] vive ainda uma vida totalmente escondida no trabalho. \u00c9 sempre aquela solteira que n\u00e3o tem ningu\u00e9m, porque ela n\u00e3o pode dizer, simplesmente, que \u00e9 sapat\u00e3o, que \u00e9 casada ou namora [outra mulher]. Isso ainda perpassa nos nossos cotidianos.\u201d<\/p>\n<p>A especialista aponta a rela\u00e7\u00e3o entre a lesbofobia e o racismo, pois a situa\u00e7\u00e3o no ambiente de trabalho piora se essas mulheres l\u00e9sbicas s\u00e3o negras.<\/p>\n<h2>Dados<\/h2>\n<p>O Brasil convive com a falta de estat\u00edsticas sobre mulheres l\u00e9sbicas, o que limita a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas direcionadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o de mulheres l\u00e9sbicas.<\/p>\n<p>Os \u00fanicos dados nacionais de refer\u00eancia permanecem restritos a levantamentos independentes. A estudiosa menciona o<a href=\"https:\/\/dossies.agenciapatriciagalvao.org.br\/fontes-e-pesquisas\/wp-content\/uploads\/sites\/3\/2018\/04\/Dossi%C3%AA-sobre-lesboc%C3%ADdio-no-Brasil.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> Dossi\u00ea do Lesboc\u00eddio<\/a> (com dados de 2014 a 2017) produzido pelo N\u00facleo de Inclus\u00e3o Social (NIS), vinculado \u00e0 Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do N\u00f3s: Dissid\u00eancias Feministas.<\/p>\n<p>Em n\u00edvel nacional, Michele relata ainda a primeira fase do Lesbocenso, divulgado em 2022. A segunda fase do mapeamento sociodemogr\u00e1fico das viv\u00eancias de l\u00e9sbicas e sapat\u00e3o do Brasil <a href=\"https:\/\/lesbocenso.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">est\u00e1 em andamento<\/a>. A iniciativa \u00e9 da Coturno de V\u00eanus (Associa\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica Feminista de Bras\u00edlia) e da Liga Brasileira de L\u00e9sbicas (LBL).<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, n\u00f3s n\u00e3o temos dados produzidos pelo Estado sobre essas viol\u00eancias sobre os nossos corpos\u201d, lamentou Michele.<\/p>\n<h2>Vit\u00f3rias coletivas<\/h2>\n<p>Embora existam avan\u00e7os, Michele contabiliza que estes decorrem de vit\u00f3rias\u00a0de toda a comunidade LGBTQIA+, como a ado\u00e7\u00e3o de filhos por casais homoafetivos e o casamento entre pessoas do mesmo sexo,\u00a0garantido em todo o Brasil desde 2013. Por\u00e9m, n\u00e3o h\u00e1 marcos exclusivos da pauta l\u00e9sbica. &#8220;Conquista s\u00f3 nossa? Ainda n\u00f3s n\u00e3o tivemos essa felicidade.&#8221;<\/p>\n<h2>Viver sem viol\u00eancia<\/h2>\n<p>Casos de viol\u00eancias contra pessoas LGBTQIAPN+ podem ser denunciados no Disque Direitos Humanos, o Disque 100.\u00a0O servi\u00e7o do Minist\u00e9rio dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) funciona diariamente, 24 horas\u00a0por dia, incluindo s\u00e1bados, domingos e feriados.\u202fO atendimento \u00e9 imediato.<\/p>\n<p>As den\u00fancias de viola\u00e7\u00f5es de direitos humanos s\u00e3o registradas e analisadas pela equipe do Disque 100 e, posteriormente, encaminhadas aos \u00f3rg\u00e3os competentes (de prote\u00e7\u00e3o, defesa e responsabiliza\u00e7\u00e3o em direitos humanos).\u00a0Em situa\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, a Pol\u00edcia Militar local deve ser acionada pelo telefone 190.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2026-08\/lesbicas-cobram-saude-integral-trabalho-digno-e-fim-de-violencias\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es com a Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Praticamente oito em cada dez mulheres l\u00e9sbicas enfrentam diversos tipos de viol\u00eancia cotidianamente, como mostra o\u00a0LesboCenso Nacional: Mapeamento de Viv\u00eancias L\u00e9sbicas no Brasil, realizado pela Liga Brasileira de L\u00e9sbicas e pela Coturno de V\u00eanus (Associa\u00e7\u00e3o L\u00e9sbica Feminista de Bras\u00edlia) e\u00a0divulgado ainda em 2022. 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