{"id":701,"date":"2024-04-02T02:18:13","date_gmt":"2024-04-02T05:18:13","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2024\/04\/02\/grupo-tortura-nunca-mais-homenageia-vitimas-de-violencia-do-estado\/"},"modified":"2024-04-02T02:18:13","modified_gmt":"2024-04-02T05:18:13","slug":"grupo-tortura-nunca-mais-homenageia-vitimas-de-violencia-do-estado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/grupo-tortura-nunca-mais-homenageia-vitimas-de-violencia-do-estado\/","title":{"rendered":"Grupo Tortura Nunca Mais homenageia v\u00edtimas de viol\u00eancia do Estado"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, entregou nesta segunda-feira (1) a Medalha Chico Mendes de Resist\u00eancia para pessoas e grupos que defendem direitos humanos. O movimento, criado em 1985 para lutar contra a viol\u00eancia do Estado, realizou o evento na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FND\/UFRJ).<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Os organizadores refor\u00e7am que a edi\u00e7\u00e3o \u00e9 emblem\u00e1tica por conta dos 60 anos de implanta\u00e7\u00e3o da ditadura militar, quando o Estado brasileiro promoveu persegui\u00e7\u00f5es, torturas e assassinatos contra opositores.<\/p>\n<p>\u201cImportante sempre denunciar. A mem\u00f3ria precisa ser preservada nesse pa\u00eds. O povo brasileiro tem que saber o que aconteceu h\u00e1 60 anos. A ditadura matou e torturou muita gente\u201d, disse Vict\u00f3ria Grabois, diretora do Grupo Tortura Nunca Mais\/RJ. &#8220;O meu irm\u00e3o tinha 17 anos quando o golpe aconteceu. E nove anos e meio depois disso, ele deu o bem maior dele, a pr\u00f3pria vida, para que hoje a gente tivesse democracia. Essa hist\u00f3ria tem que continuar viva, para a gente compreender o que aconteceu. Porque a viol\u00eancia contra os opositores do regime naquela \u00e9poca, hoje \u00e9 direcionada para os pobres, negros e favelados\u201d.<\/p>\n<p>Um dos homenageados desse ano foi Norberto Nehring, militante da A\u00e7\u00e3o Libertadora Nacional (ALN). Ele foi preso, torturado e assassinado em 1970, no Departamento de Ordem Pol\u00edtica e Social (DOPS) de S\u00e3o Paulo. A filha, Marta Nehring, recebeu a medalha em nome da fam\u00edlia.<\/p>\n<p>\u201cA vers\u00e3o oficial da morte do meu pai foi suic\u00eddio, estava no atestado de \u00f3bito. E eu passei a minha inf\u00e2ncia toda lidando com isso. Depois, houve reconhecimento de que foi uma farsa policial, conseguimos atestado de \u00f3bito que falava em \u2018mortes n\u00e3o naturais em depend\u00eancias policiais\u2019. Mas nossa fam\u00edlia ainda quer saber quem matou e como matou. Buscamos pela verdade e pela justi\u00e7a\u201d, afirmou Marta.<\/p>\n<p>Rose Michele Rodrigues, advogada e militante de direitos humanos, veio receber a homenagem em nome da tia Ran\u00fasia Alves Rodrigues. Estudante universit\u00e1ria e militante do Partido Comunista Brasileiro Revolucion\u00e1rio (PCBR), Ran\u00fasia\u00a0foi assassinada por agentes da ditadura, mas o corpo nunca foi encontrado.<\/p>\n<p>\u201cProvavelmente ela foi presa e torturada, e inventaram um teatro para encobrir o corpo. Ela saiu perseguida de Pernambuco para o Rio de Janeiro. E aqui, foi pega junto com um grupo do PCBR. Meu pai tentou recuperar o corpo. E eles disseram que se ele viesse, seria preso. Ela foi enterrada em uma vala comum, como indigente, mesmo tendo sido reconhecida. Foi achada a vala, mas nunca se recuperou o material gen\u00e9tico. At\u00e9 hoje \u00e9 considerada desaparecida pol\u00edtica. E eu estou muito orgulhosa de lembrarem da minha tia, que lutava por uma sociedade mais justa e de continuar a luta dela por meio da milit\u00e2ncia&#8221;, ressaltou Rose Michele.<\/p>\n<p>Para os quilombolas de Sap\u00ea do Norte, no Esp\u00edrito Santo, ser homenageado \u00e9 uma forma de dar mais visibilidade \u00e0 luta pela terra e pela manuten\u00e7\u00e3o de tradi\u00e7\u00f5es ancestrais. Um problema que foi aprofundado depois do golpe de 1964.<\/p>\n<p>\u201cA nossa luta \u00e9 pela demarca\u00e7\u00e3o e titula\u00e7\u00e3o dos nossos territ\u00f3rios no Sap\u00ea do Norte. Todos n\u00f3s somos nascidos e criados l\u00e1. E a partir do momento em que papeleiras e empresas de cana de a\u00e7\u00facar se instalam no territ\u00f3rio, come\u00e7aram o processo de expuls\u00e3o das nossas fam\u00edlias e do nosso modo de vida. Na \u00e9poca da ditadura, nos anos 1960, n\u00f3s \u00e9ramos mais de 13 mil fam\u00edlias. E hoje fomos reduzidos a menos de 4 mil fam\u00edlias. O territ\u00f3rio vem sendo invadido pelas grandes empresas e pelo grande capital\u201d, explica Olindina Serafim, professora da educa\u00e7\u00e3o escolar quilombola.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m foi lembrado na noite dessa segunda-feira o grupo argentino Historias Desobedientes. Ele \u00e9 formado originalmente por familiares de militares e civis que foram respons\u00e1veis pela ditadura militar na Argentina. Em vez de defender os antepassados ou adotar um sil\u00eancio c\u00f4modo, se mobilizam para expor e denunciar os crimes cometidos no per\u00edodo.<\/p>\n<p>\u201cSomos familiares que repudiam os atos de nossos pais, av\u00f4s e tios. Sa\u00edmos em defesa das v\u00edtimas, dos sobreviventes e parentes. Crescemos com uma grande vergonha do lugar de onde viemos. E repudiamos nossos familiares, independentemente do v\u00ednculo afetivo que temos com eles. \u00c9 uma posi\u00e7\u00e3o que parte de uma decis\u00e3o \u00e9tica e humana\u201d, disse Bibiana Reibaldi, psicopedagoga e membro do coletivo Historias Desobedientes.<\/p>\n<p>Os demais homenageados pelo Grupo Tortura Nunca Mais foram:<\/p>\n<p>Maria Criseide da Silva e Wellington Marcelino Romana: casal que, por se envolver na luta por terra e moradia em Minas Gerais, foi preso e torturado.<\/p>\n<p>Boycott, Divestment, Sanctions (BDS) e Stop the Wall: movimentos sociais que buscam apoio internacional para condenar as a\u00e7\u00f5es de Israel contra palestinos.<\/p>\n<p>Gonzaguinha (in memoriam): cantor e compositor, morto em 1991, conhecido por ser cr\u00edtico \u00e0 ditadura militar e, por isso, ter muitas de suas m\u00fasicas censuradas.<\/p>\n<p>Leonel Moura Brizola (in memoriam): pol\u00edtico trabalhista, governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro, que se op\u00f4s \u00e0 ditadura no Brasil.<\/p>\n<p>Pastor Mozart Noronha: era membro da A\u00e7\u00e3o Popular (AP), organiza\u00e7\u00e3o crist\u00e3 de resist\u00eancia \u00e0 ditadura. Teve de exilar-se na Su\u00ed\u00e7a e em Portugal na d\u00e9cada de 1970.<\/p>\n<p>A Medalha Chico Mendes de Resist\u00eancia est\u00e1 na 36\u00aa edi\u00e7\u00e3o e acontece todos os anos no dia 1\u00ba de abril, data que para o Grupo Tortura Nunca Mais \u00e9 o dia correto do golpe de 1964. Vale refor\u00e7ar que esse \u00e9 um debate pol\u00edtico. Militares e alguns pesquisadores defendem o 31 de mar\u00e7o, quando come\u00e7ou o movimento de tropas golpistas em Minas Gerais. Outros pesquisadores e ativistas apontam o 1\u00ba de abril, quando o presidente Jo\u00e3o Goulart deixa Bras\u00edlia, a capital federal, e vai para Porto Alegre. J\u00e1 o 2 de abril \u00e9 quando o Congresso Nacional declara vaga a presid\u00eancia da Rep\u00fablica.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2024-04\/grupo-tortura-nunca-mais-homenageia-vitimas-de-violencia-do-estado\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Grupo Tortura Nunca Mais, do Rio de Janeiro, entregou nesta segunda-feira (1) a Medalha Chico Mendes de Resist\u00eancia para pessoas e grupos que defendem direitos humanos. O movimento, criado em 1985 para lutar contra a viol\u00eancia do Estado, realizou o evento na Faculdade Nacional de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FND\/UFRJ). 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