{"id":25498,"date":"2025-03-02T12:30:56","date_gmt":"2025-03-02T15:30:56","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2025\/03\/02\/estudo-financiado-pela-fapesp-mostra-que-consumo-de-ultraprocessados-por-criancas-favorece-bacterias-prejudiciais-no-intestino\/"},"modified":"2025-03-02T12:30:56","modified_gmt":"2025-03-02T15:30:56","slug":"estudo-financiado-pela-fapesp-mostra-que-consumo-de-ultraprocessados-por-criancas-favorece-bacterias-prejudiciais-no-intestino","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/estudo-financiado-pela-fapesp-mostra-que-consumo-de-ultraprocessados-por-criancas-favorece-bacterias-prejudiciais-no-intestino\/","title":{"rendered":"Estudo financiado pela Fapesp mostra que consumo de ultraprocessados por crian\u00e7as favorece bact\u00e9rias prejudiciais no intestino"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/54078.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Estudo realizado com 728 crian\u00e7as de at\u00e9 um ano de idade aponta que o consumo de alimentos ultraprocessados pode impactar negativamente a diversidade e a abund\u00e2ncia da microbiota intestinal, com um efeito mais pronunciado em crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o amamentadas.<\/p>\n<p>Os resultados foram\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0261561425000317\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">publicados<\/a>\u00a0na revista\u00a0<em>Clinical Nutrition<\/em>, como parte do\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/95936\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Estudo MINA \u2013 Materno-Infantil no Acre: coorte de nascimentos da Amaz\u00f4nia ocidental brasileira<\/a>, que acompanha um grupo de crian\u00e7as nascidas entre 2015 e 2016 em Cruzeiro do Sul (AC), com financiamento da Fapesp (<em>leia mais em:\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/40510\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agencia.fapesp.br\/40510\/<\/a>,\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/36352\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agencia.fapesp.br\/36352\/\u00a0<\/a>e\u00a0<a href=\"https:\/\/agencia.fapesp.br\/40321\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">agencia.fapesp.br\/40321\/<\/a><\/em>).<\/p>\n<p>Crian\u00e7as que ainda recebiam leite materno tiveram uma abund\u00e2ncia maior de\u00a0<em>Bifidobacterium<\/em>, um g\u00eanero de bact\u00e9rias conhecido pela associa\u00e7\u00e3o com a boa sa\u00fade intestinal.<\/p>\n<p>Por sua vez, aquelas que n\u00e3o eram amamentadas e faziam consumo de produtos ultraprocessados, como salgadinhos de pacote, biscoitos recheados, bebidas achocolatadas, refrigerantes, sucos artificiais, sorvete, macarr\u00e3o instant\u00e2neo, entre outros, tiveram uma abund\u00e2ncia maior de g\u00eaneros como\u00a0<em>Selimonas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Finegoldia<\/em>, pouco abundantes no grupo de crian\u00e7as amamentadas e tipicamente presentes em indiv\u00edduos com obesidade ou doen\u00e7as gastrointestinais na adolesc\u00eancia e fase adulta.<\/p>\n<p>\u201cIdentificamos ainda que o aleitamento materno atenuou os efeitos prejudiciais do consumo de ultraprocessados na composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal. O grupo de crian\u00e7as que recebia o leite materno e n\u00e3o consumia produtos ultraprocessados apresentou uma microbiota mais est\u00e1vel e com melhores marcadores de sa\u00fade, principalmente pela maior abund\u00e2ncia de\u00a0<em>Bifidobacterium<\/em>\u201d, conta o primeiro autor do estudo,\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/696040\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Lucas Faggiani<\/a>, que realiza doutorado na Faculdade de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade de S\u00e3o Paulo (FSP-USP) e teve bolsas da FAPESP durante a gradua\u00e7\u00e3o (<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/175719\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">17\/25232-2<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/185661\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">19\/00248-9<\/a>).<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o existia, at\u00e9 hoje, um estudo com tantos participantes que analisasse, ao longo do primeiro ano de vida, a composi\u00e7\u00e3o da microbiota intestinal em rela\u00e7\u00e3o ao consumo de produtos ultraprocessados, justamente quando o sistema imune est\u00e1 se formando. Ainda que a regi\u00e3o seja de dif\u00edcil acesso, esses produtos podem ser obtidos facilmente e acabam substituindo alimentos tradicionais e mesmo o aleitamento materno\u201d, explica\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3197\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Marly Cardoso<\/a>, professora da FSP-USP e coordenadora do projeto.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do tamanho amostral, completa Faggiani, o estudo se destaca por ser uma coorte de base populacional, em regi\u00e3o amaz\u00f4nica e com vulnerabilidade social marcante, que contribui para a investiga\u00e7\u00e3o de vari\u00e1veis pouco exploradas na literatura dessa tem\u00e1tica.<\/p>\n<p><strong>Longo prazo<\/strong><\/p>\n<p>Os pesquisadores realizaram as coletas entre 2016 e 2017, quando as crian\u00e7as participantes da coorte completaram um ano de idade. As amostras foram coletadas e armazenadas seguindo um protocolo desenvolvido no Instituto de Medicina Tropical (IMT) da Faculdade de Medicina da USP, sob coordena\u00e7\u00e3o de\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/3785\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Ester Sabino<\/a>, professora na institui\u00e7\u00e3o. Os\u00a0<em>swabs<\/em>\u00a0anais com as amostras de fezes foram armazenados a baixas temperaturas e enviados para S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Durante a coleta dessas amostras, e de dados como peso e altura das crian\u00e7as, as m\u00e3es respondiam a um question\u00e1rio que inclu\u00eda a ocorr\u00eancia ou n\u00e3o de amamenta\u00e7\u00e3o e os h\u00e1bitos alimentares da fam\u00edlia e da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>As amostras da microbiota foram enviadas para uma empresa especializada na Coreia do Sul para o sequenciamento automatizado dos genomas, muito mais r\u00e1pido do que o tradicional. No Brasil, com os dados em m\u00e3os, os pesquisadores realizaram as an\u00e1lises com ferramentas de bioinform\u00e1tica.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos n\u00edveis relacionados a\u00a0<em>Bifidobacterium<\/em>\u00a0(abundante nas amamentadas e baixo nas desmamadas),\u00a0<em>Selimonas<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Finegoldia<\/em>\u00a0(alto nas crian\u00e7as que n\u00e3o mamavam e consumiam ultraprocessados), os pesquisadores detectaram ainda a ocorr\u00eancia maior do g\u00eanero\u00a0<em>Firmicutes<\/em>\u00a0no grupo de crian\u00e7as que n\u00e3o se alimentava mais de leite materno, mesmo nas que n\u00e3o consumiam ultraprocessados. O g\u00eanero \u00e9 um potencial marcador de uma microbiota adulta, sugerindo uma maturidade precoce.<\/p>\n<p>Outro g\u00eanero encontrado em abund\u00e2ncia no grupo desmamado e consumidor de ultraprocessados foi o\u00a0<em>Blautia<\/em>. Embora alguns estudos tenham encontrado a mesma associa\u00e7\u00e3o, ainda n\u00e3o h\u00e1 consenso quanto ao seu potencial ben\u00e9fico ou prejudicial. \u201cFaltam estudos robustos para estabelecer uma rela\u00e7\u00e3o causa-efeito entre esse g\u00eanero e desfechos de sa\u00fade\u201d, comenta Faggiani.<\/p>\n<p>\u201cHav\u00edamos notado que o consumo de produtos ultraprocessados ocorria em mais de 80% das crian\u00e7as participantes do estudo j\u00e1 no primeiro ano de vida, quando a recomenda\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS) \u00e9 n\u00e3o oferecer esses produtos antes dos dois anos de idade. Diante desses resultados, seguimos acompanhando essas crian\u00e7as para monitorar os poss\u00edveis desfechos adversos \u00e0 sa\u00fade em longo prazo\u201d, conclui Cardoso.<\/p>\n<p>O trabalho teve apoio da Fapesp tamb\u00e9m por meio de\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/bolsas\/199843\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">bolsa de p\u00f3s-doutorado<\/a>\u00a0concedida a\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/pesquisador\/713659\/paula-de-franca\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Paula de Fran\u00e7a<\/a>, coautora do artigo.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-financiado-pela-fapesp-mostra-que-consumo-de-ultraprocessados-por-criancas-favorece-bacterias-prejudiciais-no-intestino\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estudo realizado com 728 crian\u00e7as de at\u00e9 um ano de idade aponta que o consumo de alimentos ultraprocessados pode impactar negativamente a diversidade e a abund\u00e2ncia da microbiota intestinal, com um efeito mais pronunciado em crian\u00e7as que n\u00e3o s\u00e3o amamentadas. 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