{"id":65788,"date":"2026-05-16T13:18:02","date_gmt":"2026-05-16T16:18:02","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/temperatura-na-cidade-de-sao-paulo-aumenta-mais-do-que-a-media-global\/"},"modified":"2026-05-16T13:18:02","modified_gmt":"2026-05-16T16:18:02","slug":"temperatura-na-cidade-de-sao-paulo-aumenta-mais-do-que-a-media-global","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/temperatura-na-cidade-de-sao-paulo-aumenta-mais-do-que-a-media-global\/","title":{"rendered":"Temperatura na cidade de S\u00e3o Paulo aumenta mais do que a m\u00e9dia global"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/47480340391_f9c5494202_o-scaled.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>As temperaturas m\u00ednima e m\u00e1xima do ar na cidade de S\u00e3o Paulo t\u00eam aumentado muito acima da m\u00e9dia mundial nos \u00faltimos 125 anos. Enquanto a temperatura m\u00e9dia global subiu aproximadamente 1,2 \u00b0C desde 1900, e a da superf\u00edcie terrestre, 2 \u00b0C \u2013 segundo dados do Painel Intergovernamental sobre Mudan\u00e7as Clim\u00e1ticas (IPCC) \u2013, na capital paulista a m\u00e1xima di\u00e1ria, que ocorre em torno das 13h, cresceu 2,4 \u00b0C, acentuando-se principalmente a partir de 1950. J\u00e1 a temperatura m\u00ednima di\u00e1ria, registrada tipicamente \u00e0s 6h, teve um incremento de 2,8 \u00b0C desde o in\u00edcio do s\u00e9culo 20.<\/p>\n<p>As observa\u00e7\u00f5es foram feitas por Humberto Ribeiro da Rocha, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (IAG-USP), em palestra apresentada no encontro \u201cEventos extremos de calor e \u00e1gua: Mitigando os efeitos adversos das mudan\u00e7as clim\u00e1ticas na sa\u00fade das cidades\u201d, promovido pela <a href=\"https:\/\/fapesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fapesp<\/a> e pela Organiza\u00e7\u00e3o Neerlandesa para Pesquisa Cient\u00edfica (NWO, na sigla em ingl\u00eas) em 7 de maio, no audit\u00f3rio da Funda\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/frio-em-sp-massa-de-ar-frio-derruba-temperaturas-para-abaixo-de-10oc-nesta-semana\/\" rel=\"noopener\">Defesa Civil alerta para continuidade do frio e risco de baixa umidade nos pr\u00f3ximos dias em S\u00e3o Paulo<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Por meio de estudos conduzidos no \u00e2mbito do Centro para Seguran\u00e7a H\u00eddrica e Alimentar em Zonas Cr\u00edticas \u2013 um Centro de Ci\u00eancia para o Desenvolvimento (CCD) apoiado pela FAPESP \u2013, Rocha e os pesquisadores Miguel de Carvalho Diaf\u00e9ria, Rodrigo Lustosa, Ana Nogueira Campelo\u00a0e Denise Duarte t\u00eam constatado que as disparidades da temperatura na cidade de S\u00e3o Paulo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 m\u00e9dia global est\u00e3o relacionadas \u00e0 ilha de calor urbana. O fen\u00f4meno ocorre em \u00e1reas urbanizadas que apresentam temperaturas significativamente mais altas devido \u00e0 substitui\u00e7\u00e3o da cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o por materiais de constru\u00e7\u00e3o, como asfalto, concreto e alvenaria.<\/p>\n<p>Em um novo estudo, os pesquisadores vinculados ao centro analisaram as rela\u00e7\u00f5es entre a ilha de calor urbana e a cobertura de vegeta\u00e7\u00e3o em 70 cidades do Estado de S\u00e3o Paulo utilizando dados de temperatura da superf\u00edcie terrestre referentes ao per\u00edodo de 2013 a 2025, obtidos por meio de sat\u00e9lites do programa Landsat, da ag\u00eancia espacial norte-americana (Nasa).<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises apontaram que, no ver\u00e3o, a temperatura de superf\u00edcie nas \u00e1reas urbanizadas mais cr\u00edticas da Grande S\u00e3o Paulo atinge at\u00e9 60 \u00b0C, marca t\u00edpica de grandes galp\u00f5es industriais. Por outro lado, nas \u00e1reas mais frias, com maior cobertura vegetal e corpos d\u2019\u00e1gua, a temperatura chega, no m\u00e1ximo, a 25 \u00b0C.<\/p>\n<p>Outras constata\u00e7\u00f5es feitas por meio do trabalho, em vias de publica\u00e7\u00e3o, foram que a temperatura nas \u00e1reas urbanizadas mais quentes da regi\u00e3o foi, na m\u00e9dia, entre 7 \u00b0C e 12 \u00b0C superior \u00e0 das \u00e1reas frias durante o ver\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cAo olhar a distribui\u00e7\u00e3o das ilhas de calor ao longo do Estado de S\u00e3o Paulo, notamos que h\u00e1 uma grande concentra\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o nordeste, onde tamb\u00e9m h\u00e1 o cultivo em larga escala de cana-de-a\u00e7\u00facar e, pontualmente, em algumas cidades, como as da Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, onde as \u00e1reas mais quentes s\u00e3o as com maior densidade populacional. Mas o fen\u00f4meno n\u00e3o se restringiu \u00e0s grandes cidades: as pequenas tamb\u00e9m apresentam ilhas de calor de forma consolidada\u201d, ponderou Rocha.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Efeitos das ondas de calor<\/strong><\/h3>\n<p>Por meio de um novo projeto realizado com suporte do CCD e do projeto municipal \u201cSampa Adapta\u201d, conduzido pela Secretaria Municipal do Verde e do Meio Ambiente de S\u00e3o Paulo, os pesquisadores come\u00e7aram a medir a temperatura do ar na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo com o objetivo de identificar o efeito das ondas de calor em escala regional e local, no n\u00edvel das ruas e resid\u00eancias. Para isso, analisaram dados obtidos por 25 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas no n\u00edvel da rua e no interior de resid\u00eancias e escolas, al\u00e9m de dezenas de outras mantidas pelo Centro de Gerenciamento de Emerg\u00eancias Clim\u00e1ticas (CGE), operado pela Defesa Civil do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Os resultados das an\u00e1lises revelaram que, nos \u00faltimos 15 anos, durante as ondas de calor, t\u00eam sido registradas em v\u00e1rios locais da Regi\u00e3o Metropolitana tardes muito quentes, com temperaturas variando entre 30 \u00b0C e 34 \u00b0C. J\u00e1 \u00e0 noite, a temperatura do ar por volta das 22h atinge 28 \u00b0C.<\/p>\n<p>\u201cEsse dado \u00e9 muito cr\u00edtico, porque \u00e9 nesse hor\u00e1rio que a maioria das pessoas vai dormir\u201d, disse Rocha.<\/p>\n<p>Nessas condi\u00e7\u00f5es, a sensa\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica no interior das casas foi ainda mais exacerbada em raz\u00e3o de uma sucess\u00e3o de noites com temperatura em torno de 30 \u00b0C. \u201cV\u00e1rias edifica\u00e7\u00f5es n\u00e3o tinham isolamento t\u00e9rmico suficiente contra o calor externo e, \u00e0 noite, se comportaram como pequenos fornos aquecidos que retiveram o calor\u201d, comparou Rocha.<\/p>\n<p>A iniciativa Sampa Adapta integra gest\u00e3o p\u00fablica, ci\u00eancia e participa\u00e7\u00e3o social para fortalecer e aprimorar as pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao enfrentamento dos efeitos do calor extremo na cidade de S\u00e3o Paulo. Os pesquisadores do IAG-USP s\u00e3o respons\u00e1veis pela instala\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e an\u00e1lise dos dados obtidos por sensores para estimar a temperatura do ar no n\u00edvel da rua, tanto em ambientes internos quanto externos.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza<\/strong><\/h3>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es baseadas na natureza (SbN) pode contribuir para o resfriamento do ar em escala local, apontou o pesquisador.<\/p>\n<p>Por meio da an\u00e1lise de dados obtidos por esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, os pesquisadores do CCD avaliaram a rela\u00e7\u00e3o entre a temperatura m\u00e9dia do ar no n\u00edvel da rua na Grande S\u00e3o Paulo e as condi\u00e7\u00f5es de sombreamento de vegeta\u00e7\u00e3o em experimentos urbanos. Os resultados corroboraram a efici\u00eancia da cobertura vegetal em promover o \u201cefeito o\u00e1sis\u201d, que proporcionou um resfriamento local pronunciado, de at\u00e9 7 \u00b0C, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s ruas urbanizadas.<\/p>\n<p>\u201cTemos v\u00e1rios ind\u00edcios de que a revegeta\u00e7\u00e3o urbana na Regi\u00e3o Metropolitana e, de forma geral, no Estado de S\u00e3o Paulo \u00e9 n\u00e3o s\u00f3 uma oportunidade potencial, mas tamb\u00e9m vi\u00e1vel para o resfriamento urbano nos eventos extremos\u201d, afirmou.<\/p>\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Parceria com os Pa\u00edses Baixos<\/strong><\/h3>\n<p>O evento selou o compromisso de mais de uma d\u00e9cada de coopera\u00e7\u00e3o entre a FAPESP e a NWO. O presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, destacou que os Pa\u00edses Baixos est\u00e3o entre os dez principais colaboradores cient\u00edficos de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>\u201cUma das caracter\u00edsticas dessa coopera\u00e7\u00e3o \u00e9 que ela n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o grande em n\u00famero de projetos, mas s\u00e3o sempre de alta qualidade e selecionados com extremo cuidado, dando origem a artigos e solu\u00e7\u00f5es muito bem referenciados pela literatura cient\u00edfica\u201d, avaliou Zago.<\/p>\n<p>Pelo lado neerland\u00eas, Lilianne Sweere, oficial de pol\u00edticas da NWO, celebrou a sinergia encontrada nos cinco projetos selecionados para os pr\u00f3ximos cinco anos. \u201cFicamos muito satisfeitos com as discuss\u00f5es e a atitude positiva de trabalhar al\u00e9m de seus pr\u00f3prios projetos, buscando oportunidades que v\u00e3o al\u00e9m do cronograma atual\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>No mesmo sentido, Julia Rather, tamb\u00e9m da NWO, expressou a honra da colabora\u00e7\u00e3o que j\u00e1 soma 12 anos. \u201c\u00c9 magn\u00edfico ver os pesquisadores conversando e colaborando tanto\u201d, disse Rather, antecipando o convite para a FAPESP Week que ocorrer\u00e1 no pa\u00eds europeu em outubro de 2027.<\/p>\n<p>Raul Machado, gerente de Rela\u00e7\u00f5es Institucionais da FAPESP, refor\u00e7ou que o objetivo do evento conjunto \u00e9 multiplicar os resultados e as parcerias entre pesquisadores do Brasil e dos Pa\u00edses Baixos nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n<p>\u201cEstamos muito satisfeitos em implementar essa iniciativa porque a FAPESP Week n\u00e3o \u00e9 apenas uma ocasi\u00e3o de apresenta\u00e7\u00e3o de projetos cient\u00edficos; \u00e9 uma oportunidade de criar parcerias. Nosso objetivo \u00e9 que esse n\u00famero consistente de relacionamentos seja multiplicado por tr\u00eas\u201d, afirmou.<\/p>\n<p>O evento tamb\u00e9m contou com a participa\u00e7\u00e3o de Thelma Krug, vice-presidente do IPCC entre 2015 e 2022 e membro do Conselho Superior da FAPESP, que refor\u00e7ou a urg\u00eancia de preparar as cidades para cen\u00e1rios que podem ultrapassar o aquecimento de 1,5 \u00b0C ainda neste s\u00e9culo.<\/p>\n<p>\u201cA influ\u00eancia humana no aquecimento \u00e9 inequ\u00edvoca e r\u00e1pida. Sem ela, n\u00e3o conseguir\u00edamos explicar as mudan\u00e7as observadas desde 1950\u201d, pontuou Krug, destacando que o IPCC lan\u00e7ar\u00e1 em 2027 um relat\u00f3rio especial focado exclusivamente em cidades, dado o seu potencial cr\u00edtico de mitiga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/temperatura-sao-paulo-aumenta-mais-global\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As temperaturas m\u00ednima e m\u00e1xima do ar na cidade de S\u00e3o Paulo t\u00eam aumentado muito acima da m\u00e9dia mundial nos \u00faltimos 125 anos. 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