{"id":49005,"date":"2025-10-29T16:05:26","date_gmt":"2025-10-29T19:05:26","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/dengue-tipo-3-entrou-no-brasil-pelo-caribe-e-costa-rica\/"},"modified":"2025-10-29T16:05:26","modified_gmt":"2025-10-29T19:05:26","slug":"dengue-tipo-3-entrou-no-brasil-pelo-caribe-e-costa-rica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/dengue-tipo-3-entrou-no-brasil-pelo-caribe-e-costa-rica\/","title":{"rendered":"Dengue tipo 3 entrou no Brasil pelo Caribe e Costa Rica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Um estudo do Instituto Butantan investigou a reemerg\u00eancia do v\u00edrus da <a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/o-que-e-a-dengue-tipo-3\/\" rel=\"noopener\">dengue tipo 3 (DENV-3)<\/a> no Brasil entre 2023 e 2024, e concluiu que ela ocorreu como resultado de m\u00faltiplas introdu\u00e7\u00f5es internacionais, e n\u00e3o por circula\u00e7\u00e3o interna. A pesquisa foi realizada por pesquisadores do Centro de Vigil\u00e2ncia Viral e Avalia\u00e7\u00e3o Sorol\u00f3gica (CeVIVAS) e publicada na revista\u00a0V\u00edrus Evolution, da Universidade Oxford, na Inglaterra.<\/p>\n<p>Em 2024, o Brasil ultrapassou a marca de 10 milh\u00f5es de casos de dengue, segundo a Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade (OPAS). Mais da metade desses registros (57,6%) foi confirmada em laborat\u00f3rio, e o avan\u00e7o da doen\u00e7a veio acompanhado de um dado preocupante: 6.161 pessoas morreram em consequ\u00eancia da infec\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Entre os quatro tipos de v\u00edrus da dengue, o DENV-3 chamou a aten\u00e7\u00e3o. Apesar de ainda responder por uma fra\u00e7\u00e3o pequena do total, o n\u00famero de casos disparou: foram 1.694 registros em 2024, contra apenas 106 em 2023. O crescimento foi mais intenso nas regi\u00f5es Norte e Sudeste, onde a circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus se mostrou mais forte, de acordo com o\u00a0Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/tecnologia-a-base-de-oleo-de-tomilho-desenvolvido-na-unicamp-elimina-larvas-do-mosquito-da-dengue\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/tecnologia-a-base-de-oleo-de-tomilho-desenvolvido-na-unicamp-elimina-larvas-do-mosquito-da-dengue\/\" rel=\"noopener\">Tecnologia \u00e0 base de \u00f3leo de tomilho desenvolvido na Unicamp elimina larvas do mosquito da dengue<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Depois de analisar 1.536 genomas de DENV-3, o estudo identificou a dissemina\u00e7\u00e3o da linhagem 3III_B.3.2, dentro do gen\u00f3tipo 3III, identificando pelo menos seis rotas de entrada dessa linhagem no Brasil.<\/p>\n<p>As chegadas ocorreram principalmente de pa\u00edses da Am\u00e9rica Central e Caribe, como Cuba, Porto Rico e Costa Rica. A introdu\u00e7\u00e3o mais antiga do DENV-3 teria ocorrido provavelmente no final de 2022, no estado de Roraima, seguida por eventos em S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Par\u00e1.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cResolvemos investigar para entender a origem desse aparecimento, levando em conta que j\u00e1 havia uma literatura que indicava uma poss\u00edvel circula\u00e7\u00e3o do DENV-3 no Brasil, mas quer\u00edamos ver se era poss\u00edvel tra\u00e7ar uma rota de circula\u00e7\u00e3o, o que \u00e9 muito importante para a vigil\u00e2ncia gen\u00f4mica\u201d, explica o bioinformata do CeVIVAS e do Laborat\u00f3rio de Ciclo Celular do Butantan (LCC), Alex Ranieri, um dos principais autores do estudo.<\/p>\n<p>Alex se refere a dois estudos: o primeiro, do\u00a0virologista Felipe Naveca, da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz (Fiocruz), que fez a caracteriza\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica dos casos de infec\u00e7\u00e3o pelo DENV-3 em Roraima e no Paran\u00e1 em 2023, sugerindo risco de uma nova epidemia no pa\u00eds devido \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do sorotipo, o que de fato se confirmou em 2024; e o segundo,\u00a0das pesquisadoras da Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias, Talita Adelino, e da Fiocruz, Marta Giovanetti, que reportaram o ressurgimento do DENV-3 em Minas Gerais no mesmo per\u00edodo.\u00a0<\/p>\n<p>Ambos estudos refletiam tamb\u00e9m que a aus\u00eancia prolongada do sorotipo 3 provavelmente deixou uma parcela da popula\u00e7\u00e3o soronegativa para DENV-3, aumentando o risco de surtos em larga escala semelhantes aos observados em 2002.<br \/>De 2014 a 2022, apenas 109 casos de DENV-3 foram notificados no Brasil, com o pico ocorrendo em 2016 (42 casos), conforme documentado no\u00a0Sistema de Informa\u00e7\u00e3o de Agravos de Notifica\u00e7\u00e3o (SINAN). <\/p>\n<p>Essa tend\u00eancia mudou drasticamente em 2023, com o n\u00famero de casos subindo para 106. Tal resultado indicava o ressurgimento do v\u00edrus, com detec\u00e7\u00f5es em Roraima (Norte), Paran\u00e1 (Sul) e Minas Gerais (Sudeste), conforme informaram em 2023 as pesquisas da Fiocruz e da Funda\u00e7\u00e3o Ezequiel Dias.\u00a0<\/p>\n<p>Por\u00e9m, ambas pesquisas abordavam os casos localmente, mas n\u00e3o tra\u00e7avam a rota de entrada do v\u00edrus no Brasil. Foi esse trabalho que a equipe do CeVIVAS fez, em parceria com a pesquisadora Marta Giovanetti e com o pesquisador da Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade Yale, Nathan D. Grubaugh, que sequenciou dados de pacientes com DENV-3 que tinham viajado para Cuba e Costa Rica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEm 2024, explodiu o n\u00famero de casos de dengue 3 no pa\u00eds, que acredit\u00e1vamos estarem relacionados com a entrada de uma linhagem nova porque na literatura da dengue \u00e9 sabido que a troca de linhagens coincide com surtos\u201d, ressalta Alex Ranieri.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"464\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Alex-Ranieri-um-dos-autores-principais-do-estudo.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-93941\" srcset=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Alex-Ranieri-um-dos-autores-principais-do-estudo.jpg 750w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/Alex-Ranieri-um-dos-autores-principais-do-estudo-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 750px) 100vw, 750px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Alex Ranieri, um dos autores principais do estudo: \u201cquer\u00edamos investigar para entender a origem e tra\u00e7amos uma rota de circula\u00e7\u00e3o\u201d. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Governo de SP<br \/>\n<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Metodologia do estudo<\/h2>\n<p>A pesquisa do Butantan \u00e9 fruto de uma investiga\u00e7\u00e3o que come\u00e7ou quando o CeVIVAS, coordenado pela diretora do Centro de Desenvolvimento Cient\u00edfico do Butantan (CDC), Sandra Coccuzzo, e pela diretora t\u00e9cnica do LCC, Carolina Sabbaga, autoras principais do estudo, receberam sequ\u00eancias de DENV-3 que estavam circulando no Par\u00e1 e em Minas Gerais em 2023. \u00a0<\/p>\n<p>A descoberta da introdu\u00e7\u00e3o internacional do DENV-3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as \u00e0s an\u00e1lises filogen\u00e9ticas (de linhagens de v\u00edrus) e filogeogr\u00e1ficas (da circula\u00e7\u00e3o do v\u00edrus por pa\u00edses e territ\u00f3rios) para rastrear as origens e rotas. Os pesquisadores identificaram que linhagens de DENV-3 introduzidas no Par\u00e1, Roraima e S\u00e3o Paulo vieram de Cuba; em Minas Gerais e S\u00e3o Paulo vieram de Porto Rico e Costa Rica.<\/p>\n<p>\u201cO resultado da pesquisa refor\u00e7a a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia dos aeroportos e mostra que basicamente todas as rotas de introdu\u00e7\u00e3o do v\u00edrus s\u00e3o independentes\u201d, afirma o bioinformata James Siqueira Pereira, aluno da Escola Superior do Instituto Butantan (ESIB) e do Programa Interunidades de Bioinform\u00e1tica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e que atua no estudo sob orienta\u00e7\u00e3o de Alex Ranieri.<\/p>\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"696\" height=\"464\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/O-estudante-James-Siqueira.jpg?resize=696%2C464&#038;ssl=1\" alt=\"\" class=\"wp-image-93939\" srcset=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/O-estudante-James-Siqueira.jpg 750w, https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/10\/O-estudante-James-Siqueira-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\"\/><figcaption class=\"wp-element-caption\">O estudante James Siqueira: \u201co resultado ressalta a import\u00e2ncia da vigil\u00e2ncia em aeroportos\u201d. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/Governo de SP<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Sobre a dengue<\/h2>\n<p>O v\u00edrus da dengue possui quatro sorotipos \u2013 DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Dentro de cada sorotipo, existem diferentes varia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, chamadas gen\u00f3tipos. Com o tempo, esses v\u00edrus acumulam muta\u00e7\u00f5es em seu material gen\u00e9tico (RNA) e d\u00e3o origem a linhagens, que representam ramos mais recentes ou mais antigos da hist\u00f3ria evolutiva do v\u00edrus.\u00a0Uma pesquisa recente tamb\u00e9m realizada pelo CeVIVAS prop\u00f5e uma nova nomenclatura de linhagens da dengue que demonstram essa evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/governo-de-sp-reune-gestores-de-inovacao\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/governo-de-sp-reune-gestores-de-inovacao\/\" rel=\"noopener\">Governo de SP re\u00fane gestores de inova\u00e7\u00e3o para alinhar a\u00e7\u00f5es e fortalecer ecossistema tecnol\u00f3gico paulista<\/a><\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/como-combater-a-dengue-confira-11-dicas-para-evitar-a-proliferacao-do-aedes-aegypti-na-sua-casa\/\" rel=\"noopener\">A epidemia de dengue de 2023\/2024 no Brasil foi considerada uma das mais graves<\/a> das \u00faltimas d\u00e9cadas, com mais de 10 milh\u00f5es de casos notificados e mais de 5 milh\u00f5es de casos confirmados, segundo a\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o Pan-Americana da Sa\u00fade <a href=\"https:\/\/news.un.org\/pt\/story\/2024\/12\/1841971\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">(OPAS)<\/a>, predominantemente impulsionada pelos sorotipos 1 e 2. No entanto, o ressurgimento do DENV-3, ap\u00f3s mais de 13 anos de circula\u00e7\u00e3o limitada, introduziu uma nova din\u00e2mica \u00e0 situa\u00e7\u00e3o epidemiol\u00f3gica.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cO trabalho ressaltou que as rotas a\u00e9reas entre o Brasil e os pa\u00edses do Caribe ajudaram na dispers\u00e3o do v\u00edrus, e que linhagens que v\u00eam de outros locais, mesmo sem contato direto, podem causar surtos. Os esfor\u00e7os cont\u00ednuos de vigil\u00e2ncia ser\u00e3o, portanto, cruciais para identificar linhagens emergentes de DENV e orientar respostas oportunas para prevenir futuras epidemias de dengue no Brasil\u201d, conclui Alex Ranieri.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/tipo-de-dengue-entrou-pelo-caribe\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um estudo do Instituto Butantan investigou a reemerg\u00eancia do v\u00edrus da dengue tipo 3 (DENV-3) no Brasil entre 2023 e 2024, e concluiu que ela ocorreu como resultado de m\u00faltiplas introdu\u00e7\u00f5es internacionais, e n\u00e3o por circula\u00e7\u00e3o interna. 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