{"id":69768,"date":"2026-06-20T17:42:11","date_gmt":"2026-06-20T20:42:11","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/pesquisa-identifica-nova-mutacao-relacionada-ao-cancer-de-pulmao\/"},"modified":"2026-06-20T17:42:11","modified_gmt":"2026-06-20T20:42:11","slug":"pesquisa-identifica-nova-mutacao-relacionada-ao-cancer-de-pulmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/pesquisa-identifica-nova-mutacao-relacionada-ao-cancer-de-pulmao\/","title":{"rendered":"Pesquisa identifica nova muta\u00e7\u00e3o relacionada ao c\u00e2ncer de pulm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/medico-de-vista-lateral-verificando-radiografia-scaled.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, o mais comum e letal no mundo, vem sendo cada vez mais compreendido como uma doen\u00e7a gen\u00e9tica complexa, associada a diferentes muta\u00e7\u00f5es que variam conforme fatores como tabagismo e etnia \u2013 um conhecimento fundamental para orientar o desenvolvimento e a aplica\u00e7\u00e3o de tratamentos mais personalizados. Agora, um estudo brasileiro realizou uma ampla an\u00e1lise do perfil gen\u00e9tico de tumores e identificou que muta\u00e7\u00f5es do gene <em>TP53<\/em> podem influenciar diretamente no progn\u00f3stico e na escolha da terapia a ser administrada.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A pesquisa avaliou os 20 principais genes associados ao c\u00e2ncer de pulm\u00e3o em amostras tumorais de 1.131 pacientes atendidos no Hospital de Amor, nas unidades de Barretos (SP) e de Porto Velho (RO). Um dos diferenciais do estudo foi justamente o tamanho da amostra e a diversidade dos pacientes, provenientes de todas as cinco macrorregi\u00f5es do pa\u00eds, incluindo uma parcela expressiva da Amaz\u00f4nia Ocidental, ainda pouco representada em pesquisas. Isso permitiu observar varia\u00e7\u00f5es regionais e investigar tamb\u00e9m a influ\u00eancia da ancestralidade gen\u00e9tica.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <\/strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/cigarros-eletronicos-cresce-entre-jovens\/\" rel=\"noopener\">Consumo de cigarros eletr\u00f4nicos cresce entre jovens; veja impactos \u00e0 sa\u00fade e formas de tratamento<\/a><\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cN\u00e3o \u00e9 um paciente selecionado para um ensaio cl\u00ednico, \u00e9 o paciente atendido no dia a dia da nossa institui\u00e7\u00e3o. Isso nos permite entender melhor o que acontece na vida real\u201d, afirma o pesquisador Rui Manuel Reis, diretor cient\u00edfico do Instituto de Ensino e Pesquisa do hospital e um dos coordenadores do estudo. Segundo ele, esse tipo de an\u00e1lise amplia a aplicabilidade dos resultados e ajuda a orientar decis\u00f5es m\u00e9dicas mais alinhadas \u00e0 rotina real dos servi\u00e7os de sa\u00fade p\u00fablicos.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estudo foi realizado com apoio da<a href=\"https:\/\/fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> FAPESP<\/a>, e os resultados foram publicados em abril na revista <em>The Lancet Regional Health Americas<\/em>.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Altera\u00e7\u00f5es relevantes<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hoje, o c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 um dos principais campos da oncologia de precis\u00e3o, em que existem medicamentos direcionados a muta\u00e7\u00f5es em genes espec\u00edficos. Pacientes com altera\u00e7\u00f5es em genes como <em>EGFR<\/em>, <em>KRAS<\/em> e <em>AKL<\/em>, por exemplo, j\u00e1 recebem terapias customizadas para essas muta\u00e7\u00f5es, mais eficazes do que a quimioterapia tradicional. Os dados do estudo mostram que 88% dos pacientes avaliados apresentam alguma altera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica relevante no tumor, refor\u00e7ando a import\u00e2ncia dos testes moleculares no manejo da doen\u00e7a. As altera\u00e7\u00f5es mais presentes foram nos genes <em>TP53<\/em> (58%), <em>KRAS<\/em> (25,6%), <em>EGFR<\/em> (20,6%) e <em>ALK<\/em> (6,6%).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No estudo, os pesquisadores identificaram, por exemplo, que muta\u00e7\u00f5es no <em>TP53<\/em> foram mais frequentes em indiv\u00edduos com maior ancestralidade africana, algo alinhado a achados internacionais. O <em>TP53<\/em> \u00e9 um importante gene supressor de tumor, \u00e9 por isso \u00e9 conhecido como o \u201cguardi\u00e3o do genoma\u201d. Ele atua na defesa celular, reparando danos no DNA ou destruindo c\u00e9lulas mutadas. \u00c9 o gene mais frequentemente alterado em tumores humanos, presente em cerca de 50% de todos os c\u00e2nceres<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mais do que mapear essas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas isoladamente, Reis ressalta que o ineditismo do estudo foi conseguir demonstrar que o perfil gen\u00e9tico do tumor impacta na evolu\u00e7\u00e3o da doen\u00e7a e na resposta ao tratamento. Os dados indicam que a presen\u00e7a de muta\u00e7\u00f5es no gene <em>TP53<\/em> foi associada a pior progn\u00f3stico, especialmente entre pacientes que tamb\u00e9m tinham altera\u00e7\u00f5es no gene <em>EGFR<\/em> \u2013 um grupo que, em geral, se beneficia de terapias-alvo (tratamento oncol\u00f3gico com medicamentos projetados para atacar altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas ou moleculares espec\u00edficas das c\u00e9lulas cancer\u00edgenas).<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cMesmo recebendo o tratamento mais moderno [terapia EGR-alvo], pacientes com muta\u00e7\u00f5es no <em>TP53<\/em> evolu\u00edram pior\u201d, afirma o pesquisador.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tradicionalmente, o <em>TP53<\/em> n\u00e3o era usado para orientar decis\u00f5es m\u00e9dicas nem era inclu\u00eddo nos laudos e nos prontu\u00e1rios dos doentes, mas o achado j\u00e1 come\u00e7ou a mudar a conduta do hospital. \u201cAgora passamos a incorpor\u00e1-lo em nossa rotina, porque descobrimos que essa informa\u00e7\u00e3o pode ajudar a orientar a melhor escolha terap\u00eautica. Ou seja, um paciente com muta\u00e7\u00e3o no <em>EGFR<\/em> e tamb\u00e9m no <em>TP53<\/em> vai responder pior \u00e0 terapia EGFR-alvo e poder\u00e1 ser o candidato ideal para novos ensaios cl\u00ednicos\u201d, diz Reis. Com isso, o gene se destaca como potencial marcador de progn\u00f3stico e como guia para escolhas mais individualizadas no tratamento.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cA terapia-alvo continua sendo fundamental e a melhor escolha atualmente dispon\u00edvel, mas j\u00e1 come\u00e7amos a ter pistas sobre como ajustar o tratamento conforme o perfil molecular do tumor do paciente\u201d, afirma Reis.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Acesso ainda restrito no SUS<\/h3>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar dos avan\u00e7os da medicina gen\u00f4mica, o acesso a testes gen\u00e9ticos ainda \u00e9 limitado no Brasil. Atualmente, esses exames n\u00e3o s\u00e3o financiados pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), o que dificulta a ado\u00e7\u00e3o da medicina de precis\u00e3o. Recentemente, a Comiss\u00e3o Nacional de Incorpora\u00e7\u00e3o de Tecnologias no SUS (Conitec) aprovou o financiamento isolado de verifica\u00e7\u00e3o do gene <em>EGFR<\/em>, mas Reis ressalta que o resultado do estudo refor\u00e7a a import\u00e2ncia da an\u00e1lise de outros genes al\u00e9m desse.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u201cSem um teste gen\u00e9tico mais abrangente, o tratamento escolhido pode ser inadequado. E estamos falando de terapias caras, que podem variar de R$ 20 mil a R$ 40 mil por m\u00eas, e por isso precisam ser bem indicadas\u201d, diz. Segundo ele, o custo de testes gen\u00e9ticos mais amplos pode girar entre R$ 2 mil e R$ 8 mil.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na avalia\u00e7\u00e3o do pesquisador, os achados tamb\u00e9m t\u00eam potencial para orientar pol\u00edticas p\u00fablicas, ao indicar quais muta\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais frequentes na popula\u00e7\u00e3o brasileira e, portanto, quais testes e terapias deveriam ser priorizados para evitar tratamentos menos eficazes.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m disso, Reis destaca que o estudo abre novas frentes de investiga\u00e7\u00e3o. Cerca de 12% dos pacientes avaliados n\u00e3o apresentaram muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas conhecidas, o que sugere a exist\u00eancia de outros genes envolvidos no desenvolvimento do c\u00e2ncer, ainda n\u00e3o identificados. \u201cO pr\u00f3ximo passo \u00e9 ampliar o estudo, incluindo o genoma completo, para tentar identificar outros genes e entender o que acontece nesses casos\u201d, afirma.<\/p>\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra perspectiva \u00e9 o desenvolvimento de terapias-alvo voltadas diretamente ao gene <em>TP53<\/em>. Estudos recentes come\u00e7am a apontar caminhos para reativar sua fun\u00e7\u00e3o, o que pode ampliar as op\u00e7\u00f5es de tratamento no futuro. \u201cSe conseguirmos reativar esse gene por meio de novos f\u00e1rmacos, podemos mudar o cen\u00e1rio para esses pacientes\u201d, diz Reis, para quem o principal impacto do trabalho est\u00e1 na integra\u00e7\u00e3o entre pesquisa e pr\u00e1tica cl\u00ednica. \u201cA pesquisa n\u00e3o fica s\u00f3 no papel. Ela j\u00e1 est\u00e1 sendo usada para melhorar o cuidado dos pr\u00f3ximos pacientes\u201d, conclui.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/pesquisa-identifica-mutacao-cancer-pulmao\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O c\u00e2ncer de pulm\u00e3o, o mais comum e letal no mundo, vem sendo cada vez mais compreendido como uma doen\u00e7a gen\u00e9tica complexa, associada a diferentes muta\u00e7\u00f5es que variam conforme fatores como tabagismo e etnia \u2013 um conhecimento fundamental para orientar o desenvolvimento e a aplica\u00e7\u00e3o de tratamentos mais personalizados. 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