{"id":52345,"date":"2026-01-11T16:27:04","date_gmt":"2026-01-11T19:27:04","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/bromelias-promovem-diversidade-de-plantas-na-floresta-e-enriquecem-solo-com-nutrientes-mostra-estudo\/"},"modified":"2026-01-11T16:27:04","modified_gmt":"2026-01-11T19:27:04","slug":"bromelias-promovem-diversidade-de-plantas-na-floresta-e-enriquecem-solo-com-nutrientes-mostra-estudo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/bromelias-promovem-diversidade-de-plantas-na-floresta-e-enriquecem-solo-com-nutrientes-mostra-estudo\/","title":{"rendered":"Brom\u00e9lias promovem diversidade de plantas na floresta e enriquecem solo com nutrientes, mostra estudo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/56815.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Quem v\u00ea um jacarand\u00e1-branco ou caroba (<em>Jacaranda puberula<\/em>) florescendo na mata de restinga\u00a0pode presumir que a frondosa \u00e1rvore n\u00e3o poderia viver em um solo t\u00e3o arenoso. E tem raz\u00e3o. Essa fisionomia da Mata Atl\u00e2ntica, bastante pr\u00f3xima do mar, tem como principal caracter\u00edstica a predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies que prosperam com pouqu\u00edssimos nutrientes num solo \u00e1cido. Em um estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11104-025-07945-y\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Plant and Soil<\/em>, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) apoiados pela Fapesp constataram que essa aparente contradi\u00e7\u00e3o \u00e9 favorecida pela presen\u00e7a de um grupo espec\u00edfico de plantas que vive na copa das \u00e1rvores: as brom\u00e9lias, mais especificamente as brom\u00e9lias-tanque ep\u00edfitas, conhecidas por acumular \u00e1gua entre suas folhas e viver sobre outras plantas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m de \u00e1gua, essas brom\u00e9lias acumulam detritos, como restos de plantas e animais. Quando os tanques transbordam, os nutrientes desses detritos dissolvidos na \u00e1gua fertilizam o solo abaixo dos galhos em que vivem. A \u00e1rea fertilizada facilita o crescimento de plantas com alta demanda nutricional, como a caroba, quando comparadas a outras esp\u00e9cies da \u00e1rea de estudo.<\/p>\n<p>A rela\u00e7\u00e3o entre essas ep\u00edfitas e as plantas que vivem no solo, at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida, foi descrita como um novo tipo de intera\u00e7\u00e3o vegetal, batizada de \u201cintera\u00e7\u00e3o remota entre plantas\u201d, por ocorrer entre organismos fisicamente distantes.<\/p>\n<p>Nos experimentos realizados, os pesquisadores constataram que folhas de pl\u00e2ntulas de caroba irrigadas com \u00e1gua de brom\u00e9lias continham 35% mais pot\u00e1ssio, 36% mais f\u00f3sforo, 3% mais ferro e 24% menos mangan\u00eas, que pode ser t\u00f3xico para algumas esp\u00e9cies. As plantas produziram, ainda, quase duas vezes mais folhas do que as irrigadas apenas com \u00e1gua da chuva.<\/p>\n<p>\u201cAs brom\u00e9lias podem acumular at\u00e9 50 mil litros de \u00e1gua por hectare em florestas tropicais. Constatamos agora que o extravasamento dos tanques dessas plantas, ao criar manchas de solos mais ricas em nutrientes, pode facilitar o crescimento de plantas com alta demanda nutricional, como a caroba\u201d, conta\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/673938\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Th\u00e1les Pereira<\/a>, primeiro autor do trabalho, realizado durante doutorado no Instituto de Biologia (IB) da Unicamp com\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/203135\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bolsa<\/a>\u00a0da Fapesp.<\/p>\n<p>O trabalho integra tr\u00eas projetos apoiados pela Fapesp, \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/112824\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Influ\u00eancia dos subs\u00eddios de origem aqu\u00e1tica na resili\u00eancia das teias alimentares receptoras em florestas rip\u00e1rias<\/a>\u201d, por sua vez vinculado ao Projeto Tem\u00e1tico \u201c<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/107885\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ecossistemas aqu\u00e1ticos continentais sob mudan\u00e7as clim\u00e1ticas: impactos em m\u00faltiplos n\u00edveis de organiza\u00e7\u00e3o<\/a>\u201d. Outro\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/113246\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoio<\/a>\u00a0ocorre no \u00e2mbito do\u00a0<a href=\"https:\/\/fapesp.br\/biota\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Programa BIOTA<\/a>. Todos s\u00e3o coordenados por\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2748\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Gustavo Quevedo Romero<\/a>, professor do IB-Unicamp que tamb\u00e9m foi orientador do doutorado de Pereira.<\/p>\n<p>\u201cAs brom\u00e9lias-tanque ep\u00edfitas, embora ocorram na copa das \u00e1rvores, t\u00eam um papel ecol\u00f3gico importante tamb\u00e9m para as comunidades do solo, uma fun\u00e7\u00e3o at\u00e9 recentemente insuspeitada. Elas abrigam ecossistemas completos, toleram diversos estresses e apresentam grande plasticidade fenot\u00edpica, o que lhes confere alto potencial facilitador. Esse estudo revela um novo papel ecol\u00f3gico dessas plantas e refor\u00e7a a necessidade de sua conserva\u00e7\u00e3o, j\u00e1 que sua redu\u00e7\u00e3o pode desencadear perdas em cascata de esp\u00e9cies e fun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas\u201d, afirma Romero.<\/p>\n<p><strong>Adapta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>Em um\u00a0<a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s00442-022-05179-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">estudo<\/a>\u00a0anterior, os pesquisadores mostraram como a \u00e1gua das brom\u00e9lias altera a diversidade de plantas no solo abaixo delas. \u201cVerificamos que algumas esp\u00e9cies da mata de restinga s\u00e3o t\u00e3o adaptadas \u00e0 escassez de nutrientes que, ao receberem o pulso de nutrientes da \u00e1gua das brom\u00e9lias, acabam tendo seu crescimento reduzido, possivelmente por intoxica\u00e7\u00e3o causada pelo excesso de nutrientes\u201d, diz Pereira.<\/p>\n<p>No entanto, explica, as manchas irrigadas pelas brom\u00e9lias formam uma pequena fra\u00e7\u00e3o da \u00e1rea. A caroba, por exemplo, representa em torno de 5% das plantas da mata de restinga analisada pelos pesquisadores, no N\u00facleo Picinguaba, em Ubatuba (SP), parte do Parque Estadual da Serra do Mar.<\/p>\n<p>\u201cEmbora reduza a presen\u00e7a de algumas esp\u00e9cies nessas manchas, a \u00e1gua rica em nutrientes das brom\u00e9lias contribui para a diversidade funcional do sistema como um todo, favorecendo aquelas com alta demanda nutricional, que n\u00e3o poderiam crescer em outros pontos da mesma floresta\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em ambos os estudos, os pesquisadores analisaram a \u00e1gua de brom\u00e9lias que vivem em galhos horizontalizados, gotejando diretamente no solo sem passar por outras partes da \u00e1rvore.<\/p>\n<p><strong>Experimento<\/strong><\/p>\n<p>No estudo atual, o grupo buscou eliminar outros fatores que poderiam afetar o crescimento das plantas no solo, isolando o papel fertilizador da \u00e1gua das brom\u00e9lias no sistema. Para isso, coletaram na \u00e1rea estudada \u00e1gua de brom\u00e9lias e \u00e1gua diretamente da chuva, que eram congeladas e levadas para irrigar, em uma casa de vegeta\u00e7\u00e3o em Campinas, mudas jovens de caroba adquiridas na regi\u00e3o da \u00e1rea de estudo.<\/p>\n<p>Em dez das 30 das brom\u00e9lias que tiveram a \u00e1gua coletada, foram depositadas ainda folhas de pitanga enriquecidas com um tipo de nitrog\u00eanio pouco comum na natureza, que pode ser rastreado por an\u00e1lises qu\u00edmicas. Com isso, os pesquisadores mostraram que os nutrientes foram, de fato, transferidos dos detritos dos tanques das brom\u00e9lias para as folhas das plantas irrigadas com a \u00e1gua dessas ep\u00edfitas.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua coletada diretamente da chuva, a acumulada nas brom\u00e9lias tinha duas vezes mais nitrog\u00eanio, quatro vezes mais c\u00e1lcio, dez vezes mais magn\u00e9sio, seis vezes mais enxofre e pelo menos 11 vezes mais f\u00f3sforo, entre outros nutrientes.<\/p>\n<p>O pesquisador agora trabalha no papel das brom\u00e9lias para a diversidade e o funcionamento das comunidades microbianas do solo. Para o trabalho, contou com\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/206608\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bolsa<\/a>\u00a0de est\u00e1gio na Pennsylvania State University, nos Estados Unidos.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/bromelias-promovem-diversidade-de-plantas-na-floresta-e-enriquecem-solo-com-nutrientes-mostra-estudo\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem v\u00ea um jacarand\u00e1-branco ou caroba (Jacaranda puberula) florescendo na mata de restinga\u00a0pode presumir que a frondosa \u00e1rvore n\u00e3o poderia viver em um solo t\u00e3o arenoso. E tem raz\u00e3o. Essa fisionomia da Mata Atl\u00e2ntica, bastante pr\u00f3xima do mar, tem como principal caracter\u00edstica a predomin\u00e2ncia de esp\u00e9cies que prosperam com pouqu\u00edssimos nutrientes num solo \u00e1cido. 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