{"id":53917,"date":"2026-02-01T17:20:51","date_gmt":"2026-02-01T20:20:51","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/estrelas-com-mais-de-10-bilhoes-de-anos-trazem-novas-pistas-sobre-a-origem-da-via-lactea\/"},"modified":"2026-02-01T17:20:51","modified_gmt":"2026-02-01T20:20:51","slug":"estrelas-com-mais-de-10-bilhoes-de-anos-trazem-novas-pistas-sobre-a-origem-da-via-lactea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/estrelas-com-mais-de-10-bilhoes-de-anos-trazem-novas-pistas-sobre-a-origem-da-via-lactea\/","title":{"rendered":"Estrelas com mais de 10 bilh\u00f5es de anos trazem novas pistas sobre a origem da Via L\u00e1ctea"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/low-angle-view-stars-against-sky-night-scaled.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Um trabalho de pesquisadores da USP traz novos ind\u00edcios para o estudo da origem da nossa gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Os cientistas produziram estimativas da idade de estrelas ao combinar dados de telesc\u00f3pios sobre composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, temperatura e dist\u00e2ncia da Terra, com aux\u00edlio do c\u00f3digo de computador Star Horse. As an\u00e1lises identificaram estrelas com idade superior a 10 bilh\u00f5es de anos, e que seriam anteriores \u00e0 fus\u00e3o de gal\u00e1xias que teria dado origem ao disco fino, \u00e1rea mais concentrada da Via L\u00e1ctea. O estudo \u00e9 descrito em\u00a0<a href=\"https:\/\/doi.org\/10.3847\/1538-4357\/ae0c96\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">artigo da publica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica\u00a0<em>The Astrophysical Journal<\/em><\/a>.<\/p>\n<p>\u201cNo Universo, as gal\u00e1xias podem apresentar diferentes formatos\u201d, afirma ao\u00a0Jornal da USP\u00a0a pesquisadora Lais Borbolato, doutoranda do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas (IAG) da USP, primeira autora do artigo. \u201cExistem gal\u00e1xias el\u00edpticas, que t\u00eam uma forma mais esf\u00e9rica, gal\u00e1xias irregulares, que n\u00e3o possuem um formato bem definido, e gal\u00e1xias espirais, que apresentam uma estrutura achatada, semelhante ao formato de um disco.\u201d<\/p>\n<p>\u201cA Via L\u00e1ctea \u00e9 uma gal\u00e1xia do tipo espiral, o que significa que a maior parte de suas estrelas est\u00e1 distribu\u00edda em uma grande estrutura achatada. O Sol \u00e9 uma dessas estrelas e, portanto, n\u00f3s tamb\u00e9m estamos localizados dentro desse disco gal\u00e1ctico\u201d, explica a pesquisadora. \u201cAl\u00e9m das estrelas, o disco da Via L\u00e1ctea cont\u00e9m nuvens de g\u00e1s e poeira, que desempenham um papel fundamental na forma\u00e7\u00e3o de novas estrelas.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Lais Borbolato, a diferen\u00e7a entre os discos da Via L\u00e1ctea est\u00e1 na composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica das estrelas, em seus movimentos e na forma como est\u00e3o distribu\u00eddas no espa\u00e7o. \u201cDe maneira simplificada, podemos imaginar esses dois componentes como dois discos sobrepostos\u201d, observa. \u201cO disco espesso \u00e9, como o nome indica, mais \u201cgrosso\u201d verticalmente e est\u00e1 mais concentrado nas regi\u00f5es internas da gal\u00e1xia, ou seja, n\u00e3o se estende tanto para longe do centro. J\u00e1 o disco fino \u00e9 mais achatado e se espalha por dist\u00e2ncias maiores.\u201d<\/p>\n<p>\u201cDo ponto de vista da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, as estrelas do disco espesso apresentam maiores quantidades de elementos qu\u00edmicos como magn\u00e9sio (Mg) e oxig\u00eanio (O), quando comparadas \u00e0s estrelas do disco fino. J\u00e1 o disco fino \u00e9 mais rico em outros elementos como Ferro (Fe) e N\u00edquel (Ni)\u201d, relata a pesquisadora.<\/p>\n<p>\u201cPor fim, h\u00e1 diferen\u00e7as tamb\u00e9m na cinem\u00e1tica, isto \u00e9, no movimento das estrelas. Embora todas orbitem o centro da gal\u00e1xia, as estrelas do disco espesso se movem com velocidades intermedi\u00e1rias e em \u00f3rbitas menos circulares. Em contraste, as estrelas do disco fino, como o Sol, apresentam velocidades maiores e \u00f3rbitas mais pr\u00f3ximas de c\u00edrculos.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Idade das estrelas<\/h2>\n<p>Os pesquisadores analisaram a distribui\u00e7\u00e3o de idades das estrelas dos discos fino e espesso da Via L\u00e1ctea. \u201cUsamos uma amostra maior e mais confi\u00e1vel do que a dispon\u00edvel em trabalhos anteriores, comparando essas idades com a estimativa do momento da \u00faltima grande fus\u00e3o sofrida pela Via L\u00e1ctea, ocorrida com uma gal\u00e1xia menor h\u00e1 10 bilh\u00f5es de anos\u201d, aponta Lais Borbolato. \u201cEssa compara\u00e7\u00e3o \u00e9 um ponto central do estudo, pois o modelo mais aceito para a forma\u00e7\u00e3o do disco gal\u00e1ctico prop\u00f5e que o disco espesso teria se formado inteiramente antes dessa fus\u00e3o, enquanto o disco fino teria se formado posteriormente, a partir do g\u00e1s trazido por essa gal\u00e1xia sat\u00e9lite.\u201d<\/p>\n<p>\u201cAo empregar essa nova amostra de dados foi poss\u00edvel mostrar que esse cen\u00e1rio n\u00e3o explica completamente as observa\u00e7\u00f5es. Identificamos centenas de estrelas com caracter\u00edsticas do disco fino que possuem idades anteriores \u00e0 fus\u00e3o, compar\u00e1veis \u00e0s idades das estrelas do disco espesso\u201d, diz a pesquisadora. \u201cEsses resultados indicam que essas estrelas n\u00e3o podem ter se formado segundo o modelo tradicional, apontando para a necessidade de revisar os cen\u00e1rios de forma\u00e7\u00e3o dos discos da Via L\u00e1ctea.\u201d<\/p>\n<p>As idades das estrelas do disco foram determinadas com o aux\u00edlio de um c\u00f3digo computacional chamado StarHorse, desenvolvido principalmente na Alemanha, mas por um grupo de pesquisadores majoritariamente brasileiro. \u201cEsse c\u00f3digo combina informa\u00e7\u00f5es obtidas por tr\u00eas t\u00e9cnicas observacionais diferentes, fotometria, espectroscopia e astrometria, fornecidas por telesc\u00f3pios e instrumentos astron\u00f4micos\u201d, descreve Lais Borbolato. \u201cDe forma simplificada, a fotometria fornece informa\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 temperatura da estrela, a espectroscopia revela sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, e a astrometria indica a dist\u00e2ncia da estrela em rela\u00e7\u00e3o a n\u00f3s.\u201d<\/p>\n<p>\u201cO StarHorse re\u00fane esses tr\u00eas tipos de dados e os compara com modelos te\u00f3ricos de evolu\u00e7\u00e3o estelar, permitindo estimar a idade mais prov\u00e1vel de cada estrela. As bases de dados utilizadas na pesquisa fornecem medidas muito precisas de composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e velocidade das estrelas, o que \u00e9 essencial para distinguir quais pertencem ao disco fino e quais fazem parte do disco espesso\u201d, ressalta a pesquisadora. \u201cQuando essas informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o combinadas com as idades estelares estimadas pelo c\u00f3digo, obtemos uma amostra robusta e confi\u00e1vel para o estudo dessas duas popula\u00e7\u00f5es da Via L\u00e1ctea. O m\u00e9todo em si j\u00e1 \u00e9 conhecido h\u00e1 algum tempo, seu car\u00e1ter inovador est\u00e1 na aplica\u00e7\u00e3o de forma autom\u00e1tica e consistente a um volume muito grande de estrelas.\u201d<\/p>\n<p>O trabalho identificou e analisou centenas de estrelas que apresentam caracter\u00edsticas qu\u00edmicas e cinem\u00e1ticas t\u00edpicas do disco fino, mas com idades superiores a 10 bilh\u00f5es de anos. \u201cEssas idades s\u00e3o anteriores \u00e0 \u00faltima grande fus\u00e3o sofrida pela Via L\u00e1ctea. Esse achado \u00e9 particularmente relevante porque n\u00e3o pode ser explicado pelos modelos tradicionais em que essa fus\u00e3o seria um evento necess\u00e1rio para a forma\u00e7\u00e3o do disco fino\u201d, salienta Lais Borbolato. \u201cAssim, os resultados indicam que o disco fino pode ter come\u00e7ado a se formar mais cedo do que se pensava, de forma simult\u00e2nea ao disco espesso. Isso aponta para a necessidade de investigar outros mecanismos de forma\u00e7\u00e3o capazes de explicar a origem conjunta desses dois componentes do disco da Via L\u00e1ctea.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa contou com a participa\u00e7\u00e3o de Lais Borbolato e Fabr\u00edcia Barbosa, doutorandas em Astronomia, Jo\u00e3o Nogueira Santos, graduando, e Silvia Rossi, professora do Departamento de Astronomia do IAG, H\u00e9lio Perottoni, professor no Observat\u00f3rio Nacional (ON) no Rio de Janeiro, Guilherme Limberg, p\u00f3s-doutorando na University of Chicago (Estados Unidos), Jo\u00e3o Amarante, em p\u00f3s-doutorado na Shanghai Jiao Tong University (China), Anna Queiroz, p\u00f3s-doutoranda no Instituto de Astrof\u00edsica de Canarias (Espanha), Cristina Chiappini, pesquisadora no Leibniz-Institut f\u00fcr Astrophysik Potsdam (Alemanha), Friedrich Anders, p\u00f3s-doutorando na Universitat de Barcelona (Espanha). Limberg, Anna Queiroz, Cristina Chiappini e Anders s\u00e3o membros da colabora\u00e7\u00e3o do StarHorse, respons\u00e1vel pelas estimativas das idades estelares.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estrelas-com-mais-de-10-bilhoes-de-anos-trazem-novas-pistas-sobre-a-origem-da-via-lactea\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um trabalho de pesquisadores da USP traz novos ind\u00edcios para o estudo da origem da nossa gal\u00e1xia, a Via L\u00e1ctea. Os cientistas produziram estimativas da idade de estrelas ao combinar dados de telesc\u00f3pios sobre composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, temperatura e dist\u00e2ncia da Terra, com aux\u00edlio do c\u00f3digo de computador Star Horse. 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