{"id":70625,"date":"2026-06-28T13:50:49","date_gmt":"2026-06-28T16:50:49","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/atividade-fisica-ao-longo-da-vida-reduz-risco-de-depressao-na-velhice-mostra-estudo\/"},"modified":"2026-06-28T13:50:49","modified_gmt":"2026-06-28T16:50:49","slug":"atividade-fisica-ao-longo-da-vida-reduz-risco-de-depressao-na-velhice-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/atividade-fisica-ao-longo-da-vida-reduz-risco-de-depressao-na-velhice-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Atividade f\u00edsica ao longo da vida reduz risco de depress\u00e3o na velhice, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/35265.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Manter-se fisicamente ativo ao longo da vida pode reduzir de forma significativa o risco de sintomas depressivos na velhice. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por at\u00e9 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram inclu\u00eddos participantes de dois grandes projetos: o Estudo Longitudinal Ingl\u00eas sobre Envelhecimento (ELSA, na sigla em ingl\u00eas), no Reino Unido, e o Estudo sobre Sa\u00fade e Aposentadoria (HRS, em ingl\u00eas), nos Estados Unidos. Ambos acompanham periodicamente adultos mais velhos, com question\u00e1rios semelhantes e avalia\u00e7\u00f5es realizadas a cada dois anos, o que permite compara\u00e7\u00f5es consistentes entre popula\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/especialistas-do-iamspe-orientam-idosos-sobre-cuidados-com-a-saude-no-inverno\/\" rel=\"noopener\">Especialistas do Iamspe orientam idosos sobre cuidados com a sa\u00fade no inverno<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNessa pesquisa, buscamos entender a associa\u00e7\u00e3o entre a atividade f\u00edsica e a incid\u00eancia de sintomas depressivos em idosos, usando dois conjuntos de dados muito compar\u00e1veis\u201d, conta Andr\u00e9 de Oliveira Werneck, integrante do N\u00facleo de Pesquisas Epidemiol\u00f3gicas em Nutri\u00e7\u00e3o e Sa\u00fade da Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP) e primeiro autor do artigo\u00a0publicado\u00a0em junho do ano passado no <em>Journal of Affective Disorders<\/em>.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A investiga\u00e7\u00e3o foi conduzida com apoio da <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fapesp<\/a> durante est\u00e1gio de pesquisa realizado por Werneck no Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neuroci\u00eancia do King\u2019s College London (Reino Unido), quando ainda estava no doutorado.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O longo per\u00edodo de acompanhamento (12 anos em ambos os grupos), diz Werneck, foi essencial para avaliar como mudan\u00e7as no comportamento ao longo do tempo influenciam a sa\u00fade mental. Em geral, nos estudos tradicionais, a atividade f\u00edsica costuma ser medida apenas no in\u00edcio do seguimento, como se o comportamento dos participantes permanecesse est\u00e1vel ao longo dos anos. \u201cMas muita coisa pode mudar ao longo de 12 anos. As pessoas podem se exercitar mais ou menos, desenvolver doen\u00e7as, mudar seus h\u00e1bitos, e isso pode introduzir vieses importantes\u201d, explica Werneck.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/junho-violeta-governo-de-sp-promove-campanha-de-combate-a-violencia-contra-a-pessoa-idosa\/\" rel=\"noopener\">Junho Violeta: Governo de SP promove campanha de combate \u00e0 viol\u00eancia contra a pessoa idosa<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, os pesquisadores adotaram uma abordagem epidemiol\u00f3gica inovadora conhecida como <em>target trial emulation<\/em> (emula\u00e7\u00e3o de ensaio-alvo). O m\u00e9todo utiliza ferramentas estat\u00edsticas avan\u00e7adas para simular, a partir de dados observacionais, como seria um ensaio cl\u00ednico randomizado de longo prazo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa ferramenta resolve um dos maiores gargalos das pesquisas de longo prazo. No mundo real, pessoas que se exercitam com frequ\u00eancia costumam ter vantagens que mascaram os resultados \u2013 como maior renda ou menos doen\u00e7as pr\u00e9vias. O algoritmo corrige essas desigualdades matematicamente, nivelando as condi\u00e7\u00f5es de todos os participantes. \u00c9 como se o computador projetasse duas realidades paralelas para os mesmos idosos: a vida como ela realmente aconteceu <em>versus<\/em> um cen\u00e1rio ideal onde todos cumpriram a rotina de treinos sem interrup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cCriamos cen\u00e1rios de interven\u00e7\u00f5es plaus\u00edveis e estimamos como seria o risco de sintomas depressivos se as pessoas mantivessem esses n\u00edveis de atividade f\u00edsica ao longo dos 12 anos\u201d, explica o pesquisador.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dois cen\u00e1rios<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foram avaliados dois cen\u00e1rios principais: praticar atividade f\u00edsica moderada ou vigorosa pelo menos duas vezes por semana, ou realizar ao menos um dia de atividade f\u00edsica vigorosa na semana. Em ambos os casos, os resultados da simula\u00e7\u00e3o apontaram redu\u00e7\u00e3o consistente no risco de desenvolver sintomas depressivos, tanto na coorte norte-americana quanto na inglesa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os norte-americanos, a pr\u00e1tica de atividades f\u00edsicas moderadas duas vezes por semana esteve associada a uma redu\u00e7\u00e3o de cerca de 12% no risco de sintomas depressivos; entre os ingleses, a queda foi de aproximadamente 13%. J\u00e1 o cen\u00e1rio com pelo menos um dia de atividade f\u00edsica vigorosa reduziu o risco de sintomas depressivos em 13% nos Estados Unidos e 16% no Reino Unido.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNossos resultados demonstram que a pr\u00e1tica de atividade f\u00edsica moderada j\u00e1 traz benef\u00edcios t\u00e3o grandes para as pessoas idosas quanto a atividade vigorosa. N\u00e3o h\u00e1 necessidade de exerc\u00edcios muito intensos\u201d, diz Werneck. E n\u00e3o \u00e9 preciso fazer um exerc\u00edcio f\u00edsico organizado. Atividades como caminhar e cuidar do jardim j\u00e1 entram na categoria de atividade f\u00edsica moderada e s\u00e3o pr\u00e1ticas mais acess\u00edveis \u00e0 popula\u00e7\u00e3o idosa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados da simula\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m indicam que atividade f\u00edsica em doses menores do que as recomenda\u00e7\u00f5es tradicionais pode ser suficiente para a sa\u00fade mental \u2013 a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) indica a pr\u00e1tica de 150 minutos de atividade moderada a intensa por semana, incluindo tamb\u00e9m exerc\u00edcios de for\u00e7a muscular. \u201cAlguma atividade f\u00edsica \u00e9 melhor do que nenhuma. A partir de certo ponto, o ganho adicional passa a ser pequeno\u201d, afirma Werneck, ressaltando que pol\u00edticas p\u00fablicas deveriam priorizar pessoas completamente inativas a sa\u00edrem do sedentarismo porque j\u00e1 haveria um ganho em sa\u00fade mental.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Risco da depress\u00e3o em idosos<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo a OMS, a depress\u00e3o \u00e9 um problema de sa\u00fade p\u00fablica e afeta mais de 25 milh\u00f5es de indiv\u00edduos no mundo. Entre os idosos, est\u00e1 crescendo de forma acelerada, causando aumento do risco de mortalidade, piora de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, decl\u00ednio cognitivo e maior vulnerabilidade ao suic\u00eddio.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O professor do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neuroci\u00eancia do King\u2019s College London Brendon Stubbs, orientador de Werneck, disse por e-mail \u00e0 Ag\u00eancia FAPESP que a escolha do p\u00fablico idoso para an\u00e1lise do impacto da atividade f\u00edsica na sa\u00fade mental foi estrat\u00e9gica. \u201cA depress\u00e3o em pessoas idosas \u00e9 comum, pouco reconhecida e frequentemente confundida como parte normal do envelhecimento, o que n\u00e3o \u00e9 verdade\u201d, afirma. \u201cAl\u00e9m disso, trata-se de um grupo que tende a praticar menos atividade f\u00edsica e a enfrentar fatores de risco adicionais, como isolamento social e perda de autonomia, o que refor\u00e7a a relev\u00e2ncia de investigar estrat\u00e9gias preventivas para esse grupo.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Stubbs destaca que a atividade f\u00edsica \u00e9 uma das poucas interven\u00e7\u00f5es capazes de atuar simultaneamente na sa\u00fade mental, f\u00edsica e funcional, com risco muito baixo e ampla acessibilidade. \u201cMesmo pequenas quantidades j\u00e1 est\u00e3o associadas a uma redu\u00e7\u00e3o significativa dos sintomas depressivos. A rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 do tipo tudo ou nada\u201d, diz o pesquisador. \u201cCaminhar, pedalar ou fazer jardinagem, desde que elevem a frequ\u00eancia card\u00edaca, j\u00e1 podem trazer benef\u00edcios.\u201d<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo n\u00e3o avaliou se existe algum tipo espec\u00edfico de exerc\u00edcio que seja superior aos outros. Mas, segundo os pesquisadores, tanto atividades aer\u00f3bicas quanto treinamento de for\u00e7a e movimentos funcionais mostraram associa\u00e7\u00e3o positiva com a sa\u00fade mental. \u201cIsso \u00e9 importante, porque permite que as pessoas escolham atividades de que gostam e que consigam manter ao longo do tempo. Do ponto de vista da sa\u00fade mental, o melhor exerc\u00edcio \u00e9 aquele que se encaixa na vida da pessoa, respeita sua capacidade f\u00edsica e parece vi\u00e1vel\u201d, diz Stubbs.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os pesquisadores, a ades\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica da atividade f\u00edsica a longo prazo ainda \u00e9 o maior desafio e \u00e9 onde muitas interven\u00e7\u00f5es fracassam. Eles ressaltam que as estrat\u00e9gias mais eficazes s\u00e3o aquelas que incorporam o movimento \u00e0 rotina di\u00e1ria \u2013 em vez de trat\u00e1-lo como uma tarefa separada \u2013 e estimulam a intera\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA conex\u00e3o social \u00e9 fundamental. Praticar atividade f\u00edsica com outras pessoas, mesmo de forma informal, melhora a ades\u00e3o e o humor. A flexibilidade tamb\u00e9m \u00e9 importante. Permitir que as pessoas ajustem a intensidade e o tipo de atividade conforme sua necessidade \u00e9 muito mais eficaz do que programas r\u00edgidos. A atividade f\u00edsica deve ser vista como uma ferramenta para manter a independ\u00eancia e o bem-estar, e n\u00e3o como um rem\u00e9dio\u201d, afirma Stubbs.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os autores, os resultados desse estudo podem orientar pol\u00edticas p\u00fablicas mais inclusivas, com foco em pequenas mudan\u00e7as sustent\u00e1veis e na cria\u00e7\u00e3o de ambientes que facilitem o movimento na velhice. \u201cIntegrar a promo\u00e7\u00e3o da atividade f\u00edsica \u00e0 aten\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria, aos servi\u00e7os comunit\u00e1rios e ao planejamento urbano amig\u00e1vel ao envelhecimento \u00e9 fundamental. Investir em programas e espa\u00e7os que tornem a atividade f\u00edsica f\u00e1cil, social e prazerosa pode gerar retornos importantes para a sa\u00fade mental da popula\u00e7\u00e3o idosa\u201d, finaliza Stubbs.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/atividade-fisica-reduz-depressao-velhice\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manter-se fisicamente ativo ao longo da vida pode reduzir de forma significativa o risco de sintomas depressivos na velhice. Essa \u00e9 a principal conclus\u00e3o de um estudo internacional que analisou dados de mais de 15 mil pessoas com 50 anos ou mais, acompanhadas por at\u00e9 12 anos no Reino Unido e nos Estados Unidos. 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