{"id":61287,"date":"2026-04-12T16:54:08","date_gmt":"2026-04-12T19:54:08","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/exame-de-sangue-associado-a-ia-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-da-hanseniase\/"},"modified":"2026-04-12T16:54:08","modified_gmt":"2026-04-12T19:54:08","slug":"exame-de-sangue-associado-a-ia-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-da-hanseniase","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/exame-de-sangue-associado-a-ia-abre-caminho-para-diagnostico-precoce-da-hanseniase\/","title":{"rendered":"Exame de sangue associado \u00e0 IA abre caminho para diagn\u00f3stico precoce da hansen\u00edase"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Processamento_Sangue_ICB_114-18_Foto-Cecilia-Bastos-08.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Um exame de sangue, combinado a um question\u00e1rio padr\u00e3o e a uma ferramenta de intelig\u00eancia artificial, pode ajudar a mudar a forma como a hansen\u00edase \u00e9 diagnosticada no Brasil. A estrat\u00e9gia foi testada por pesquisadores da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) a partir de amostras de sangue coletadas durante um inqu\u00e9rito populacional de Covid-19 e mostrou potencial para identificar a doen\u00e7a mais precocemente, em fases iniciais, quando os sintomas ainda s\u00e3o sutis e os exames laboratoriais tradicionais costumam falhar.<\/p>\n<p>O novo m\u00e9todo diagn\u00f3stico foi avaliado em um estudo conduzido por pesquisadores do Departamento de Cl\u00ednica M\u00e9dica, Bioqu\u00edmica, Imunologia e Medicina Social da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (FMRP-USP), com apoio da  <a href=\"http:\/\/fapesp.br\" data-type=\"link\" data-id=\"fapesp.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fapesp<\/a>. Coordenado pelo pesquisador Marco Andrey Frade, o trabalho foi publicado na revista <em>BMC Infectious Diseases<\/em>.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/mapeamento-genetico-abre-caminho-para-desenvolvimento-de-exames-de-sangue-capazes-de-identificar-depressao\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/mapeamento-genetico-abre-caminho-para-desenvolvimento-de-exames-de-sangue-capazes-de-identificar-depressao\/\" rel=\"noopener\">Mapeamento gen\u00e9tico abre caminho para desenvolvimento de exames de sangue capazes de identificar depress\u00e3o<\/a><\/strong><\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cA hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a milenar, mas ainda enfrenta desafios t\u00edpicos de problemas de sa\u00fade pouco priorizados. Ainda faltam tecnologias laboratoriais sens\u00edveis para o diagn\u00f3stico precoce e muitos profissionais de sa\u00fade n\u00e3o est\u00e3o devidamente preparados para reconhecer as formas iniciais da doen\u00e7a\u201d, explica o biom\u00e9dico Filipe Lima, um dos autores do estudo. Al\u00e9m disso, o tratamento padr\u00e3o utilizado atualmente \u00e9 basicamente o mesmo h\u00e1 mais de quatro d\u00e9cadas, o que contribui para casos de falha terap\u00eautica e resist\u00eancia bacteriana.<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Foi justamente para enfrentar esse gargalo que os pesquisadores seguiram em busca de identificar novos biomarcadores e testes para diagn\u00f3stico precoce. Para isso, eles aproveitaram amostras de sangue coletadas durante um inqu\u00e9rito sorol\u00f3gico realizado durante a pandemia de Covid-19 em Ribeir\u00e3o Preto. A ideia foi usar esse material j\u00e1 existente para identificar poss\u00edveis pessoas expostas ao bacilo da hansen\u00edase e, dessa forma, detectar novos casos de forma mais precoce.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Triagem<\/strong><\/h2>\n<p>O estudo combinou duas ferramentas de triagem. A primeira foi a aplica\u00e7\u00e3o de um question\u00e1rio cl\u00ednico de suspei\u00e7\u00e3o de hansen\u00edase, chamado QSH, que \u00e9 composto por 14 quest\u00f5es focadas principalmente em sinais e sintomas neurol\u00f3gicos. Esse question\u00e1rio foi aprimorado com um sistema de intelig\u00eancia artificial chamado MaLeSQs.<\/p>\n<p>A segunda ferramenta usada pelos pesquisadores foi realizar um exame de sangue que detecta a presen\u00e7a de anticorpos contra o ant\u00edgeno Mce1A, uma prote\u00edna-chave do <em>Mycobacterium leprae<\/em>, que facilita a invas\u00e3o e sobreviv\u00eancia da bact\u00e9ria nas c\u00e9lulas humanas. Atualmente, o ant\u00edgeno utilizado nos exames de sangue \u00e9 o PGL-I, uma mol\u00e9cula que tamb\u00e9m facilita a entrada da bact\u00e9ria no nervo. O m\u00e9todo convencional\u00a0\u00e9 menos sens\u00edvel tecnicamente.<\/p>\n<p>\u201cDiferentemente do teste tradicional [anti-PGL-I], que avalia a presen\u00e7a de apenas um tipo de anticorpo, o novo exame [anti-Mce1A] analisa tr\u00eas classes diferentes de anticorpos [IgA, IgM e IgG], o que amplia a sensibilidade e ajuda a diferenciar exposi\u00e7\u00e3o ao bacilo, infec\u00e7\u00e3o ativa e contato pr\u00e9vio\u201d, explica Lima. Segundo o pesquisador, o teste tradicional s\u00f3 costuma positivar nas formas mais graves da doen\u00e7a, quando o bacilo j\u00e1 proliferou e as les\u00f5es j\u00e1 existem. \u201cO Mce1A permite identificar o contato com o bacilo e a doen\u00e7a ativa de forma muito mais precoce\u201d, explica.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Convite, question\u00e1rio e exame<\/strong><\/h2>\n<p>Para chegar aos resultados, os pesquisadores convidaram as cerca de 700 pessoas inclu\u00eddas no inqu\u00e9rito populacional sobre COVID-19 a integrar o estudo sobre hansen\u00edase. Ao todo, 224 aceitaram participar e responderam ao question\u00e1rio digital e 195 tiveram amostras de sangue analisadas. Todas foram convidadas a passar por uma avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica presencial com m\u00e9dicos especialistas, etapa fundamental para a confirma\u00e7\u00e3o diagn\u00f3stica.<\/p>\n<p>Dessas, 37 compareceram \u00e0 consulta presencial. Ao cruzar os dados do question\u00e1rio, exame e avalia\u00e7\u00e3o cl\u00ednica, o resultado chamou a aten\u00e7\u00e3o: 12 novos casos de hansen\u00edase foram diagnosticados, o equivalente a cerca de um ter\u00e7o dos indiv\u00edduos avaliados. \u201cS\u00e3o pessoas que n\u00e3o tinham sintomas evidentes, n\u00e3o suspeitavam que estavam doentes e foram diagnosticadas gra\u00e7as ao projeto\u201d, destaca Lima.<\/p>\n<p>Segundo o pesquisador, entre os exames laboratoriais, o anticorpo IgM contra o ant\u00edgeno Mce1A apresentou o melhor desempenho, identificando dois ter\u00e7os dos novos casos confirmados. Quando os pesquisadores combinaram a an\u00e1lise laboratorial com a ferramenta de intelig\u00eancia artificial, o m\u00e9todo atingiu 100% de sensibilidade, ou seja, conseguiu sinalizar todos os casos suspeitos de hansen\u00edase, confirmados na consulta presencial.<\/p>\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p>\u201cO exame de sangue, por si s\u00f3, n\u00e3o confirma o diagn\u00f3stico de hansen\u00edase, mas \u00e9 uma ferramenta importante para indicar quem realmente precisa ser avaliado por um especialista\u201d, explica o pesquisador. Segundo Lima, o teste pode fortalecer a triagem diagn\u00f3stica na rede p\u00fablica de sa\u00fade e, em termos de custo, a diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o aos exames j\u00e1 utilizados \u00e9 m\u00ednima. \u201cDo ponto de vista laboratorial, s\u00e3o t\u00e9cnicas muito semelhantes, de baixo custo e f\u00e1cil execu\u00e7\u00e3o. Qualquer laborat\u00f3rio de an\u00e1lises cl\u00ednicas tem capacidade t\u00e9cnica para realiz\u00e1-las. Na pr\u00e1tica, o que muda \u00e9 apenas a mol\u00e9cula analisada.\u201d<\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Al\u00e9m do diagn\u00f3stico precoce da hansen\u00edase, o estudo tamb\u00e9m usou um mapa de georreferenciamento e analisou a distribui\u00e7\u00e3o espacial dos casos identificados. O mapeamento revelou um padr\u00e3o difuso de exposi\u00e7\u00e3o ao bacilo. \u201cIsso pode ser justificado porque a gente n\u00e3o conseguiu avaliar clinicamente todos os participantes. Mas o nosso resultado mostra que a hansen\u00edase est\u00e1 distribu\u00edda aleatoriamente na cidade, n\u00e3o existe uma regi\u00e3o espec\u00edfica com maior concentra\u00e7\u00e3o. Hoje vemos a doen\u00e7a diagnosticada em pacientes de diferentes perfis socioecon\u00f4micos\u201d, afirma Lima.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Problema de sa\u00fade p\u00fablica<\/strong><\/h2>\n<p>A hansen\u00edase \u00e9 uma doen\u00e7a infecciosa que afeta principalmente a pele e os nervos perif\u00e9ricos, podendo provocar manchas claras ou avermelhadas, perda de sensibilidade e fraqueza muscular. Segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), mais de 200 mil novos casos s\u00e3o registrados anualmente, sobretudo em pa\u00edses de renda m\u00e9dia e baixa.<\/p>\n<p>O Brasil ocupa a segunda posi\u00e7\u00e3o global em n\u00famero de casos, atr\u00e1s apenas da \u00cdndia, e concentra cerca de 90% das notifica\u00e7\u00f5es das Am\u00e9ricas. Entre os sintomas mais comuns est\u00e3o formigamento, c\u00e2imbras, dorm\u00eancia e \u00e1reas da pele com sensibilidade reduzida. Nessa fase inicial, os exames laboratoriais mais utilizados, como a baciloscopia \u2013 que tenta identificar diretamente a bact\u00e9ria na pele \u2013, costumam dar negativo porque a carga bacteriana ainda \u00e9 muito baixa. \u201cMais de 60% dos nossos pacientes podem ter exames negativos, mesmo estando doentes\u201d, diz Lima.<\/p>\n<p>O tratamento envolve uso de antibi\u00f3ticos por per\u00edodos de seis meses a um ano, a depender do est\u00e1gio da doen\u00e7a, que atualmente \u00e9 classificada como uma doen\u00e7a determinada socialmente (DDS), termo que vem substituindo a express\u00e3o \u201cdoen\u00e7a negligenciada\u201d no Brasil.<\/p>\n<p>O pr\u00f3ximo passo \u00e9 avan\u00e7ar na valida\u00e7\u00e3o dessas ferramentas para uso em larga escala, com o objetivo de incorpor\u00e1-las ao Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) e \u00e0 aten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Paralelamente, o pesquisador trabalha em uma nova etapa do projeto voltada a aumentar a especificidade do marcador Mce1A. \u201cHoje, o exame utiliza a prote\u00edna inteira da bact\u00e9ria. Agora estamos estudando pequenas partes dessa mesma prote\u00edna para avaliar se \u00e9 poss\u00edvel desenvolver um teste ainda mais sens\u00edvel e com maior acur\u00e1cia\u201d, conclui.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/exame-inteligencia-artificial-diagnostico-hanseniase\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um exame de sangue, combinado a um question\u00e1rio padr\u00e3o e a uma ferramenta de intelig\u00eancia artificial, pode ajudar a mudar a forma como a hansen\u00edase \u00e9 diagnosticada no Brasil. 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