{"id":49546,"date":"2025-11-08T16:58:56","date_gmt":"2025-11-08T19:58:56","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/pesquisadores-desenvolvem-composto-quimico-com-potencial-contra-doenca-de-alzheimer\/"},"modified":"2025-11-08T16:58:56","modified_gmt":"2025-11-08T19:58:56","slug":"pesquisadores-desenvolvem-composto-quimico-com-potencial-contra-doenca-de-alzheimer","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/pesquisadores-desenvolvem-composto-quimico-com-potencial-contra-doenca-de-alzheimer\/","title":{"rendered":"Pesquisadores desenvolvem composto qu\u00edmico com potencial contra doen\u00e7a de Alzheimer"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/20200626_00_Parkinson_Radio-Alfa-CC.png?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) desenvolveu um novo composto qu\u00edmico com potencial para o tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer. A pesquisa, que envolveu simula\u00e7\u00f5es computacionais (<em>in silico<\/em>), testes de cultura celular (<em>in vitro<\/em>) e experimentos em animais (<em>in vivo<\/em>), obteve resultados promissores. O grupo busca agora uma parceria com empresas farmac\u00eauticas para a realiza\u00e7\u00e3o de ensaios cl\u00ednicos.<\/p>\n<p>Os novos compostos, desenvolvidos com o\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/117382\/envolvimento-do-cobre-em-danos-a-biomoleculas-uso-de-complexos-de-cobreii-em-modelos-de-cultura-celu\/?q=24\/11943-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">apoio<\/a>\u00a0da Fapesp, t\u00eam s\u00edntese simples e acredita-se que atuem degradando as placas beta-amiloides que se acumulam no c\u00e9rebro de pessoas com Alzheimer. Essas placas s\u00e3o formadas por fragmentos de pept\u00eddeo amiloide que se depositam entre os neur\u00f4nios causando inflama\u00e7\u00e3o e interrompendo a comunica\u00e7\u00e3o neural.<\/p>\n<p>De acordo com o estudo\u00a0<a href=\"https:\/\/pubs.acs.org\/doi\/10.1021\/acschemneuro.5c00291\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicado<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>ACS Chemical Neuroscience<\/em>, o diferencial dos compostos est\u00e1 em atuarem como um quelante de cobre, ou seja, uma mol\u00e9cula capaz de se ligar ao elemento met\u00e1lico presente em excesso nas placas de beta-amiloide, promovendo sua degrada\u00e7\u00e3o e, com isso, reduzindo os sintomas da doen\u00e7a. Nos testes realizados em ratos, o composto qu\u00edmico minimizou a perda da mem\u00f3ria, a dificuldade de no\u00e7\u00e3o espacial e de aprendizado dos roedores, al\u00e9m de bioquimicamente haver uma revers\u00e3o no padr\u00e3o das placas beta-amiloide.<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 cerca de uma d\u00e9cada, estudos internacionais come\u00e7aram a apontar a influ\u00eancia dos \u00edons de cobre como um agregador das placas de beta-amiloide. Descobriu-se que muta\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e altera\u00e7\u00f5es em enzimas que atuam no transporte do cobre nas c\u00e9lulas poderiam levar ao ac\u00famulo de elemento no c\u00e9rebro, favorecendo a agrega\u00e7\u00e3o dessas placas. Dessa forma, a regula\u00e7\u00e3o da homeostase [equil\u00edbrio] do cobre tem se tornado um dos focos para o tratamento do Alzheimer\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/2927\/giselle-cerchiaro\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Giselle Cerchiaro<\/a>, professora do Centro de Ci\u00eancias Naturais e Humanas da UFABC, que coordenou o estudo.<\/p>\n<p>Com base nesse conhecimento, o grupo de pesquisadores sintetizou uma s\u00e9rie de mol\u00e9culas capazes de atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica (que protege o c\u00e9rebro) e remover o cobre das placas beta-amiloides. Das dez mol\u00e9culas desenvolvidas no estudo, tr\u00eas foram selecionadas para testes em ratos com Alzheimer induzido, sendo que uma delas se destacou por sua efic\u00e1cia e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>O trabalho foi o objeto da tese de doutorado da\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/202936\/novos-quelantes-de-cobre-para-uso-em-terapia-para-doenca-de-alzheimer-estudos-in-vitro-e-celulares\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bolsista<\/a>\u00a0da Fapesp Mariana Camargo, da disserta\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/219730\/estudos-de-quelantes-de-cobre-para-uso-em-terapia-para-doenca-de-alzheimer\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">mestrado<\/a>\u00a0de Giovana Bertazzo e de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/724712\/augusto-batista-farias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Augusto Farias<\/a>. O projeto de pesquisa tamb\u00e9m contou com a colabora\u00e7\u00e3o do grupo de pesquisa liderado por\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3052\/kleber-thiago-de-oliveira\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Kleber Thiago de Oliveira<\/a>, professor da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), na s\u00edntese de um dos compostos estudados.<\/p>\n<p>Nos testes com ratos, o composto reduziu a neuroinflama\u00e7\u00e3o, o estresse oxidativo e restaurou o equil\u00edbrio de cobre no hipocampo \u2013 regi\u00e3o cerebral associada \u00e0 mem\u00f3ria. Os animais tratados com a subst\u00e2ncia tamb\u00e9m apresentaram melhor orienta\u00e7\u00e3o espacial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos resultados comportamentais, os testes mostraram que o composto n\u00e3o foi t\u00f3xico em culturas de c\u00e9lulas do hipocampo nem nos animais, cujos sinais vitais foram monitorados ao longo do experimento. Simula\u00e7\u00f5es computacionais confirmaram a capacidade do composto de atravessar a barreira hematoencef\u00e1lica e atuar diretamente nas \u00e1reas afetadas.<\/p>\n<p>A doen\u00e7a de Alzheimer \u00e9 uma condi\u00e7\u00e3o neurodegenerativa complexa e multifatorial que ainda n\u00e3o tem cura ou causa definida. Apesar de sua alta preval\u00eancia \u2013 estima-se que 50 milh\u00f5es de pessoas convivam com a doen\u00e7a em todo o mundo \u2013, as op\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas ainda s\u00e3o limitadas, oferecem apenas al\u00edvio dos sintomas ou consistem em medicamentos complexos como anticorpos monoclonais.<\/p>\n<p>O estudo da UFABC gerou um pedido de patente e agora os pesquisadores buscam parcerias com empresas para iniciar os testes cl\u00ednicos em humanos. \u201c\u00c9 uma mol\u00e9cula extremamente simples, segura e eficaz. O composto que desenvolvemos tem um custo baix\u00edssimo em compara\u00e7\u00e3o com os medicamentos dispon\u00edveis. Portanto, mesmo que funcione apenas para uma parte da popula\u00e7\u00e3o, pois a doen\u00e7a de Alzheimer tem causa multifatorial, j\u00e1 representaria um avan\u00e7o imenso frente \u00e0s op\u00e7\u00f5es atuais\u201d, comemora Cerchiaro.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/pesquisadores-desenvolvem-composto-quimico-com-potencial-contra-doenca-de-alzheimer\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma equipe de pesquisadores da Universidade Federal do ABC (UFABC) desenvolveu um novo composto qu\u00edmico com potencial para o tratamento da doen\u00e7a de Alzheimer. A pesquisa, que envolveu simula\u00e7\u00f5es computacionais (in silico), testes de cultura celular (in vitro) e experimentos em animais (in vivo), obteve resultados promissores. 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