{"id":53170,"date":"2026-01-25T14:42:07","date_gmt":"2026-01-25T17:42:07","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/pacientes-com-inflamacao-no-intestino-tem-tres-vezes-mais-chances-de-ter-sono-ruim-ansiedade-e-depressao-mostra-estudo\/"},"modified":"2026-01-25T14:42:07","modified_gmt":"2026-01-25T17:42:07","slug":"pacientes-com-inflamacao-no-intestino-tem-tres-vezes-mais-chances-de-ter-sono-ruim-ansiedade-e-depressao-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/pacientes-com-inflamacao-no-intestino-tem-tres-vezes-mais-chances-de-ter-sono-ruim-ansiedade-e-depressao-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Pacientes com inflama\u00e7\u00e3o no intestino t\u00eam tr\u00eas vezes mais chances de ter sono ruim, ansiedade e depress\u00e3o, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/person-with-eating-disorder-having-belly-pain-scaled.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Sempre houve especula\u00e7\u00f5es de que doen\u00e7as inflamat\u00f3rias do intestino (DII) estivessem associadas a problemas de sa\u00fade mental, com estudos que sugerem a atua\u00e7\u00e3o de vias imune-inflamat\u00f3rias comuns no eixo intestino-c\u00e9rebro. Ou seja: quando existe inflama\u00e7\u00e3o no intestino, subst\u00e2ncias do sistema imunol\u00f3gico podem circular pelo corpo e influenciar o funcionamento do c\u00e9rebro, afetando o humor, o sono e outros aspectos emocionais.<\/p>\n<p>Recentemente, uma pesquisa conduzida pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) trouxe novas evid\u00eancias favor\u00e1veis a essa ideia. Uma equipe multidisciplinar composta de coloproctologistas, nutricionistas, fisioterapeutas e profissionais de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica analisou informa\u00e7\u00f5es laboratoriais de pacientes diagnosticados com a doen\u00e7a de Crohn e verificou que aqueles que estavam com a inflama\u00e7\u00e3o ativa no intestino tinham maior probabilidade de apresentar sono de m\u00e1 qualidade, cansa\u00e7o ao despertar, fadiga e sintomas de ansiedade e depress\u00e3o.<\/p>\n<p>A pesquisa \u00e9 in\u00e9dita e conquistou o primeiro lugar na Semana Brasileira das Doen\u00e7as Inflamat\u00f3rias Intestinais (6\u00aa SEBRADII), maior congresso sobre DII da Am\u00e9rica Latina, realizado em Campinas em agosto de 2025. Segundo a m\u00e9dica Carolina Bortolozzo Graciolli Facanali, uma das coordenadoras do estudo, a doen\u00e7a de Crohn \u00e9 uma inflama\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica autoimune que afeta principalmente o final do intestino delgado e o intestino grosso. O quadro alterna entre crises de inflama\u00e7\u00e3o ativa e per\u00edodos de remiss\u00e3o, em que os sintomas est\u00e3o controlados ou ausentes.<\/p>\n<p>\u201cA doen\u00e7a pode evoluir ao longo dos anos, come\u00e7ando com um est\u00e1gio inflamat\u00f3rio limitado \u00e0 mucosa do intestino, podendo avan\u00e7ar para as formas estenosante e penetrante (f\u00edstulas), consideradas mais graves. Nessas fases, ocorrem fibrose e estreitamento da parede intestinal ou o aparecimento de f\u00edstulas no abdome ou na regi\u00e3o anal, aumentando o risco de complica\u00e7\u00f5es graves. Embora n\u00e3o tenha cura, as crises podem ser controladas com medicamentos, ajustes na alimenta\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, cirurgia\u201d, explica a pesquisadora.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Transtornos mentais e inflama\u00e7\u00e3o no intestino<\/h2>\n<p>As an\u00e1lises dos exames detectaram que os pacientes com inflama\u00e7\u00e3o ativa apresentaram quase tr\u00eas vezes mais chances de ter sono de m\u00e1 qualidade e sintomas depressivos. O estudo tamb\u00e9m revelou que pacientes com o fen\u00f3tipo inflamat\u00f3rio (processo inflamat\u00f3rio na mucosa intestinal), t\u00edpico da fase inicial da doen\u00e7a, dormiam pior do que aqueles com o fen\u00f3tipo estenosante ou penetrante (estreitamento\u00a0 do intestino), associado \u00e0 fase cr\u00f4nica. Para o coloproctologista e professor da FMUSP, Carlos Sobrado, \u201cesse fato pode estar relacionado \u00e0 maior resili\u00eancia dos pacientes com doen\u00e7a de longa dura\u00e7\u00e3o, que j\u00e1 enfrentaram fases mais cr\u00edticas e aprenderam a lidar melhor com novos desafios.\u201d<\/p>\n<p>A pesquisa detectou ainda que mais de dois ter\u00e7os dos pacientes avaliados apresentavam inflama\u00e7\u00e3o intestinal ativa, sendo que a grande maioria relatou ter problemas de sono: 69% disseram que o descanso n\u00e3o era reparador e 71% classificaram sua qualidade de sono como ruim.<\/p>\n<p>Segundo Carolina Facanali, os novos resultados confirmam evid\u00eancias j\u00e1 apresentadas em\u00a0artigo anterior, publicado pelo grupo em 2023 na revista\u00a0<em>Clinics<\/em>, que identificou alta preval\u00eancia de depress\u00e3o maior entre pessoas com Doen\u00e7a de Crohn. O estudo mostrou que o transtorno depressivo estava fortemente associado \u00e0 fase ativa da enfermidade. Na pesquisa, que incluiu 283 pacientes, as mulheres apresentaram risco cinco vezes maior de desenvolver depress\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com homens.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">An\u00e1lises dos dados<\/h2>\n<p>Para chegar a esses resultados, a equipe investigou a rela\u00e7\u00e3o entre inflama\u00e7\u00e3o intestinal e qualidade do sono a partir das an\u00e1lises cl\u00ednica e laboratorial, com quantifica\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de calprotectina fecal \u2013 biomarcador que indicava atividade inflamat\u00f3ria do intestino quando estava acima de 250 \u00b5g\/g. A avalia\u00e7\u00e3o do sono foi feita por meio do \u00cdndice de Pittsburgh e da Escala de Epworth, al\u00e9m de question\u00e1rios para avaliar n\u00edveis de ansiedade e depress\u00e3o. Os pesquisadores tamb\u00e9m utilizaram acelerometria \u2014 um dispositivo semelhante a um rel\u00f3gio usado durante a noite \u2014 para medir de forma objetiva o tempo para adormecer e os despertares noturnos.<\/p>\n<p>No in\u00edcio do estudo, os pacientes responderam aos question\u00e1rios, receberam o aceler\u00f4metro e o frasco est\u00e9ril para as coletas. Ap\u00f3s sete dias, retornaram ao ambulat\u00f3rio do Hospital das Cl\u00ednicas para devolver o aparelho e entregar as amostras, permitindo a an\u00e1lise conjunta dos padr\u00f5es de sono e do n\u00edvel de inflama\u00e7\u00e3o intestinal. Informa\u00e7\u00f5es sociodemogr\u00e1ficas e cl\u00ednicas foram complementadas com consulta ao prontu\u00e1rio eletr\u00f4nico.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/pitaya-fermentada-com-probioticos-ativa-gene-que-previne-inflamacoes-no-intestino\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Para o professor Sobrado, os resultados refor\u00e7am a necessidade de encarar a doen\u00e7a de Crohn de maneira integrada, reconhecendo que a inflama\u00e7\u00e3o intestinal n\u00e3o se limita ao trato digestivo e pode desencadear impactos significativos na sa\u00fade mental e na qualidade de vida.\u00a0<\/p>\n<p>Ao demonstrar a forte correla\u00e7\u00e3o entre atividade inflamat\u00f3ria, piora do sono e sintomas emocionais, o estudo amplia a compreens\u00e3o cl\u00ednica sobre a doen\u00e7a e destaca a import\u00e2ncia de incorporar a avalia\u00e7\u00e3o do sono, o apoio psicol\u00f3gico e a aten\u00e7\u00e3o nutricional ao cuidado de rotina.<\/p>\n<p>\u201cO estudo surgiu da observa\u00e7\u00e3o cl\u00ednica di\u00e1ria e buscou comprovar cientificamente uma percep\u00e7\u00e3o j\u00e1 presente na pr\u00e1tica m\u00e9dica: corpo e mente est\u00e3o interligados\u201d, diz Carolina Bortolozzo Graciolli Facanali.<\/p>\n<p>De acordo com a pesquisadora, os resultados representam um avan\u00e7o para consolidar pr\u00e1ticas de sa\u00fade mais integradas, capazes de considerar as diferentes dimens\u00f5es do adoecimento. Segundo a pesquisadora, os\u00a0dados apresentados\u00a0no congresso\u00a0s\u00e3o apenas uma parte da\u00a0pesquisa\u00a0desenvolvida por uma equipe multiprofissional que trabalha no Departamento de Gastroenterologia e Nutrologia da FMUSP. O estudo tamb\u00e9m comp\u00f5e a tese de Carolina Facanali, desenvolvida em parceria com o professor Celso Carvalho, do Departamento de Fisioterapia, Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional (Fofito) da FMUSP.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais<\/h2>\n<p>As duas principais doen\u00e7as inflamat\u00f3rias intestinais s\u00e3o a Doen\u00e7a de Crohn (DC) e a Retocolite Ulcerativa (RCU). Ambas s\u00e3o condi\u00e7\u00f5es autoimunes cr\u00f4nicas, marcadas por per\u00edodos de remiss\u00e3o e agravamento. Embora n\u00e3o tenham cura, as crises podem ser controladas com medicamentos, ajustes na alimenta\u00e7\u00e3o e, em alguns casos, cirurgia. A diferen\u00e7a entre elas est\u00e1 na localiza\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o: a DC pode acometer qualquer trecho do trato digestivo \u2014 da boca ao \u00e2nus \u2014 e costuma causar les\u00f5es mais profundas da parede intestinal (revestimento interno do intestino). J\u00e1 a RCU se limita ao intestino grosso e ao reto, com inflama\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e mais superficial. As duas doen\u00e7as afetam principalmente pessoas em idade economicamente ativa, entre 20 e 30 anos, e provocam sintomas como diarreia, dor abdominal, sangramento, febre e perda de peso.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/pacientes-com-inflamacao-no-intestino-tem-tres-vezes-mais-chances-de-ter-sono-ruim-ansiedade-e-depressao-mostra-estudo\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sempre houve especula\u00e7\u00f5es de que doen\u00e7as inflamat\u00f3rias do intestino (DII) estivessem associadas a problemas de sa\u00fade mental, com estudos que sugerem a atua\u00e7\u00e3o de vias imune-inflamat\u00f3rias comuns no eixo intestino-c\u00e9rebro. 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