{"id":43113,"date":"2025-08-31T07:58:09","date_gmt":"2025-08-31T10:58:09","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/dia-internacional-da-pessoa-afrodescendente-turismo-paulista-homenageia-cidadaos\/"},"modified":"2025-08-31T07:58:09","modified_gmt":"2025-08-31T10:58:09","slug":"dia-internacional-da-pessoa-afrodescendente-turismo-paulista-homenageia-cidadaos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/dia-internacional-da-pessoa-afrodescendente-turismo-paulista-homenageia-cidadaos\/","title":{"rendered":"Dia Internacional da Pessoa Afrodescendente: Turismo paulista homenageia cidad\u00e3os"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/Solange-Barbosa_-Maria-de-Fatima-de-Oliveira-Gonzaga-e-Carlos-Humberto-sao-exemplos-inspiradores-de-.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>\u201cAssisti a uma palestra recentemente e uma frase me marcou: N\u00f3s somos a realiza\u00e7\u00e3o do sonho dos nossos ancestrais\u201d, conta Solange Barbosa, CEO e fundadora da Rota da Liberdade, ag\u00eancia de viagens de Taubat\u00e9 focada no afroturismo. Solange, ou Sol, como tamb\u00e9m \u00e9 carinhosamente chamada, trabalha no setor tur\u00edstico h\u00e1 mais de 25 anos, al\u00e9m de ser uma das pioneiras no turismo ligado \u00e0 cultura afro.<\/p>\n<p>Felizmente, Sol n\u00e3o est\u00e1 sozinha. Neste domingo (31), quando \u00e9 comemorado o Dia Internacional das Pessoas Afrodescendentes, estabelecido pela ONU em 2020 para valorizar as contribui\u00e7\u00f5es da di\u00e1spora africana para o mundo e combater as desigualdades sociais, a Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de S\u00e3o Paulo (Setur-SP) homenageia os cidad\u00e3os afrodescendentes, trazendo tr\u00eas relatos inspiradores. Sol, Maria de F\u00e1tima e Carlos Humberto s\u00e3o profissionais negros que transformam o turismo paulista e a sociedade brasileira. Confira:<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Acreditar em si mesmo(a) e honrar a ancestralidade<\/h2>\n<p>Solange Barbosa, a Sol, tem 61 anos, \u00e9 vi\u00fava, m\u00e3e de quatro filhos e av\u00f3 de oito netos. Sua paix\u00e3o pelo turismo come\u00e7ou em 1999, quando integrou a 1\u00aa turma de ensino t\u00e9cnico em turismo na escola Jo\u00e3o Gomes de Ara\u00fajo, em Pindamonhangaba, e se formou no ano seguinte. Sempre foi apaixonada pelo desenvolvimento de projetos, e em 2003, quando entrou na faculdade de Hist\u00f3ria, conheceu um projeto da Fran\u00e7a chamado \u2018Rota Tur\u00edstica das Aboli\u00e7\u00f5es\u2019, que passava pelos cen\u00e1rios onde aconteceu o processo abolicionista no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cPensei: imagina em S\u00e3o Paulo, que temos toda a hist\u00f3ria da aboli\u00e7\u00e3o e toda a riqueza da cultura negra?! Ent\u00e3o, em 2006 elaborei e lancei a \u201cRota da Liberdade\u201d, ag\u00eancia de turismo com sede em Taubat\u00e9 que realiza roteiros pelo Estado de S\u00e3o Paulo em locais que valorizam a hist\u00f3ria e o legado do povo negro\u201d, lembra a empreendedora.<\/p>\n<p>Quando questionada sobre o que significa, para ela, ser uma pessoa afrodescendente, Sol \u00e9 enf\u00e1tica: \u201csignifica tudo, tudo de bom! Estou e sou agradecida por ser afrodescendente! \u00c9 preciso entender que os negros t\u00eam direito \u00e0 vida, \u00e0 cidadania. Infelizmente, muitas vezes, esse direito \u00e9 negado. Al\u00e9m disso, algumas pessoas, quando pensam nos negros, pensam na dor, na escravid\u00e3o, mas o povo africano est\u00e1 no mundo desde sempre. Precisamos ser reconhecidos pelo nosso valor cultural, pelo nosso conhecimento, nossas tecnologias\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Servi\u00e7o p\u00fablico, orgulho de ser afrodescendente e trabalhar para a continua\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>Desde pequena, Maria de F\u00e1tima de Oliveira Gonzaga se interessou por pol\u00edtica. Seus pais eram muito ativos, principalmente na \u00e9poca das elei\u00e7\u00f5es, e ela sempre os acompanhava quando iam votar. \u201cNo caminho, eu sempre pegava v\u00e1rios daqueles papeizinhos, tentando entender qual era a minha participa\u00e7\u00e3o naquilo. Principalmente: \u2018Por qu\u00ea crian\u00e7as n\u00e3o votam (risos)?\u2019 \u2018E os adultos, votam para qu\u00ea?\u2019 Eu sempre fui muito questionadora, principalmente nesse sentido. Ent\u00e3o, na \u00e9poca da escola, quando eu comecei a entender minha participa\u00e7\u00e3o naquilo, eu falei: acho que quero participar de tudo isso. Hoje, consciente, mas naquela \u00e9poca, de forma inconsciente.\u201d<\/p>\n<p>O tempo passou, Maria de F\u00e1tima finalizou o col\u00e9gio e antes de ingressar em um curso de gradua\u00e7\u00e3o, queria se conhecer, entender quem era. Mas, enquanto isso, foi em busca do primeiro emprego. Ent\u00e3o, depois de distribuir v\u00e1rios curr\u00edculos, uma amiga da fam\u00edlia a orientou: \u201cTenta um concurso p\u00fablico, por que voc\u00ea n\u00e3o faz? Eu acho que voc\u00ea tem v\u00e1rias habilidades que se enquadram dentro do servi\u00e7o p\u00fablico, mas comece com escritura\u00e7\u00e3o. Faz o de escritur\u00e1rio, na minha opini\u00e3o\u201d, lembrou.<\/p>\n<p>Determinada, Maria de F\u00e1tima fez e passou. \u201cMas eu fiz com 17 anos, e eu passei como um dos 20 primeiros classificados. Por\u00e9m, eu n\u00e3o sabia, porque era o meu primeiro contato com concurso p\u00fablico, que precisava ter 18 anos para ser contratada. O concurso foi em final de maio, e meu anivers\u00e1rio \u00e9 em setembro. Come\u00e7aram a chamar e quando foi na minha vez, parou. Completei 18 anos e tr\u00eas dias depois, me chamaram. Ent\u00e3o, o servi\u00e7o p\u00fablico me chamou. Hoje eu entendo como miss\u00e3o. Ser servidora p\u00fablica, \u00e9 para mim, uma grande honra.\u201d<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/dia-da-cultura-africana-e-afrodescendente-conheca-alguns-roteiros-do-afroturismo-em-sp\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/dia-da-cultura-africana-e-afrodescendente-conheca-alguns-roteiros-do-afroturismo-em-sp\/\" rel=\"noopener\">Dia da Cultura Africana e Afrodescendente: conhe\u00e7a alguns roteiros do afroturismo em SP<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Depois que entrou no servi\u00e7o p\u00fablico, ela trabalhou por 15 anos dentro de uma secretaria de Planejamento e Meio Ambiente, mas n\u00e3o estava satisfeita. \u201cComo amante do servi\u00e7o p\u00fablico, eu achei que ia sempre impactar grandes n\u00fameros e aquilo n\u00e3o estava me preenchendo. Por\u00e9m, como sou formada em Engenharia Cosm\u00e9tica, eu pensei em me aventurar nessa \u00e1rea. Ent\u00e3o, eu conversei com a prefeita e falei: \u2018Prefeita, me desculpa, mas estou entregando realmente \u2018feij\u00e3o com arroz\u2019, e n\u00e3o \u00e9 isso que eu quero<\/p>\n<p>Foi a\u00ed que a prefeita percebeu que Maria estava desencantada e teve uma ideia: \u201cMaria, eu preciso de voc\u00ea. E em outro setor, o que voc\u00ea acha?\u201d<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sei, eu respondi\u201d, lembra Maria de F\u00e1tima. Mas a not\u00edcia se espalhou pela prefeitura e os setores come\u00e7aram a convid\u00e1-la. \u201cFoi quando o diretor de turismo da secretaria de Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Agricultura chegou com uma demanda de um portal tur\u00edstico e eu fazia os cadastramentos todos dos conv\u00eanios federais. Eu fui ajudando-o e quando eu vi, estava fazendo projetos com ele. Topei o desafio e foi quase um amor \u00e0 primeira-vista, em uma reuni\u00e3o de COMTUR (Conselho de Turismo\u201d. Hoje, sou formada em Turismo e agora exalo turismo com muito amor\u201d, conta.<\/p>\n<p>Atualmente, Maria de F\u00e1tima \u00e9 Secret\u00e1ria Adjunta de Cultura e Turismo em Ca\u00e7apava. E ela deixa seu recado para essa data: \u201cPrecisamos ter orgulho das nossas origens, falar mais amor do que de dor, e celebrar mesmo. Ent\u00e3o, celebrar dia de Teresa de Benguela, que foi agora, dia 20 de julho; celebrar essa data, 31 de agosto, que tamb\u00e9m \u00e9 muito importante. Al\u00e9m disso, acho que \u00e9 pensar: \u2018quem veio antes? O que eu estou fazendo para os que est\u00e3o vindo?\u201d \u201cEnt\u00e3o, primeiro orgulho e depois continua\u00e7\u00e3o, para que os pr\u00f3ximos ergam essa bandeira de muito orgulho e amor\u201d, finaliza.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ser afrodescendente \u00e9 ser descendente da m\u00e3e da vida<\/h2>\n<p>A busca por conhecimento, direitos humanos igualit\u00e1rios e empreendedorismo s\u00e3o tr\u00eas grandes pilares na vida de Carlos Humberto. Profissional com mais de 22 anos de atua\u00e7\u00e3o nacional e internacional na promo\u00e7\u00e3o dos Direitos Humanos, com foco em igualdade racial, pol\u00edticas p\u00fablicas e combate ao racismo, Carlos foi bolsista da Fulbright e Rockefeller Center for Latin American Studies, em Harvard, e da PUC-Rio. Al\u00e9m de se dedicar \u00e0 vida acad\u00eamica como pesquisador, Carlos tamb\u00e9m \u00e9 fundador e CEO da Diaspora. Black, plataforma global de tecnologia que promove experi\u00eancias de turismo, educa\u00e7\u00e3o e cultura afrocentrada em mais de 18 pa\u00edses. Ele tamb\u00e9m lidera estrat\u00e9gias de inova\u00e7\u00e3o, expans\u00e3o e impacto com foco em justi\u00e7a racial e economia criativa.<\/p>\n<p>Para Carlos Humberto, \u201cser afrodescendente significa ser herdeiro de grandes legados, conhecimentos, pr\u00e1ticas e culturas, que est\u00e3o relacionadas diretamente ao desenvolvimento da vida. Quando se fala de afrodescendente, significa ser descendente de um continente em que ficou comprovado seu papel na hist\u00f3ria da humanidade, quando se identifica no primeiro f\u00f3ssil de Lucy a grande refer\u00eancia do desenvolvimento e surgimento da vida\u201d, explica o empres\u00e1rio. \u201cEnt\u00e3o, ser afrodescendente \u00e9 ser descendente da m\u00e3e da vida, dessas hist\u00f3rias, mem\u00f3rias e ancestralidades que permeiam a nossa exist\u00eancia e que nos trazem a responsabilidade de sermos a continuidade dessa hist\u00f3ria\u201d, complementa.<\/p>\n<p>Para ele, a import\u00e2ncia de ser uma pessoa afrodescendente no turismo pode se dar de diferentes maneiras, principalmente quando esta pessoa afrodescendente compreende a responsabilidade e o poder do seu papel. E destaca a import\u00e2ncia de ter profissionais que compreendem e que trabalham com o afroturismo, principalmente pela possibilidade de produzir um turismo antirracista. \u201cPorque uma vez que voc\u00ea conhece um lugar, pessoas, hist\u00f3rias e narrativas, essas narrativas, esses lugares, esses cheiros e sabores jamais saem de dentro de voc\u00ea. E a partir da\u00ed, voc\u00ea leva a valoriza\u00e7\u00e3o, o conhecimento, desconstru\u00e7\u00e3o e promove olhares, fortalecimento e a participa\u00e7\u00e3o negra inclusiva dentro desse mercado tur\u00edstico\u201d.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Afroturismo e matrizes africanas em SP<\/strong><\/h2>\n<p>Com o objetivo de valorizar a popula\u00e7\u00e3o afrodescendente, que corresponde a 41% no estado de S\u00e3o Paulo de acordo com levantamento do Guia Negro e do IBGE, a Setur-SP lan\u00e7ou recentemente o Guia Tur\u00edstico Religioso de Matrizes Africanas e Ind\u00edgenas (<a href=\"https:\/\/www.turismo.sp.gov.br\/guia-de-matriz-africana-e-indigena\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.turismo.sp.gov.br\/guia-de-matriz-africana-e-indigena<\/a>). O conte\u00fado nasceu a fim de reconhecer e dar visibilidade a espa\u00e7os de resist\u00eancia, f\u00e9 e ancestralidade que enriquecem a diversidade cultural do nosso estado. Segundo levantamento do IBGE, 55.295 ind\u00edgenas vivem no Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>A partir de um mapeamento in\u00e9dito de 35 casas, templos, institutos e centros culturais de religi\u00f5es de matrizes africanas e ind\u00edgenas, uma equipe t\u00e9cnica selecionou 17 munic\u00edpios onde \u00e9 poss\u00edvel reviver rituais, compreender saberes tradicionais e pr\u00e1ticas de cuidado coletivo. A publica\u00e7\u00e3o \u00e9 uma parceria da Setur-SP com a Secretaria da Justi\u00e7a e Cidadania (SJC), com apoio do F\u00f3rum Inter-religioso do Estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M:<\/strong> <strong><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/workshop-de-afroturismo-fomenta-investimentos-para-o-publico-negro\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/workshop-de-afroturismo-fomenta-investimentos-para-o-publico-negro\/\" rel=\"noopener\">Workshop de afroturismo fomenta investimentos para o p\u00fablico negro<\/a><\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, em 2024, a secretaria tamb\u00e9m lan\u00e7ou os Roteiros de Afroturismo, com 10 lugares no estado que preservam a cultura e o legado do povo negro e realizam atividades ligadas ao afroturismo, como oficinas tem\u00e1ticas, visitas a lugares hist\u00f3ricos, entre outros. Ainda, a Setur-SP mant\u00e9m um Grupo de Trabalho de Afroturismo (GT), composto por agentes de viagem, guias de turismo, empres\u00e1rios e autoridades do poder p\u00fablico e privado para debater a\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es para fomentar o afroturismo em S\u00e3o Paulo e tornar o turismo paulista mais plural e inclusivo.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/dia-da-pessoa-afrodescendente\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cAssisti a uma palestra recentemente e uma frase me marcou: N\u00f3s somos a realiza\u00e7\u00e3o do sonho dos nossos ancestrais\u201d, conta Solange Barbosa, CEO e fundadora da Rota da Liberdade, ag\u00eancia de viagens de Taubat\u00e9 focada no afroturismo. 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