{"id":65042,"date":"2026-05-10T13:21:02","date_gmt":"2026-05-10T16:21:02","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria-em-mulheres\/"},"modified":"2026-05-10T13:21:02","modified_gmt":"2026-05-10T16:21:02","slug":"gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria-em-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria-em-mulheres\/","title":{"rendered":"Gordura abdominal est\u00e1 ligada a maior risco de perda urin\u00e1ria em mulheres"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O ac\u00famulo de gordura na regi\u00e3o abdominal, especialmente a gordura visceral (aquela que se deposita entre os \u00f3rg\u00e3os), aumenta significativamente o risco de incontin\u00eancia urin\u00e1ria de esfor\u00e7o em mulheres. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo conduzido na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e apoiado pela FAPESP, que identificou essa regi\u00e3o como a mais associada \u00e0 perda involunt\u00e1ria de urina, superando a gordura corporal total. Os resultados,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0301211526000230\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>publicados<\/strong><\/a>\u00a0no\u00a0<em>European Journal of Obstetrics &amp; Gynecology and Reproductive Biology<\/em>, tamb\u00e9m indicam que a distribui\u00e7\u00e3o da gordura no corpo pode ser mais determinante do que o pr\u00f3prio peso para explicar a condi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A incontin\u00eancia urin\u00e1ria de esfor\u00e7o \u00e9 caracterizada pela perda involunt\u00e1ria de urina em situa\u00e7\u00f5es comuns do dia a dia, como tossir, rir, carregar peso ou praticar exerc\u00edcios. \u201c\u00c9 aquela perda urin\u00e1ria que acontece quando aumenta a press\u00e3o dentro do abd\u00f4men e o assoalho p\u00e9lvico n\u00e3o consegue segurar\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/92745\/patricia-driusso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Patricia Driusso<\/strong><\/a>, professora de Fisioterapia em Sa\u00fade da Mulher da UFSCar e orientadora do estudo. Apesar de muitas vezes ser associada somente ao envelhecimento, a condi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 exclusiva de mulheres mais velhas. \u201cAcontece com mulheres de todas as idades, incluindo at\u00e9 as que s\u00e3o muito jovens. Essa musculatura do assoalho p\u00e9lvico \u00e9 pouco trabalhada ao longo da vida e, sem treinamento adequado, pode ficar fraca e perder fun\u00e7\u00e3o\u201d, afirma.<\/p>\n<p>O trabalho faz parte de uma linha de pesquisa mais ampla sobre disfun\u00e7\u00f5es do assoalho p\u00e9lvico que incluem, al\u00e9m da incontin\u00eancia urin\u00e1ria, problemas como incontin\u00eancia fecal, prolapso de \u00f3rg\u00e3os p\u00e9lvicos (quando estruturas como \u00fatero e bexiga descem pelo canal vaginal), disfun\u00e7\u00f5es sexuais e dor p\u00e9lvica cr\u00f4nica. Nessa etapa, os pesquisadores decidiram investigar especificamente a rela\u00e7\u00e3o entre a distribui\u00e7\u00e3o da gordura corporal e a perda urin\u00e1ria. O estudo foi conduzido pela fisioterapeuta\u00a0<a href=\"http:\/\/lattes.cnpq.br\/1636532373212316\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Ana J\u00e9ssica dos Santos Sousa<\/strong><\/a>, primeira autora do artigo, em parceria com a Western Michigan University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Para chegar aos resultados, foram avaliadas 99 mulheres entre 18 e 49 anos, recrutadas na cidade de S\u00e3o Carlos, no interior de S\u00e3o Paulo. O estudo focou exclusivamente em mulheres porque a incontin\u00eancia urin\u00e1ria \u00e9 significativamente mais comum nesse grupo. Nos homens, o problema costuma estar associado principalmente a cirurgias de pr\u00f3stata, enquanto nas mulheres h\u00e1 m\u00faltiplos fatores envolvidos, como caracter\u00edsticas anat\u00f4micas, gesta\u00e7\u00e3o, menopausa e maior sobrecarga sobre o assoalho p\u00e9lvico.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"392\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gordura-abdominal.jpg?resize=696%2C392&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-141372\" srcset=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gordura-abdominal.jpg 800w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gordura-abdominal-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gordura-abdominal-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/gordura-abdominal-150x84.jpg 150w\" sizes=\"(max-width: 800px) 100vw, 800px\"\/><\/figure>\n<p>As participantes n\u00e3o precisavam ter diagn\u00f3stico pr\u00e9vio de incontin\u00eancia e apresentavam \u00edndices de massa corporal (IMCs) diversos, o que permitiu comparar diferentes perfis. Elas passaram por um exame chamado DXA, considerado padr\u00e3o-ouro para an\u00e1lise da composi\u00e7\u00e3o corporal, capaz de medir n\u00e3o apenas a quantidade total de gordura, mas tamb\u00e9m sua distribui\u00e7\u00e3o em regi\u00f5es espec\u00edficas do corpo.<\/p>\n<p>Os pesquisadores analisaram a gordura total, a gordura abdominal (androide), a gordura da regi\u00e3o ginecol\u00f3gica (ginoide) e a gordura visceral. Al\u00e9m disso, aplicaram question\u00e1rios validados para identificar a presen\u00e7a de incontin\u00eancia e avaliar o impacto dos sintomas na qualidade de vida das mulheres. Cerca de 39,4% das participantes relataram epis\u00f3dios de perda urin\u00e1ria, n\u00famero compat\u00edvel com estimativas internacionais.<\/p>\n<p>\u201cO problema \u00e9 frequentemente subnotificado, mas mesmo poucos epis\u00f3dios de perda urin\u00e1rias j\u00e1 indicam que o mecanismo de contin\u00eancia n\u00e3o est\u00e1 funcionando adequadamente\u201d, alerta a professora, ao ressaltar que muitas mulheres acabam normalizando pequenos escapes, achando que s\u00e3o epis\u00f3dios isolados.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Impacto da gordura visceral<\/strong><\/h2>\n<p>Os resultados mostraram que mulheres com maior quantidade de gordura corporal tinham mais chance de apresentar incontin\u00eancia. No entanto, o principal achado foi o papel da gordura visceral: a presen\u00e7a desse tipo de adiposidade elevou em cerca de 51% a probabilidade de incontin\u00eancia urin\u00e1ria de esfor\u00e7o. \u201cEsse foi o fator mais fortemente associado. A gente imaginava que a gordura da regi\u00e3o ginecol\u00f3gica, por estar mais pr\u00f3xima do assoalho p\u00e9lvico, teria maior influ\u00eancia, mas o que apareceu foi a gordura visceral\u201d, afirma Driusso.<\/p>\n<p>De acordo com ela, a poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o envolve diferentes mecanismos. O primeiro \u00e9 mec\u00e2nico: como a gordura visceral se acumula dentro da cavidade abdominal, ela aumenta a press\u00e3o sobre os \u00f3rg\u00e3os internos e sobrecarrega o assoalho p\u00e9lvico, estrutura respons\u00e1vel por sustentar a bexiga e controlar a sa\u00edda de urina. \u201cO excesso de peso nessa regi\u00e3o gera uma sobrecarga constante. Com o tempo, essa musculatura pode se tornar mais fatigada e menos eficiente\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>O segundo mecanismo \u00e9 metab\u00f3lico. A gordura visceral n\u00e3o funciona apenas como um dep\u00f3sito de energia, pois ela \u00e9 metabolicamente ativa e libera subst\u00e2ncias inflamat\u00f3rias que circulam pelo organismo. Esse processo pode comprometer a qualidade muscular e reduzir a capacidade de contra\u00e7\u00e3o, inclusive dos m\u00fasculos do assoalho p\u00e9lvico. \u201cA gente fala em uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica de baixo grau, que vai afetando diferentes tecidos do corpo. Isso tamb\u00e9m pode contribuir para o enfraquecimento muscular\u201d, diz a professora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a obesidade j\u00e1 \u00e9 reconhecida como um fator de risco para a incontin\u00eancia urin\u00e1ria, ao lado de envelhecimento, menopausa, n\u00famero de gesta\u00e7\u00f5es e condi\u00e7\u00f5es do parto. No caso do parto, Driusso faz um alerta: \u201cO problema n\u00e3o \u00e9 o parto em si, mas a assist\u00eancia obst\u00e9trica. Interven\u00e7\u00f5es inadequadas, como a episiotomia [incis\u00e3o cir\u00fargica realizada no per\u00edneo, regi\u00e3o muscular entre a vagina e o \u00e2nus, durante o parto normal para ampliar a abertura vaginal], podem aumentar o risco de disfun\u00e7\u00f5es do assoalho p\u00e9lvico\u201d, afirma.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Preven\u00e7\u00e3o e tratamento<\/strong><\/h2>\n<p>De acordo com Driusso, o estudo traz uma contribui\u00e7\u00e3o importante ao mostrar que n\u00e3o apenas o excesso de peso, mas a forma como a gordura est\u00e1 distribu\u00edda no corpo pode influenciar o desenvolvimento do problema, inclusive em mulheres com IMC dentro da faixa considerada normal. Mas por se tratar de um estudo transversal \u2013 que analisa os participantes em um \u00fanico momento \u2013 os pesquisadores n\u00e3o podem afirmar rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito, apenas que existe uma associa\u00e7\u00e3o entre os fatores. Ainda assim, os achados ajudam a orientar estrat\u00e9gias de preven\u00e7\u00e3o e cuidado.<\/p>\n<p>Uma das principais formas de tratamento \u00e9 o fortalecimento da musculatura do assoalho p\u00e9lvico, por meio da fisioterapia. \u201cHoje temos alto n\u00edvel de evid\u00eancia de que o treinamento dessa musculatura \u00e9 eficaz. \u00c9 o padr\u00e3o-ouro para tratar a incontin\u00eancia urin\u00e1ria de esfor\u00e7o\u201d, afirma Driusso.<\/p>\n<p>Segundo ela, o acompanhamento profissional \u00e9 essencial, j\u00e1 que muitas mulheres n\u00e3o conseguem realizar corretamente a contra\u00e7\u00e3o desses m\u00fasculos sozinhas. \u201cCerca de 30% das mulheres n\u00e3o conseguem contrair adequadamente sem orienta\u00e7\u00e3o. Algumas fazem o movimento contr\u00e1rio, o que pode at\u00e9 piorar o quadro\u201d, explica. O treinamento, quando bem orientado, pode trazer melhora significativa em cerca de tr\u00eas meses. No entanto, como qualquer outro grupo muscular, o assoalho p\u00e9lvico precisa ser exercitado continuamente. \u201cSe parar, perde for\u00e7a. \u00c9 um cuidado que deve ser mantido ao longo da vida\u201d, diz.<\/p>\n<p>Os pesquisadores j\u00e1 planejam os pr\u00f3ximos passos da investiga\u00e7\u00e3o, incluindo o uso de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica para avaliar a presen\u00e7a de gordura infiltrada diretamente nos m\u00fasculos, um fen\u00f4meno conhecido como mioesteatose. Tamb\u00e9m estudam se mulheres com obesidade podem se beneficiar de protocolos espec\u00edficos de treinamento.<\/p>\n<p>Para Driusso, os resultados refor\u00e7am a necessidade de ampliar o debate sobre o tema, ainda cercado de tabu. \u201cA incontin\u00eancia urin\u00e1ria impacta a qualidade de vida, limita atividades e muitas vezes \u00e9 silenciosa. Mas tem tratamento e tem preven\u00e7\u00e3o. O mais importante \u00e9 que as mulheres saibam que n\u00e3o precisam conviver com isso.\u201d<\/p>\n<p>O artigo\u00a0<em>Which body region\u2019s fat accumulation increase the risk of stress urinary incontinence?<\/em>\u00a0pode ser lido em:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0301211526000230\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0301211526000230<\/strong><\/a>.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria-em-mulheres\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ac\u00famulo de gordura na regi\u00e3o abdominal, especialmente a gordura visceral (aquela que se deposita entre os \u00f3rg\u00e3os), aumenta significativamente o risco de incontin\u00eancia urin\u00e1ria de esfor\u00e7o em mulheres. A conclus\u00e3o \u00e9 de um estudo conduzido na Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar) e apoiado pela FAPESP, que identificou essa regi\u00e3o como a mais associada [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":65043,"comment_status":"","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_mbp_banners":[],"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[21],"tags":[],"class_list":["post-65042","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-sp-news"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7Eq1F-gV4","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/guialimeira.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2026\/05\/Gordura-abdominal-esta-ligada-a-maior-risco-de-perda-urinaria.jpg?fit=800%2C450&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65042","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=65042"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/65042\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/65043"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=65042"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=65042"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=65042"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}