{"id":51610,"date":"2025-12-21T16:33:04","date_gmt":"2025-12-21T19:33:04","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/biopsia-liquida-avanca-como-ferramenta-para-detectar-mutacoes-em-cancer-de-pulmao\/"},"modified":"2025-12-21T16:33:04","modified_gmt":"2025-12-21T19:33:04","slug":"biopsia-liquida-avanca-como-ferramenta-para-detectar-mutacoes-em-cancer-de-pulmao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/biopsia-liquida-avanca-como-ferramenta-para-detectar-mutacoes-em-cancer-de-pulmao\/","title":{"rendered":"Bi\u00f3psia l\u00edquida avan\u00e7a como ferramenta para detectar muta\u00e7\u00f5es em c\u00e2ncer de pulm\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/12\/medico-de-vista-lateral-verificando-radiografia-scaled.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>A detec\u00e7\u00e3o precoce de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no c\u00e2ncer de pulm\u00e3o por meio de bi\u00f3psia l\u00edquida pode se tornar uma ferramenta importante para acelerar o diagn\u00f3stico e orientar o tratamento de pacientes no Brasil. Um estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/212775\/identificacao-de-assinatura-molecular-baseada-em-rnas-nao-codificantes-para-deteccao-precoce-de-canc\/?q=numero_processo:(23\/03918-0)\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoiado<\/a>\u00a0pela Fapesp e\u00a0<a href=\"https:\/\/febs.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1002\/1878-0261.70131\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Molecular Oncology<\/em>\u00a0mostrou que \u00e9 poss\u00edvel identificar muta\u00e7\u00f5es relevantes em amostras de sangue de pacientes com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o n\u00e3o pequenas c\u00e9lulas (NSCLC, na sigla em ingl\u00eas) usando um painel multig\u00eanico comercial. A pesquisa foi conduzida no Hospital de Amor (antigo Hospital de C\u00e2ncer de Barretos), refer\u00eancia nacional em oncologia, e avaliou a presen\u00e7a de DNA tumoral circulante (ctDNA) em diferentes grupos de pacientes, incluindo indiv\u00edduos assintom\u00e1ticos.<\/p>\n<p>O c\u00e2ncer de pulm\u00e3o n\u00e3o pequenas c\u00e9lulas representa cerca de 85% dos casos da doen\u00e7a, sendo o subtipo mais prevalente. Dentro dele, h\u00e1 diferentes grupos, como o adenocarcinoma e o carcinoma de c\u00e9lulas escamosas. O adenocarcinoma, em especial, \u00e9 marcado pela presen\u00e7a de muta\u00e7\u00f5es que se tornaram alvo de terapias espec\u00edficas, alterando o curso do tratamento nos \u00faltimos anos. H\u00e1 pouco mais de dez anos, a sobrevida mediana n\u00e3o ultrapassava oito meses. Hoje, o cen\u00e1rio \u00e9 outro: j\u00e1 se fala em sobrevida global em torno de dois a tr\u00eas anos se o paciente receber terapias-alvo, podendo chegar a dez anos em alguns casos.<\/p>\n<p>\u201cO adenocarcinoma \u00e9 o subtipo do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o que mais se beneficiou do avan\u00e7o da gen\u00f4mica e, por isso, ele \u00e9 o principal alvo do nosso estudo\u201d, explica a pesquisadora\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/98974\/leticia-ferro-leal\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Let\u00edcia Ferro Leal<\/a>, cossupervisora do estudo. \u201cGenes como EGFR, ALK e KRAS t\u00eam o que chamamos de \u2018acionabilidade\u2019. Isso significa que, quando identificamos uma altera\u00e7\u00e3o dessas no paciente, existe uma droga-alvo capaz de agir diretamente sobre ela\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ao todo, o estudo examinou 32 amostras de plasma de 30 pacientes. A maioria deles n\u00e3o havia recebido nenhum tratamento anteriormente, mas tamb\u00e9m foram inclu\u00eddos pacientes previamente tratados e quatro participantes de um programa de rastreamento de c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Os pesquisadores ent\u00e3o usaram um painel comercial desenhado especificamente para muta\u00e7\u00f5es conhecidas no adenocarcinoma e buscaram altera\u00e7\u00f5es em 11 genes relacionados ao desenvolvimento do tumor. O desempenho da t\u00e9cnica surpreendeu: 65,6% das amostras apresentaram muta\u00e7\u00f5es, sendo que essa taxa chegou a 87,5% entre os pacientes que j\u00e1 tinham passado por alguma terapia.<\/p>\n<p>As muta\u00e7\u00f5es mais frequentes ocorreram nos genes TP53 (40,6%), KRAS (28,1%) e EGFR (12,5%). Embora o TP53 seja o gene mais mutado em diferentes tipos de c\u00e2ncer, ainda n\u00e3o existe uma droga espec\u00edfica para ele. J\u00e1 as altera\u00e7\u00f5es em EGFR e uma altera\u00e7\u00e3o espec\u00edfica em KRAS (p.G12C) s\u00e3o diretamente acion\u00e1veis \u2013 no caso de EGFR, com v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de medicamentos j\u00e1 aprovados no Brasil. Uma delas, a muta\u00e7\u00e3o EGFR p.T790M, ligada \u00e0 resist\u00eancia ao tratamento, foi identificada em uma das amostras analisadas.<\/p>\n<p>\u201cEsse tipo de muta\u00e7\u00e3o pode surgir mesmo em pacientes que inicialmente respondem bem ao tratamento. No entanto, ela costuma ser detectada quando o paciente j\u00e1 apresentou progress\u00e3o da doen\u00e7a. O mesmo ocorre em pacientes com muta\u00e7\u00f5es em outros genes, tratados com outras terapias-alvo. \u00c9 um grande desafio da oncologia\u201d, afirma Leal.<\/p>\n<p>Um dos achados mais marcantes do estudo ocorreu no grupo de rastreamento: um participante assintom\u00e1tico apresentou uma muta\u00e7\u00e3o no gene TP53 seis meses antes do diagn\u00f3stico de c\u00e2ncer. Para os pesquisadores, isso demonstra o potencial da bi\u00f3psia l\u00edquida como ferramenta complementar ao rastreamento de popula\u00e7\u00f5es de risco, especialmente fumantes e ex-fumantes.<\/p>\n<p><strong>Tempo \u00e9 crucial<\/strong><\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica cl\u00ednica, explica a pesquisadora, o grande diferencial da realiza\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia l\u00edquida para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o \u00e9 o tempo. Enquanto a an\u00e1lise convencional do tumor obtido por bi\u00f3psia ou cirurgia pode levar semanas entre coleta, processamento da amostra, avalia\u00e7\u00e3o em patologia e libera\u00e7\u00e3o do laudo, a bi\u00f3psia l\u00edquida encurta consideravelmente esse caminho.<\/p>\n<p>\u201cO tempo \u00e9 um fator crucial quando falamos em c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Quando fazemos a bi\u00f3psia do tecido, precisamos considerar o tempo que o paciente esperou para conseguir agendar a bi\u00f3psia ou a cirurgia. Somente ap\u00f3s esse per\u00edodo come\u00e7a a contar o tempo de processamento da amostra e de an\u00e1lise molecular. No melhor dos cen\u00e1rios, esse laudo leva em torno de duas semanas a partir da coleta. Com a bi\u00f3psia l\u00edquida, fazemos a coleta a qualquer momento e o resultado pode sair em dois dias, antecipando o in\u00edcio do tratamento\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Al\u00e9m da agilidade e redu\u00e7\u00e3o do tempo de resposta, o estudo mostrou outra vantagem: o painel utilizado foi capaz de detectar ctDNA mesmo em amostras congeladas, sem a necessidade de tubos especiais ou transporte imediato para laborat\u00f3rios especializados, como costuma acontecer. Isso amplia a possibilidade de ado\u00e7\u00e3o do m\u00e9todo em servi\u00e7os p\u00fablicos de sa\u00fade, que nem sempre disp\u00f5em de estrutura complexa para testes moleculares.<\/p>\n<p><strong>Custo ainda \u00e9 barreira<\/strong><\/p>\n<p>Apesar dos resultados promissores, Leal reconhece que a incorpora\u00e7\u00e3o da bi\u00f3psia l\u00edquida \u00e0 rotina do sistema p\u00fablico de sa\u00fade no Brasil ainda enfrenta barreiras importantes, especialmente econ\u00f4micas. O teste utilizado no estudo custa cerca de R$ 6 mil por paciente. Embora o valor possa diminuir com o aumento da concorr\u00eancia entre empresas de sequenciamento gen\u00e9tico, essa quantia ainda \u00e9 elevada para a maior parte da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>No setor privado, diversas terapias-alvo j\u00e1 est\u00e3o dispon\u00edveis por meio do rol da Ag\u00eancia Nacional de Sa\u00fade Suplementar (ANS). No Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), as op\u00e7\u00f5es s\u00e3o escassas e restritas a alguns centros de refer\u00eancia, sendo que poucos deles conseguem oferecer testes moleculares rotineiros. \u201c\u00c0s vezes, o paciente at\u00e9 tem condi\u00e7\u00f5es de pagar pelo teste, mas n\u00e3o consegue custear a terapia, que pode chegar a R$ 40 mil por m\u00eas. Por isso ainda existem muitos casos de judicializa\u00e7\u00e3o\u201d, comenta Leal.<\/p>\n<p>Leal tamb\u00e9m ressalta que, embora o painel usado pelos pesquisadores seja altamente sens\u00edvel (chegando a ser dez vezes mais sens\u00edvel do que alguns testes feitos em tecido do tumor), um resultado negativo n\u00e3o exclui a presen\u00e7a de muta\u00e7\u00f5es. \u201cSe a bi\u00f3psia l\u00edquida n\u00e3o detecta nenhuma altera\u00e7\u00e3o, \u00e9 preciso confirmar com o tecido. Ainda n\u00e3o podemos substituir completamente a bi\u00f3psia convencional, s\u00e3o exames complementares\u201d, afirma a pesquisadora. Isso se deve, em parte, \u00e0 dificuldade de detec\u00e7\u00e3o de muta\u00e7\u00f5es em est\u00e1gios iniciais da doen\u00e7a, quando o volume de DNA tumoral circulante \u00e9 muito pequeno.<\/p>\n<p>Apesar das limita\u00e7\u00f5es, a conclus\u00e3o dos pesquisadores \u00e9 que a bi\u00f3psia l\u00edquida tem potencial de acelerar diagn\u00f3sticos, orientar de forma mais precisa o tratamento e antecipar decis\u00f5es cl\u00ednicas em pacientes com c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. O estudo refor\u00e7a que a estrat\u00e9gia \u00e9 vi\u00e1vel, pode ser incorporada \u00e0 rotina hospitalar no Brasil e tem condi\u00e7\u00f5es de beneficiar pacientes tanto com tumores iniciais quanto avan\u00e7ados.<\/p>\n<p>\u201cNosso trabalho mostra que \u00e9 poss\u00edvel detectar v\u00e1rias muta\u00e7\u00f5es ao mesmo tempo, reduzir o tempo de resposta e usar amostras que n\u00e3o exigem coleta especial. Isso antecipa o in\u00edcio do tratamento e pode mudar o desfecho do paciente\u201d, resume Leal. A expectativa \u00e9 que, com a queda dos custos de sequenciamento e a amplia\u00e7\u00e3o da oferta de testes, o acesso \u00e0 medicina personalizada no c\u00e2ncer de pulm\u00e3o se torne cada vez mais pr\u00f3ximo da realidade brasileira.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/biopsia-liquida-avanca-como-ferramenta-para-detectar-mutacoes-em-cancer-de-pulmao\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A detec\u00e7\u00e3o precoce de altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas no c\u00e2ncer de pulm\u00e3o por meio de bi\u00f3psia l\u00edquida pode se tornar uma ferramenta importante para acelerar o diagn\u00f3stico e orientar o tratamento de pacientes no Brasil. 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