{"id":43937,"date":"2025-09-07T17:58:09","date_gmt":"2025-09-07T20:58:09","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/aplicativo-promove-autonomia-de-pessoas-cegas-e-com-baixa-visao-em-cidades-do-interior-paulista\/"},"modified":"2025-09-07T17:58:09","modified_gmt":"2025-09-07T20:58:09","slug":"aplicativo-promove-autonomia-de-pessoas-cegas-e-com-baixa-visao-em-cidades-do-interior-paulista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/aplicativo-promove-autonomia-de-pessoas-cegas-e-com-baixa-visao-em-cidades-do-interior-paulista\/","title":{"rendered":"Aplicativo\u00a0promove autonomia de pessoas cegas e com baixa vis\u00e3o em cidades do interior paulista"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/img_2141.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Criado em 1982 por movimentos sociais e oficializado em 2005 pelo Governo Federal, o dia 21 de setembro marca o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Defici\u00eancia. A data destaca a busca por maior acessibilidade em \u00e1reas como emprego, educa\u00e7\u00e3o, lazer e demais direitos fundamentais. Desde 2015, a campanha Setembro Verde refor\u00e7a e amplia esse debate ao longo do m\u00eas.<\/p>\n<p>Embora o pa\u00eds j\u00e1 disponha de iniciativas legislativas como a Lei Brasileira de Inclus\u00e3o da Pessoa com Defici\u00eancia, essa popula\u00e7\u00e3o ainda enfrenta cotidianamente barreiras estruturais, arquitet\u00f4nicas e informacionais que limitam sua plena participa\u00e7\u00e3o na vida social. Da\u00ed a import\u00e2ncia do uso de novas tecnologias que possam ajudar a superar ou, pelo menos, diminuir esses obst\u00e1culos. Entre elas est\u00e1 o aplicativo\u00a0<a href=\"https:\/\/siga-web.unesp.br\/#\/main\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Siga \u2013 Guia Acess\u00edvel da Cidade<\/a>, uma produ\u00e7\u00e3o do projeto de extens\u00e3o Laborat\u00f3rio de Ensino, Pesquisa e Extens\u00e3o em M\u00eddia e Acessibilidade Biblioteca Falada da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunica\u00e7\u00e3o e Design da Unesp, campus de Bauru.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/videoteca-da-inclusao-lanca-serie-sobre-ferramenta-de-digitacao-para-pessoas-com-deficiencia-visual\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/videoteca-da-inclusao-lanca-serie-sobre-ferramenta-de-digitacao-para-pessoas-com-deficiencia-visual\/\" rel=\"noopener\">Videoteca da Inclus\u00e3o lan\u00e7a s\u00e9rie sobre ferramenta de digita\u00e7\u00e3o para pessoas com defici\u00eancia visual<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Desde 2004, o<a href=\"https:\/\/bibliotecafalada.unesp.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00a0Biblioteca Falada<\/a>\u00a0atua na produ\u00e7\u00e3o de m\u00eddia sonora acess\u00edvel, adaptando materiais impressos e digitais para o formato de \u00e1udios destinados especialmente a pessoas com defici\u00eancia visual. Em 2019, o grupo iniciou um novo desafio: desenvolver e aprimorar um aplicativo de orienta\u00e7\u00e3o e mobilidade voltado para pessoas com defici\u00eancia visual em cidades do interior paulista.<\/p>\n<p>O Siga Cidades \u00e9 disponibilizado para celulares e computadores. O aplicativo oferece descri\u00e7\u00f5es em \u00e1udio de espa\u00e7os p\u00fablicos como pontos tur\u00edsticos, pr\u00e9dios oficiais, com\u00e9rcios, locais religiosos e unidades de lazer, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, inclusive as pr\u00f3prias instala\u00e7\u00f5es da Unesp. O recurso busca fornecer no\u00e7\u00f5es imag\u00e9ticas e espaciais para que os usu\u00e1rios possam se deslocar com mais autonomia e conhecer novos espa\u00e7os de lazer, estudo, com\u00e9rcio ou atendimento em sa\u00fade.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Ideia veio de solicita\u00e7\u00e3o de estudante<\/strong><\/h2>\n<p>Suely Maciel, que \u00e9 coordenadora do projeto Biblioteca Falada e docente da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunica\u00e7\u00e3o e Design, explica que a ideia para o projeto surgiu ap\u00f3s uma visita guiada \u00e0 R\u00e1dio Unesp com alunos do Lar Escola Santa Luzia, entidade que atende pessoas cegas em Bauru. \u201cFizemos a audiodescri\u00e7\u00e3o do local para auxiliar a visita, e uma aluna me disse que gostaria que o mesmo fosse feito com uma das ruas principais da cidade\u201d, relembra.<\/p>\n<p>A audiodescri\u00e7\u00e3o \u00e9 uma ferramenta de acessibilidade que consiste na descri\u00e7\u00e3o verbal de conte\u00fados visuais, oferecendo informa\u00e7\u00f5es claras e objetivas para pessoas com defici\u00eancia visual. Embora museus e institui\u00e7\u00f5es culturais j\u00e1 utilizem o recurso em exposi\u00e7\u00f5es, sua aplica\u00e7\u00e3o em \u00e2mbito municipal ainda \u00e9 rara.<\/p>\n<p>Com apoio da Pr\u00f3-Reitoria de Extens\u00e3o e Cultura, a equipe iniciou os trabalhos em Bauru, conduzindo a audiodescri\u00e7\u00e3o de 79 locais. Posteriormente, o projeto passou a contar com financiamento da antiga Coordenadoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas, Diversidade e Equidade, hoje parte da Pr\u00f3-Reitoria de A\u00e7\u00f5es Afirmativas, Diversidade e Equidade. Isso possibilitou a expans\u00e3o do aplicativo para incluir as cidades de Botucatu, com 22 locais descritos, e de Mar\u00edlia, com 20 locais. A pr\u00f3xima etapa prevista ser\u00e1 Araraquara.<\/p>\n<p>A escolha dos locais a serem descritos envolve a participa\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es voltadas ao atendimento de pessoas com defici\u00eancia visual e comunidades ligadas \u00e0 acessibilidade. Em Bauru, os colaboradores inclu\u00edram o Lar Escola Santa Luzia, a APAE e a Secretaria Municipal de Educa\u00e7\u00e3o. Em Botucatu, o apoio veio de pesquisadores da \u00e1rea e, em Mar\u00edlia, a parceria principal foi com a Associa\u00e7\u00e3o de Deficientes Visuais de Mar\u00edlia.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das descri\u00e7\u00f5es espaciais, a equipe tamb\u00e9m produz \u00e1udios hist\u00f3rico-informativos que contextualizam os ambientes em termos arquitet\u00f4nicos e culturais. \u201cSe estamos falando da Prefeitura de Araraquara, a pessoa precisa entender de onde ela veio, como foi constru\u00edda, se foram feitas reformas e qual o seu tamanho. Esse contexto facilita a compreens\u00e3o das informa\u00e7\u00f5es que estar\u00e3o na audiodescri\u00e7\u00e3o\u201d, conta Marcela Evangelista, graduanda em jornalismo e assessora especial do Biblioteca Falada.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Adapta\u00e7\u00e3o \u00e0 descri\u00e7\u00e3o por \u00e1udio<\/strong><\/h2>\n<p>O Siga foi a primeira iniciativa do Biblioteca Falada voltada especificamente para a audiodescri\u00e7\u00e3o de espa\u00e7os f\u00edsicos. At\u00e9 ent\u00e3o, o projeto se concentrava principalmente na descri\u00e7\u00e3o de conte\u00fados televisivos, como pequenas cenas de novelas, curtas-metragens e desenhos animados.<\/p>\n<p>Segundo Guilherme Ferreira, doutorando em Comunica\u00e7\u00e3o e integrante do projeto de 2018 a 2024, a equipe precisou investir na pr\u00f3pria forma\u00e7\u00e3o antes de iniciar o aplicativo. \u201cFizemos cursos de audiodescri\u00e7\u00e3o e refor\u00e7amos os m\u00e9todos de roteiro e locu\u00e7\u00e3o. Foi um per\u00edodo voltado para nossa forma\u00e7\u00e3o e, principalmente, para entender como audiodescrever ambientes e paisagens\u201d, relata.<\/p>\n<p>O roteiro de audiodescri\u00e7\u00e3o de ambientes possui particularidades e pontos de aten\u00e7\u00e3o, principalmente relacionados \u00e0 continuidade da cena. As informa\u00e7\u00f5es costumam ser divididas em blocos, mas devem se conectar para compor uma imagem completa. No caso de uma igreja, por exemplo, descreve-se primeiro a fachada, depois o p\u00e1tio e, por fim, os fundos, criando uma sequ\u00eancia l\u00f3gica.<\/p>\n<p>A coleta de informa\u00e7\u00f5es \u00e9 outra etapa essencial e que precede o roteiro. Evangelista explica que o processo combina an\u00e1lise pr\u00e9via no Google Maps com visitas presenciais para aferir detalhes imposs\u00edveis de captar apenas pela internet, como cores, texturas, desn\u00edveis e pontos cegos.<\/p>\n<p>Para validar o material, a equipe conta com o apoio de consultores com defici\u00eancia visual volunt\u00e1rios, como Ednilson Sacramento, que participa h\u00e1 dois anos. Ele ressalta que a amplia\u00e7\u00e3o da equipe de consultores enriqueceu os roteiros, acrescentando informa\u00e7\u00f5es arquitet\u00f4nicas e culturais de relev\u00e2ncia, e refor\u00e7a o car\u00e1ter tur\u00edstico voltado\u00a0\u00e0s\u00a0pessoas com defici\u00eancia visual. <\/p>\n<p>\u201cO usu\u00e1rio, al\u00e9m de saber que estamos falando de uma catedral, de uma igreja ou de um shopping center, passa a conhecer muito sobre a arquitetura, a localiza\u00e7\u00e3o e os aspectos culturais. Essa configura\u00e7\u00e3o constr\u00f3i uma nova roupagem para a informa\u00e7\u00e3o que \u00e9 passada\u201d, comenta Sacramento. A consultoria \u00e9 uma etapa fundamental na elabora\u00e7\u00e3o de roteiros. At\u00e9 hoje, todas as produ\u00e7\u00f5es passam primeiro por um consultor antes de serem gravadas.<\/p>\n<p>A locu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m exige cuidados espec\u00edficos: deve ser pausada, clara e neutra, variando o tom conforme o contexto. \u00c9 preciso que a fala seja neutra e que siga o ritmo das conversa\u00e7\u00f5es cotidianas, evitando que os \u00e1udios sejam ma\u00e7antes de ouvir. O tom pode variar de acordo com a tem\u00e1tica do local: uma voz mais amena para espa\u00e7os com hist\u00f3ricos complicados e outra mais empostada e alegre para ambientes culturais e de lazer.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Formando profissionais em acessibilidade<\/strong><\/h2>\n<p>Suely Maciel destaca como outro benef\u00edcio do projeto a forma\u00e7\u00e3o especializada que os estudantes adquirem. \u201cExistem dois diferenciais importantes: conhecimento sobre acessibilidade midi\u00e1tica e sobre audiodescri\u00e7\u00e3o. Isso proporciona uma forma\u00e7\u00e3o diferenciada\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ferreira e Evangelista confirmam esse impacto. O doutorando atualmente pesquisa formas de aplicar t\u00e9cnicas de acessibilidade no ambiente organizacional, enquanto a graduanda utiliza sua experi\u00eancia em locu\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o em seu est\u00e1gio atual. \u201cNo projeto, temos estudantes de licenciaturas que, mesmo que n\u00e3o venham a produzir materiais sonoros, saber\u00e3o lidar melhor com alunos com defici\u00eancia visual no futuro\u201d, diz Evangelista.<\/p>\n<p>A expectativa \u00e9 que o Siga continue se expandindo para outras cidades do interior paulista. \u201cMeu sonho \u00e9 que todas as cidades disponham desse mapeamento com audiodescri\u00e7\u00e3o. Mas, se n\u00e3o for poss\u00edvel, que ao menos todas aquelas com unidades da Unesp contem com esse recurso\u201d, diz Suely.<\/p>\n<p>\u201cNosso prop\u00f3sito \u00e9 levar informa\u00e7\u00e3o acess\u00edvel a todas as pessoas, em todos os lugares, porque isso \u00e9 um direito de todos\u201d, diz Evangelista.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/app-foca-na-autonomia-de-pessoas-cegas\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Criado em 1982 por movimentos sociais e oficializado em 2005 pelo Governo Federal, o dia 21 de setembro marca o Dia Nacional de Luta da Pessoa com Defici\u00eancia. A data destaca a busca por maior acessibilidade em \u00e1reas como emprego, educa\u00e7\u00e3o, lazer e demais direitos fundamentais. 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