{"id":6752,"date":"2024-05-28T17:19:46","date_gmt":"2024-05-28T20:19:46","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2024\/05\/28\/rio-pesquisa-mostra-aumento-da-mortalidade-materna-durante-a-pandemia\/"},"modified":"2024-05-28T17:19:46","modified_gmt":"2024-05-28T20:19:46","slug":"rio-pesquisa-mostra-aumento-da-mortalidade-materna-durante-a-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/rio-pesquisa-mostra-aumento-da-mortalidade-materna-durante-a-pandemia\/","title":{"rendered":"Rio: pesquisa mostra aumento da mortalidade materna durante a pandemia"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A pesquisa <em>Desigualdades nos Indicadores de Sa\u00fade da Mulher e da Crian\u00e7a no Estado do Rio de Janeiro<\/em>\u00a0constatou que a mortalidade materna no territ\u00f3rio fluminense praticamente dobrou, comparando a raz\u00e3o de mortalidade materna (RMM)\u00a0do ano de 2018 com a do bi\u00eanio 2020\/2021, per\u00edodo marcado pela\u00a0pandemia da covid-19. A\u00a0raz\u00e3o subiu de 61,7 \u00f3bitos para cada 100 mil nascidos vivos, em 2018, para mais de 130 \u00f3bitos por 100 mil nascidos vivos no bi\u00eanio.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Coordenada pela doutora em sa\u00fade p\u00fablica Sandra Fonseca, da Universidade Federal Fluminense (UFF), a pesquisa mostra ainda que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 agravada entre as m\u00e3es pretas, que teve a RMM de 220 no bi\u00eanio 2020\/2021. Mortalidade materna compreende todo o per\u00edodo gestacional, mesmo quando a mulher sofre aborto, al\u00e9m do momento do parto e ainda o puerp\u00e9rio, que engloba os 42 dias ap\u00f3s o parto.<\/p>\n<p>No artigo anterior <em>Tend\u00eancia da mortalidade materna no estado do Rio de Janeiro<\/em>, publicado em 2022 e que compreende o per\u00edodo de 2006 a 2018, verificou-se que o estado manteve m\u00e9dia de cerca de 60 a 70 \u00f3bitos de mulheres para cada 100 mil nascidos vivos. \u201cO projeto est\u00e1 acompanhando os indicadores das mulheres e das crian\u00e7as, estudando v\u00e1rias regi\u00f5es do Rio de Janeiro e o estado como um todo\u201d, disse Sandra nesta ter\u00e7a-feira (28) \u00e0 <strong>Ag\u00eancia Brasil<\/strong>.<\/p>\n<h2>Queda lenta<\/h2>\n<p>Nesse artigo, que abrange 12 anos de 2006 a 2018, os pesquisadores verificaram que estava ocorrendo uma queda na mortalidade materna, que era um indicador favor\u00e1vel, \u201cmas era uma queda muito lenta\u201d, comentou a professora da UFF. O objetivo do Brasil \u00e9 diminuir a mortalidade materna at\u00e9 chegar a pelo menos 30 por 100 mil, em 2030. No per\u00edodo de 2006 a 2018, a mortalidade materna variou de 76,6 \u00f3bitos para cada 100 mil nascidos vivos (2006) para 61,7 em 100 mil nascidos vivos (2018), no estado do Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>\u201cNa velocidade que vinha caindo, a gente n\u00e3o chegaria a 2030 com esse valor (30 por 100 mil). A ideia da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) era que melhorasse a sa\u00fade da mulher e da crian\u00e7a para v\u00e1rios indicadores at\u00e9 2030 e depois reavaliar as metas. Para piorar esse cen\u00e1rio, ocorreu a pandemia e a covid-19 comprometeu de forma mais grave idosos e tamb\u00e9m gestantes\u201d. Durante todos os anos estudados, a hipertens\u00e3o foi a causa principal dos \u00f3bitos maternos, com exce\u00e7\u00e3o de 2020 e 2021, em que a covid-19 foi a maior causa.<\/p>\n<p>O estudo feito tamb\u00e9m por ra\u00e7a e cor de pele apurou que mesmo durante a pandemia, as mulheres de cor preta tinham valores muito mais elevados desse indicador de mortalidade materna. \u201cIsso n\u00e3o melhorou durante a pandemia. Todo mundo aumentou. Mulheres brancas tamb\u00e9m morreram mais, bem como as pardas, mas as mulheres pretas morreram mais ainda. Elas continuaram com indicador l\u00e1 em cima. Chegou a 226 mortes por 100 mil. Isso \u00e9 muito elevado\u201d, indicou a m\u00e9dica. Quando avaliadas apenas mortes de m\u00e3es brancas, essa m\u00e9dia fica em 140 por 100 mil nascidos vivos.<\/p>\n<h2>Refor\u00e7o do SUS<\/h2>\n<p>Segundo Sandra Fonseca, para reverter esse quadro \u00e9 preciso refor\u00e7ar o atendimento \u00e0 sa\u00fade durante a gesta\u00e7\u00e3o, oferecendo um pr\u00e9-natal qualificado, al\u00e9m de\u00a0parto\u00a0 e puerp\u00e9rio adequados. Em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00e9-natal, a pesquisadora diz\u00a0que existem as mesmas desigualdades raciais. \u201cNo estado do Rio de Janeiro, se a gente comparar mulheres brancas, pardas e pretas, as mulheres pretas fazem menos consultas. O ideal \u00e9 fazer, pelo menos, sete consultas ou mais durante o pr\u00e9-natal\u201d. De acordo com o estudo, 80% das mulheres brancas conseguem fazer sete ou mais consultas. Entre as mulheres pretas e pardas, n\u00e3o chega a 70%.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma desigualdade. Se elas n\u00e3o est\u00e3o conseguindo fazer um n\u00famero adequado de consultas, isso j\u00e1 vai deixando elas sob um risco maior. Porque \u00e9 durante o pr\u00e9-natal que voc\u00ea identifica algumas doen\u00e7as, como hipertens\u00e3o, e pode tratar. Se voc\u00ea n\u00e3o tem o acesso e o acompanhamento pr\u00e9-natal, corre maior risco\u201d. O grupo da doutora Sandra est\u00e1 estudando o atendimento pr\u00e9-natal no estado e j\u00e1 vem identificando essas mesmas desigualdades.<\/p>\n<p>O primeiro artigo desse estudo\u00a0foi publicado, referente \u00e0 Baixada Litor\u00e2nea, tamb\u00e9m conhecida como Regi\u00e3o dos Lagos. A regi\u00e3o tem um indicador de pr\u00e9-natal baixo. \u201cEst\u00e1 melhorando ao longo dos anos, mas devagar, e essa desigualdade estava l\u00e1: as mulheres pretas fazem menos consultas (no pr\u00e9-natal)\u201d. Os pesquisadores da UFF estudam, no momento, a Baixada Fluminense e a regi\u00e3o metropolitana do Rio em rela\u00e7\u00e3o ao pr\u00e9-natal, onde as desigualdades raciais tamb\u00e9m est\u00e3o aparecendo. Os resultados preliminares da pesquisa ser\u00e3o apresentados no Congresso de Epidemiologia, que acontecer\u00e1 em novembro.<\/p>\n<h2>Revers\u00e3o<\/h2>\n<p>Sandra Fonseca ressaltou que a revers\u00e3o desse quadro de mortalidade materna e desigualdade racial pode ser obtida com o fortalecimento do Sistema \u00danico de Sa\u00fade,\u00a0onde a maioria das mulheres \u00e9 atendida e onde o pr\u00e9-natal \u00e9 realizado. \u201cA gente precisa aumentar o investimento em sa\u00fade, ter equipes capacitadas para o pr\u00e9-natal, usar estrat\u00e9gias de sa\u00fade para que a mulher realmente tenha o acesso e o n\u00famero de consultas adequado. E que ela consiga realizar os exames necess\u00e1rios para garantir que o pr\u00e9-natal identifique os riscos e trate o que aparecer; se ela tiver uma hipertens\u00e3o, uma infec\u00e7\u00e3o, que o pr\u00e9-natal j\u00e1 possa fazer essa interven\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>A pesquisa utiliza o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Mortalidade (SIM) e o Sistema de Informa\u00e7\u00f5es sobre Nascidos Vivos (SINASC) do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade como principais fontes de coleta de dados.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/saude\/noticia\/2024-05\/rio-pesquisa-mostra-aumento-da-mortalidade-materna-durante-pandemia\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A pesquisa Desigualdades nos Indicadores de Sa\u00fade da Mulher e da Crian\u00e7a no Estado do Rio de Janeiro\u00a0constatou que a mortalidade materna no territ\u00f3rio fluminense praticamente dobrou, comparando a raz\u00e3o de mortalidade materna (RMM)\u00a0do ano de 2018 com a do bi\u00eanio 2020\/2021, per\u00edodo marcado pela\u00a0pandemia da covid-19. 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