{"id":43859,"date":"2025-09-06T14:31:10","date_gmt":"2025-09-06T17:31:10","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo\/"},"modified":"2025-09-06T14:31:10","modified_gmt":"2025-09-06T17:31:10","slug":"adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo\/","title":{"rendered":"Ado\u00e7antes artificiais s\u00e3o associados ao decl\u00ednio cognitivo"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo-acelerado.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Estudo feito no Brasil sugere que o consumo regular de ado\u00e7antes artificiais de baixa ou nenhuma caloria pode acelerar o decl\u00ednio cognitivo, afetando a mem\u00f3ria e a flu\u00eancia verbal ao longo do tempo. A pesquisa, conduzida por cientistas da USP e\u00a0<a href=\"https:\/\/n.neurology.org\/lookup\/doi\/10.1212\/WNL.0000000000214023\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicada na revista cient\u00edfica\u00a0<\/a><em>Neurology,\u00a0<\/em>acompanhou mais de 12 mil pessoas por oito anos, trazendo alguns dos resultados mais abrangentes at\u00e9 agora sobre os poss\u00edveis efeitos em longo prazo desses substitutos do a\u00e7\u00facar na sa\u00fade do c\u00e9rebro.<\/p>\n<p>O estudo encontrou uma associa\u00e7\u00e3o significativa entre maior consumo dos ado\u00e7antes aspartame, sacarina, acessulfame-K, eritritol, sorbitol e xilitol a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido na cogni\u00e7\u00e3o global, prejudicando particularmente os dom\u00ednios da mem\u00f3ria e da flu\u00eancia verbal. Os participantes que consumiram as maiores quantidades de ado\u00e7antes em geral apresentaram uma taxa 62% maior de decl\u00ednio cognitivo global em compara\u00e7\u00e3o \u00e0queles com consumo mais baixo. Quando divididos por tipo de ado\u00e7ante, somente a tagatose, entre os que foram avaliados, n\u00e3o apresentou nenhuma liga\u00e7\u00e3o com o decl\u00ednio cognitivo na an\u00e1lise geral.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-da-usp-mostra-que-aumento-do-consumo-de-ultraprocessados-eleva-risco-de-morte-precoce\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-da-usp-mostra-que-aumento-do-consumo-de-ultraprocessados-eleva-risco-de-morte-precoce\/\" rel=\"noopener\">Estudo da USP mostra que aumento do consumo de ultraprocessados eleva risco de morte precoce<\/a><\/strong><\/p>\n<p>\u201cO consumo de ado\u00e7antes est\u00e1 associado a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido do que aquele que j\u00e1 \u00e9 esperado pelo passar do tempo\u201d, explica ao\u00a0Jornal da USP\u00a0Claudia Suemoto, autora da pesquisa, referindo-se \u00e0 perda sutil e progressiva da cogni\u00e7\u00e3o que ocorre naturalmente com o envelhecimento, mas que parece ser acelerada pelos ado\u00e7antes.<\/p>\n<p>Uma restri\u00e7\u00e3o da pesquisa \u00e9 que ela n\u00e3o incluiu a sucralose, ado\u00e7ante bastante usado atualmente, mas que n\u00e3o estava entre os mais consumidos no Brasil nos anos do estudo, que come\u00e7ou em 2008. Apesar disso, outros estudos tamb\u00e9m j\u00e1 levantaram problemas semelhantes sobre a sucralose.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 apresentado pelos pesquisadores como uma limita\u00e7\u00e3o o fato de os dados da dieta serem autorrelatados, o que, mesmo com uso de question\u00e1rios validados por especialistas, pode trazer distor\u00e7\u00e3o. Eles mencionam ainda a impossibilidade de descartar todos os fatores de confus\u00e3o residuais, como h\u00e1bitos simult\u00e2neos que afetam a sa\u00fade ou mudan\u00e7as na dieta ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Mesmo assim, com seu grande n\u00famero de participantes e qualidade das avalia\u00e7\u00f5es, o estudo representa um avan\u00e7o significativo na compreens\u00e3o dos poss\u00edveis efeitos em longo prazo dos ado\u00e7antes artificiais na fun\u00e7\u00e3o cognitiva.<\/p>\n<p>E fortalece o alerta por mais investiga\u00e7\u00f5es: sabemos que o consumo de a\u00e7\u00facar em excesso est\u00e1 bastante relacionado a uma piora na sa\u00fade cognitiva, mas n\u00e3o est\u00e1 claro se os ado\u00e7antes artificiais s\u00e3o uma alternativa adequada. \u201cJ\u00e1 t\u00ednhamos evid\u00eancias sugerindo que eles poderiam ser prejudiciais, [estando] relacionados \u00e0s doen\u00e7as cardiovasculares e c\u00e2ncer, e agora temos mais uma relacionada \u00e0 cogni\u00e7\u00e3o. Acho que essa \u00e9 a mensagem\u201d, diz a pesquisadora ao\u00a0Jornal da USP.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Uma pergunta antiga<\/h2>\n<p>Coordenadora do Laborat\u00f3rio de Envelhecimento na Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Claudia Suemoto conta que uma das motiva\u00e7\u00f5es da pesquisa foi pessoal. \u201cEu consumia muito ado\u00e7ante, gosto de refrigerante zero, e ado\u00e7ava meu caf\u00e9 com ado\u00e7ante. Sempre tive essa d\u00favida sobre a rela\u00e7\u00e3o entre ado\u00e7antes e o decl\u00ednio cognitivo, e essa hip\u00f3tese me chamou mais aten\u00e7\u00e3o na \u00e9poca em que a gente fez\u00a0o trabalho sobre ultraprocessados, do qual este \u00e9 uma continuidade\u201d. Ao levantar a literatura cient\u00edfica a respeito, os pesquisadores encontraram, al\u00e9m dos estudos em modelo animal, trabalhos com poucos participantes, e quiseram fazer uma an\u00e1lise com resultados mais significativos.<\/p>\n<p>Nesta pesquisa foram usados dados do\u00a0Elsa Brasil\u00a0(Estudo Longitudinal de Sa\u00fade do Adulto). O estudo longitudinal \u00e9 um tipo de pesquisa que acompanha os mesmos indiv\u00edduos ao longo do tempo, avaliados periodicamente, para verificar mudan\u00e7as em vari\u00e1veis espec\u00edficas. \u201cAl\u00e9m de uma grande quantidade de participantes, o Elsa Brasil tem um question\u00e1rio de dieta excelente e nos permite pesquisar quase tudo, buscando entender se um efeito \u00e9 importante ou n\u00e3o\u201d, diz a neurocientista ao\u00a0Jornal da USP.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia escolhida foi dividir os participantes \u2013 todos com mais de 35 anos \u2013 em tr\u00eas grupos, dos que tinham consumo mais intenso de ado\u00e7antes artificiais at\u00e9 os que consumiam muito pouco ou n\u00e3o consumiam. Ap\u00f3s um acompanhamento de oito anos, os participantes nos dois grupos de mais alto consumo apresentaram taxas 35% e 62% maiores de decl\u00ednio cognitivo global; e 110% e 173% maiores de decl\u00ednio da flu\u00eancia verbal, respectivamente. Os maiores consumidores tamb\u00e9m tiveram uma taxa de decl\u00ednio de mem\u00f3ria 32% mais alta que os demais.\u00a0<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Como explicar os resultados?<\/h2>\n<p>Poss\u00edveis mecanismos para a associa\u00e7\u00e3o observada podem ser neurotoxicidade e neuroinflama\u00e7\u00e3o provocadas por metab\u00f3litos (produtos resultantes da degrada\u00e7\u00e3o) dos ado\u00e7antes artificiais. Ainda que estudos em modelo animal n\u00e3o gerem respostas conclusivas para seres humanos, eles trazem alguns ind\u00edcios e apontam em que caminho continuar pesquisando.<\/p>\n<p>Neste caso, estudos anteriores em roedores mostraram que o aspartame, por exemplo, pode ser metabolizado em compostos neurot\u00f3xicos, levando \u00e0 neuroinflama\u00e7\u00e3o (mediada pela micr\u00f3glia, tipo de c\u00e9lula nervosa que atua na imunidade) e ao decl\u00ednio cognitivo.<\/p>\n<p>Alguns estudos em animais tamb\u00e9m apontam para o\u00a0<a href=\"https:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0199080\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">potencial dos ado\u00e7antes de alterar a microbiota intestinal<\/a>, o que pode impactar a toler\u00e2ncia \u00e0 glicose e afetar a integridade da barreira hematoencef\u00e1lica, uma estrutura que envolve e protege o sistema nervoso central de agressores, sejam mol\u00e9culas ou microrganismos.<\/p>\n<p>\u201cNossas descobertas sugerem a possibilidade de danos a longo prazo do consumo de ado\u00e7antes, particularmente ado\u00e7antes artificiais e \u00e1lcoois de a\u00e7\u00facar, para a fun\u00e7\u00e3o cognitiva\u201d, escrevem os pesquisadores.<\/p>\n<p>Para mudan\u00e7as nas recomenda\u00e7\u00f5es por parte de \u00f3rg\u00e3os e associa\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, por\u00e9m, Claudia Suemoto acredita que mais pesquisas s\u00e3o necess\u00e1rias, principalmente ensaios cl\u00ednicos \u2013 em que os participantes s\u00e3o avaliados em condi\u00e7\u00f5es mais bem controladas. Ela pede cautela tamb\u00e9m com a interpreta\u00e7\u00e3o dos n\u00fameros, assim como os de qualquer pesquisa: \u201cQualquer risco relativo, quando eu divido um coeficiente por outro, vai resultar nesses n\u00fameros grandes\u201d, pondera ao\u00a0Jornal da USP.<\/p>\n<p>Mesmo assim, considerando que outros estudos como esse encontraram resultados semelhantes, al\u00e9m do fato de os ado\u00e7antes artificiais serem ingredientes de alimentos ultraprocessados \u2013 j\u00e1 associados a problemas cognitivos em outras pesquisas \u2013, ela opina que seu uso regular deve ser repensado.<\/p>\n<p>Apesar de n\u00e3o ser considerado neste estudo, o\u00a0consumo de sucralose\u00a0j\u00e1 foi associado em\u00a0<a href=\"https:\/\/www.tandfonline.com\/doi\/full\/10.1080\/1028415X.2021.1885239\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">outras pesquisas<\/a>\u00a0\u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do desempenho da mem\u00f3ria e da fun\u00e7\u00e3o executiva, tamb\u00e9m possivelmente ligada a altera\u00e7\u00f5es do microbioma, neuroinflama\u00e7\u00e3o e neurotoxicidade dos metab\u00f3litos do ado\u00e7ante.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 tagatose, que n\u00e3o apresentou associa\u00e7\u00e3o com o decl\u00ednio cognitivo no estudo, vale o mesmo racioc\u00ednio: ainda n\u00e3o d\u00e1 para afirmar que \u201ctudo bem, pode consumir \u00e0 vontade\u201d.\u00a0<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma evid\u00eancia que precisa ser corroborada por outras antes de mudarmos as pol\u00edticas p\u00fablicas, como aparecer alguma informa\u00e7\u00e3o na embalagem, por exemplo\u201d, diz Claudia Suemoto.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Aditivos cosm\u00e9ticos<\/h2>\n<p>Renata Levy tamb\u00e9m\u00a0desaconselha o uso de ado\u00e7antes.\u00a0A professora da FMUSP n\u00e3o participou deste estudo, mas tem larga produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em epidemiologia nutricional, em particular no tema ultraprocessados, e comentou os resultados a pedido do\u00a0Jornal da USP.\u00a0\u201cN\u00e3o apenas eu [desaconselho], mas tamb\u00e9m a Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade, que em 2023 publicou a diretriz\u00a0<a href=\"https:\/\/www.who.int\/publications\/i\/item\/9789240073616\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><em>WHO Guideline on the use of non-sugar sweeteners<\/em><\/a>. No documento, a OMS n\u00e3o recomenda o uso de ado\u00e7antes sem a\u00e7\u00facar para controle de peso corporal ou redu\u00e7\u00e3o do risco de doen\u00e7as cr\u00f4nicas, como diabetes tipo 2 e as cardiovasculares, em adultos e crian\u00e7as. A \u00fanica exce\u00e7\u00e3o \u00e9 para pessoas com diabetes, nas quais o uso pode ter indica\u00e7\u00e3o espec\u00edfica.\u201d<\/p>\n<p>Ela lembra que, segundo a\u00a0classifica\u00e7\u00e3o Nova, alimentos que cont\u00eam aditivos cosm\u00e9ticos s\u00e3o considerados ultraprocessados. \u201cEsses aditivos s\u00e3o inclu\u00eddos nos alimentos n\u00e3o para conserva\u00e7\u00e3o, mas para modificar atributos sensoriais do produto. Os ado\u00e7antes se enquadram nesse grupo. Esses compostos contribuem para tornar os alimentos hiperestimulantes e podem interferir nos mecanismos naturais de saciedade e regula\u00e7\u00e3o do apetite. Muitos deles s\u00e3o classificados como xenobi\u00f3ticos, ou seja, subst\u00e2ncias estranhas ao metabolismo humano\u201d, detalha.\u00a0<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/modo-incorreto-de-preparar-chas-naturais\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/modo-incorreto-de-preparar-chas-naturais\/\" rel=\"noopener\">Todos os ch\u00e1s fazem bem? Veja quando eles podem causar riscos para a sa\u00fade<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Mesmo os chamados \u201cnaturais\u201d recebem a classifica\u00e7\u00e3o de ultraprocessados. \u201cAinda que alguns ado\u00e7antes tenham origem natural, como a est\u00e9via, eles s\u00e3o isolados e concentrados por meio de processamento industrial e adicionados a produtos nos quais n\u00e3o estariam presentes naturalmente.\u201d<\/p>\n<p>Para a professora, o estudo atual \u00e9 extremamente relevante para a sa\u00fade p\u00fablica e usa uma metodologia confi\u00e1vel. \u201cO estudo de seguimento \u00e9 dos delineamentos mais adequados para investigar esse tipo de associa\u00e7\u00e3o.\u201d Ela comenta ainda que uma das maiores dificuldades para estudar o efeito nocivo dos edulcorantes \u00e9 quantific\u00e1-los com precis\u00e3o nos alimentos. \u201cEssa informa\u00e7\u00e3o n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel nas tabelas de composi\u00e7\u00e3o de alimentos nem nos r\u00f3tulos. E a quantidade varia entre produtos e at\u00e9 entre marcas de um mesmo produto\u201d, pontua, ao explicar que essa informa\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para que se possa gerar evid\u00eancias mais robustas. \u201cIsso refor\u00e7a a necessidade de maior transpar\u00eancia na rotulagem e de bases de dados mais completas\u201d, defende.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Dom\u00ednios da cogni\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Neste estudo, o desempenho nos v\u00e1rios aspectos foi avaliado individualmente, para depois se calcular uma pontua\u00e7\u00e3o de cogni\u00e7\u00e3o global, que \u00e9 o \u00edndice considerado de maior import\u00e2ncia. \u201cA cogni\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por diversos dom\u00ednios, e quando voc\u00ea tem um problema em v\u00e1rios, o impacto \u00e9 maior\u201d, explica Claudia Suemoto.\u00a0<\/p>\n<p>Os testes cognitivos estimaram capacidades como mem\u00f3ria epis\u00f3dica (de recordar eventos e experi\u00eancias espec\u00edficas, incluindo detalhes como o que, onde e quando); flu\u00eancia verbal (de gerar palavras dentro de uma categoria ou que come\u00e7am com uma letra espec\u00edfica); e fun\u00e7\u00e3o executiva (de direcionar comportamentos a objetivos, envolvendo flexibilidade mental e velocidade de processamento para tomada de decis\u00f5es).<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Isolando as vari\u00e1veis<\/h2>\n<p>Todo estudo observacional como este, que busca isolar o consumo de algum item e associ\u00e1-lo a um desfecho como decl\u00ednio cognitivo, que tem diversos determinantes, esbarra em confundidores que o tratamento estat\u00edstico dos dados procura mitigar.<\/p>\n<p>Claudia Suemoto simplifica com um exemplo. \u201cDigamos que eu queira saber se \u00e1lcool contribui para o desenvolvimento do c\u00e2ncer de pulm\u00e3o. Se eu n\u00e3o fizer um controle para o fator tabagismo, vou achar uma rela\u00e7\u00e3o errada. Porque, normalmente, entre quem consome mais \u00e1lcool tamb\u00e9m est\u00e3o os que fumam bastante. E o tabagismo \u00e9 um fator de risco conhecido para c\u00e2ncer de pulm\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>Nesta pesquisa, em rela\u00e7\u00e3o ao consumo de ado\u00e7antes, foram consideradas vari\u00e1veis sociodemogr\u00e1ficas (idade, sexo, renda, ra\u00e7a e educa\u00e7\u00e3o), de estilo de vida (atividade f\u00edsica, tabagismo, consumo de \u00e1lcool e padr\u00e3o de dieta) e cl\u00ednicas (\u00edndice de massa corporal, diabetes, hipertens\u00e3o, doen\u00e7a cardiovascular e depress\u00e3o).<\/p>\n<p>Dietas saud\u00e1veis (por exemplo, a\u00a0<a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/biomedgerontology\/article\/73\/3\/318\/4736301\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">dieta mediterr\u00e2nea<\/a>, a\u00a0<a href=\"https:\/\/www.mayoclinic.org\/healthy-lifestyle\/nutrition-and-healthy-eating\/in-depth\/dash-diet\/art-20048456\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Dash\u00a0<\/a>\u2013\u00a0focada em reduzir a hipertens\u00e3o \u2013 ou a\u00a0<a href=\"https:\/\/alz-journals.onlinelibrary.wiley.com\/doi\/10.1016\/j.jalz.2015.04.011\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Mind<\/a>, que \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o das duas primeiras) aparecem como fator de prote\u00e7\u00e3o para o decl\u00ednio cognitivo e dem\u00eancia, enquanto obesidade e diabetes s\u00e3o fatores de risco. Mas o diabetes \u00e9 sem d\u00favida o maior confundidor. \u201cQuem tem diabetes j\u00e1 tem indica\u00e7\u00e3o de tomar ado\u00e7ante. Ao mesmo tempo, o diabetes \u00e9 um fator de risco conhecido para decl\u00ednio cognitivo\u201d, observa a professora ao\u00a0Jornal da USP, enfatizando a complexidade da rela\u00e7\u00e3o.\u00a0<\/p>\n<p>Feitos os ajustes, a obesidade e o padr\u00e3o da dieta n\u00e3o modificaram a associa\u00e7\u00e3o entre o consumo de ado\u00e7antes e o decl\u00ednio cognitivo, mas o diabetes sim: em indiv\u00edduos sem diabetes, o maior consumo de ado\u00e7antes foi ligado a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido na flu\u00eancia verbal e na cogni\u00e7\u00e3o global. J\u00e1 para os participantes com diabetes, a ingest\u00e3o de ado\u00e7antes mais alta foi associada a um decl\u00ednio mais r\u00e1pido, tanto na mem\u00f3ria quanto na cogni\u00e7\u00e3o global.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Posicionamento Abiad <\/h2>\n<p>\u201cEm conson\u00e2ncia com a International Sweeteners Association, a Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Alimentos para Fins Especiais e Cong\u00eaneres (Abiad)\u00a0considera necess\u00e1rio que seus resultados sejam interpretados com cautela e situados no contexto do consenso cient\u00edfico consolidado sobre a seguran\u00e7a dos ado\u00e7antes. Trata-se de um estudo observacional, que aponta apenas uma associa\u00e7\u00e3o estat\u00edstica, e n\u00e3o uma rela\u00e7\u00e3o de causa e efeito. Os pr\u00f3prios autores reconhecem as limita\u00e7\u00f5es da pesquisa e alertam contra a formula\u00e7\u00e3o de conclus\u00f5es causais.<\/p>\n<p>\u00c9 igualmente relevante destacar aspectos metodol\u00f3gicos que reduzem a confiabilidade das averigua\u00e7\u00f5es. Os resultados mostraram-se inconsistentes entre diferentes faixas et\u00e1rias e variaram de acordo com a presen\u00e7a de diabetes, levantando d\u00favidas sobre sua plausibilidade biol\u00f3gica. Al\u00e9m disso, o estudo baseia-se em um m\u00e9todo de autorrelato de dados alimentares coletados apenas uma vez, h\u00e1 oito anos, o que costuma ser impreciso, podendo introduzir vieses significativos, al\u00e9m de n\u00e3o considerar mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos alimentares e nas formula\u00e7\u00f5es de produtos ao longo do tempo.<\/p>\n<p>Outro ponto que requer aten\u00e7\u00e3o \u00e9 que todos os ado\u00e7antes foram agrupados em um \u00fanico valor, embora se saiba que possuem propriedades e n\u00edveis de uso aprovados distintos.<\/p>\n<p>Todos os ado\u00e7antes autorizados para consumo no Brasil pela Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa) s\u00e3o profundamente estudados por organismos internacionais, como o Comit\u00ea de Especialistas em Aditivos Alimentares da FAO\/OMS (JECFA), a Food and Drug Administration (FDA, EUA) e a Autoridade Europeia para a Seguran\u00e7a dos Alimentos (EFSA). Essas autoridades atestam a seguran\u00e7a de seu consumo dentro dos limites estabelecidos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, revis\u00f5es sistem\u00e1ticas e meta-an\u00e1lises apontam que os ado\u00e7antes sem ou com baixo teor cal\u00f3rico podem contribuir para a redu\u00e7\u00e3o da ingest\u00e3o cal\u00f3rica e de a\u00e7\u00facares, sendo aliados importantes no manejo de dietas para diabetes tipo 2 e obesidade. Tais benef\u00edcios s\u00e3o especialmente relevantes em contextos de sa\u00fade p\u00fablica que recomendam o controle do consumo de a\u00e7\u00facares adicionados.<\/p>\n<p>A Abiad permanece \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para contribuir com o debate p\u00fablico sobre o tema, com base em evid\u00eancias cient\u00edficas atualizadas e compromisso com a informa\u00e7\u00e3o respons\u00e1vel e transparente \u00e0 sociedade.\u201d<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/adocante-esta-ligado-ao-declinio-cognitivo\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo feito no Brasil sugere que o consumo regular de ado\u00e7antes artificiais de baixa ou nenhuma caloria pode acelerar o decl\u00ednio cognitivo, afetando a mem\u00f3ria e a flu\u00eancia verbal ao longo do tempo. A pesquisa, conduzida por cientistas da USP e\u00a0publicada na revista cient\u00edfica\u00a0Neurology,\u00a0acompanhou mais de 12 mil pessoas por oito anos, trazendo alguns dos [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":43860,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_mbp_banners":[],"_jetpack_feature_clip_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","default_image_id":0,"font":"","enabled":false},"version":2},"jetpack_post_was_ever_published":false},"categories":[16,21],"tags":[],"class_list":["post-43859","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","category-local","category-sp-news"],"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack-related-posts":[],"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/p7Eq1F-bpp","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/i0.wp.com\/guialimeira.com.br\/news\/wp-content\/uploads\/2025\/09\/Adocantes-artificiais-sao-associados-ao-declinio-cognitivo.jpg?fit=1200%2C630&ssl=1","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43859","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43859"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43859\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media\/43860"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43859"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43859"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43859"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}