{"id":70547,"date":"2026-06-27T13:12:21","date_gmt":"2026-06-27T16:12:21","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/estudo-da-unesp-aponta-que-paisagens-agricolas-mais-estaveis-favorecem-a-presenca-e-diversidade-de-pequenos-mamiferos\/"},"modified":"2026-06-27T13:12:21","modified_gmt":"2026-06-27T16:12:21","slug":"estudo-da-unesp-aponta-que-paisagens-agricolas-mais-estaveis-favorecem-a-presenca-e-diversidade-de-pequenos-mamiferos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/estudo-da-unesp-aponta-que-paisagens-agricolas-mais-estaveis-favorecem-a-presenca-e-diversidade-de-pequenos-mamiferos\/","title":{"rendered":"Estudo da Unesp aponta que paisagens agr\u00edcolas mais est\u00e1veis favorecem a presen\u00e7a e diversidade de pequenos mam\u00edferos"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um estudo realizado por pesquisadores da Unesp em parceria com colegas da Espanha e do Reino Unido mostrou que algumas paisagens agr\u00edcolas na Mata Atl\u00e2ntica podem abrigar uma maior diversidade de pequenos mam\u00edferos quando sofrem menos modifica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. Segundo o trabalho, plantios perenes, como a silvicultura do eucalipto, oferecem melhores condi\u00e7\u00f5es a pequenos animais que culturas de ciclo curto, como a soja ou o milho. Para os autores do trabalho, os resultados podem orientar estrat\u00e9gias de manejo e conserva\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies no contexto das \u00e1reas agr\u00edcolas, especialmente em um cen\u00e1rio de fragmenta\u00e7\u00e3o do bioma e aumento do uso da terra por lavouras no estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo, <a href=\"https:\/\/doi.org\/10.1016\/j.agee.2025.110114\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado na <em>Agriculture, Ecosystems &amp; Environment,<\/em><\/a> foi realizado em uma regi\u00e3o de Mata Atl\u00e2ntica localizada no nordeste do estado de S\u00e3o Paulo e ao sul de Minas Gerais. Conhecido como Corredor Cantareira-Mantiqueira, a \u00e1rea \u00e9 considerada de grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica porque conecta remanescentes do bioma por meio de um percurso marcado por diversos fragmentos da floresta. <\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nessa regi\u00e3o, os pesquisadores selecionaram 63 locais, sendo 35 em \u00e1reas florestais, 16 em pastagens, 6 em \u00e1reas agr\u00edcolas e 6 em planta\u00e7\u00f5es de eucaliptos. Cada local de amostragem recebeu 50 armadilhas, que foram dispostas tanto no solo quanto a poucos metros de altura, de forma a capturar tanto indiv\u00edduos de h\u00e1bito terrestre quanto arbor\u00edcolas, que costumam viver e se deslocar pelos galhos e troncos entre o solo e o dossel das \u00e1rvores.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/unesp-atendimento-fauna-silvestre-paulista\/\" rel=\"noopener\">Unesp amplia atendimento \u00e0 fauna silvestre paulista com novas estruturas nos campi de Botucatu e Ara\u00e7atuba<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O esfor\u00e7o dos pesquisadores resultou na captura de 21 esp\u00e9cies de marsupiais e roedores n\u00e3o voadores de pequeno porte, como cu\u00edca, rato-do-mato e gamb\u00e1-de-orelha-preta. Os dados da localiza\u00e7\u00e3o da captura dos mam\u00edferos em \u00e1reas agr\u00edcolas e florestais foi combinada com mapas do uso e da cobertura do solo da regi\u00e3o e com \u00edndices de vegeta\u00e7\u00e3o obtidos a partir de imagens de sat\u00e9lite.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Metodologia revelou a din\u00e2mica dos cultivos agr\u00edcolas<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo os autores, a combina\u00e7\u00e3o desses dois recursos trouxe complementariedade ao estudo: enquanto os mapas do uso da terra mostraram a variedade das paisagens agr\u00edcolas na regi\u00e3o, os \u00edndices de vegeta\u00e7\u00e3o permitiram maior detalhamento e a an\u00e1lise temporal das culturas, algo ainda pouco comum em trabalhos que estudam a distribui\u00e7\u00e3o da fauna nas paisagens do bioma. \u00cdndices de vegeta\u00e7\u00e3o s\u00e3o c\u00e1lculos matem\u00e1ticos que, a partir de imagens de sat\u00e9lites ou drones, transformam a luz absorvida ou refletida pelas lavouras em dados que fornecem informa\u00e7\u00f5es sobre, por exemplo, a sa\u00fade ou o grau de desenvolvimento das plantas que est\u00e3o sendo cultivadas.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Pesquisadora principal do artigo, a bi\u00f3loga Viviane Brito Dias explica que os mapas de uso e ocupa\u00e7\u00e3o do solo s\u00e3o importantes, mas n\u00e3o fornecem algumas informa\u00e7\u00f5es sobre as paisagens agr\u00edcolas que t\u00eam impacto direto na biodiversidade, como a frequ\u00eancia com que essas \u00e1reas s\u00e3o alteradas ou a qualidade desses cultivos.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da quest\u00e3o temporal, que envolve per\u00edodos mais curtos entre uma colheita e outra e, portanto, alteram drasticamente a paisagem, a pesquisadora cita, por exemplo, a diferen\u00e7a na estrutura e nos recursos dispon\u00edveis em um pasto bem cuidado e em uma pastagem degradada. \u201cOs \u00edndices de vegeta\u00e7\u00e3o conseguem mostrar, por exemplo, o qu\u00e3o produtiva est\u00e1 uma vegeta\u00e7\u00e3o, se elas s\u00e3o formadas por esp\u00e9cies parecidas ou diferentes ou como esses espa\u00e7os variaram ao longo do ano\u201d, explica a doutora pelo Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Biodiversidade da Unesp, no c\u00e2mpus de S\u00e3o Jos\u00e9 do Rio Preto.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/sp-ampliam-programa-de-educacao-ambiental\/\" rel=\"noopener\">Governo de SP amplia programa de educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os pesquisadores observaram que a caracter\u00edstica das lavouras e a din\u00e2mica dos ciclos das culturas pode influenciar diretamente na atra\u00e7\u00e3o desses perfil de mam\u00edferos. \u201cOs resultados obtidos a partir de dados do vigor da vegeta\u00e7\u00e3o ao longo do per\u00edodo de um ano mostrou que \u00e1reas de mosaico, marcadas pela mudan\u00e7a do uso do solo, influenciou de forma negativa, reduzindo a presen\u00e7a de pequenas esp\u00e9cies\u201d, explica a pesquisadora. Por outro lado, em \u00e1reas em que houve poucas mudan\u00e7as ao longo do tempo, em particular em cultivos de eucalipto, cujo ciclo pode variar entre seis e nove anos, foi observada uma rela\u00e7\u00e3o positiva na presen\u00e7a dos roedores e pequenos mam\u00edferos em geral.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cNas \u00e1reas de eucalipto encontramos inclusive esp\u00e9cies end\u00eamicas da Mata Atl\u00e2ntica, com poucos registros na literatura. Cu\u00edcas de solo terrestre, vulner\u00e1veis, que n\u00f3s esperamos encontrar apenas em \u00e1reas florestais. Isso nos surpreendeu\u201d, destaca Dias. \u201cN\u00f3s n\u00e3o sabemos o que vai acontecer depois de nove anos, quando o eucalipto for colhido, mas os resultados do trabalho mostram que \u00e9 poss\u00edvel encontrar formas de manejar as paisagens agr\u00edcolas para tentar manter usos que podem ser compartilhados com um maior n\u00famero de esp\u00e9cies, intercalando culturas que sejam mais est\u00e1veis com outras perenes, por exemplo\u201d, afirma.\u00a0<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"698\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal.jpg?resize=696%2C698&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-153626 lazy\" srcset=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal.jpg 800w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal-768x770.jpg 768w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/Brucepatersonius-cf.-nebulosus-roedor-pouco-conhecido-com-poucas-capturas-capturado-em-eucaliptal-96x96.jpg 96w\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Brucepatersonius nebulosus, um dos indiv\u00edduos capturados no trabalho. A esp\u00e9cie, ainda pouco estudada e com escassos registros de captura, foi observado em \u00e1reas de silvicultura (Cr\u00e9dito: Viviane Brito Dias)<\/figcaption><\/figure>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pequenos jardineiros da Mata Atl\u00e2ntica<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As esp\u00e9cies observadas no estudo t\u00eam, em m\u00e9dia, 100 gramas, e as maiores n\u00e3o ultrapassam os dois quilos. Isso \u00e9, s\u00e3o animais extremamente dependentes dos recursos que est\u00e3o no seu entorno, uma vez que eles n\u00e3o t\u00eam a capacidade de uma ave de voar para outras \u00e1reas ou se deslocar longas dist\u00e2ncias como mam\u00edferos de grande porte. \u201cEsses roedores que n\u00f3s capturamos s\u00e3o na sua maioria terrestres ou escansoriais, vivem entre o solo e os dossel de \u00e1rvores. Eles dependem da estrutura de uma camada intermedi\u00e1ria, da serrapilheira, onde comem insetos e se camuflam para prote\u00e7\u00e3o. Se a paisagem muda muito, isso afeta imediatamente essas esp\u00e9cies\u201d, explica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m de serem indicadores da qualidade dos habitats e da integridade das paisagens ecol\u00f3gicas, os pequenos roedores desempenham uma fun\u00e7\u00e3o importante na cadeia tr\u00f3fica ao servirem de alimento para diferentes esp\u00e9cies de carn\u00edvoros e, ao mesmo tempo, possu\u00edrem frutos e sementes entre os principais elementos da sua dieta. Segundo a pesquisadora, essa atividade de preda\u00e7\u00e3o das sementes \u00e9 essencial para o recrutamento de algumas plantas, mantendo o equil\u00edbrio da floresta ao impedir o dom\u00ednio de certas esp\u00e9cies.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Viviane destaca a relev\u00e2ncia desses pequenos mam\u00edferos no contexto espec\u00edfico da Mata Atl\u00e2ntica, um bioma extremamente devastado historicamente e cujo cen\u00e1rio atualmente \u00e9 de intensa fragmenta\u00e7\u00e3o das \u00e1reas florestais. No estado de S\u00e3o Paulo, particularmente, nota-se uma din\u00e2mica de convers\u00e3o das pastagens degradadas em \u00e1reas agr\u00edcolas, o que refor\u00e7a a import\u00e2ncia de se compreender como essas mudan\u00e7as nas paisagens afetam as esp\u00e9cies locais.\u00a0<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O artigo liderado pela pesquisadora integra um projeto de pesquisa amplo e de longa dura\u00e7\u00e3o financiado pela Fapesp intitulado <a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/111112\/biodiversidade-e-servicos-associados-peld-corredor-cantareira-mantiqueira\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biodiversidade e servi\u00e7os associados: PELD Corredor Cantareira Mantiqueira<\/a>, que tem entre os seus objetivos entender como a estrutura espa\u00e7o-temporal das paisagens florestais, agr\u00edcolas e urbanas podem influenciar na distribui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de fauna e flora, nos processos ecol\u00f3gicos ou nas fun\u00e7\u00f5es ecossist\u00eamicas, tomando a regi\u00e3o do Corredor Cantareira Mantiqueira como \u00e1rea de pesquisa.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201c\u00c9 claro que o ideal \u00e9 que as esp\u00e9cies tivessem \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o toda a \u00e1rea que eles necessitam para sobreviver, mas n\u00e3o podemos ser ing\u00eanuos. O ser humano tamb\u00e9m precisa produzir alimentos e vai usar essas \u00e1reas\u201d, argumenta Dias. \u201cEsse trabalho busca colaborar para que a gente consiga encontrar formas de equilibrar a necessidade de produ\u00e7\u00e3o humana com a persist\u00eancia das esp\u00e9cies, que tamb\u00e9m nos prestam servi\u00e7os ecossist\u00eamicos\u201d, diz.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"696\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola.jpg?resize=696%2C696&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-153748 lazy\" srcset=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola.jpg 800w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/06\/01Cuica-Gracilinanus-microtarsus-marsupial-florestal-arboricola-96x96.jpg 96w\" data-sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">A cu\u00edca (Gracilinanus microtarsus), \u00e9 um marsupial florestal arbor\u00edcola de pequeno porte capturado durante a pesquisa (Cr\u00e9dito: Viviane Brito Dias)<\/figcaption><\/figure>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-unesp-paisagens-pequenos-mamiferos\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo realizado por pesquisadores da Unesp em parceria com colegas da Espanha e do Reino Unido mostrou que algumas paisagens agr\u00edcolas na Mata Atl\u00e2ntica podem abrigar uma maior diversidade de pequenos mam\u00edferos quando sofrem menos modifica\u00e7\u00f5es ao longo do tempo. 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