{"id":23065,"date":"2025-02-09T09:19:09","date_gmt":"2025-02-09T12:19:09","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2025\/02\/09\/consumo-de-peixe-em-sp-e-inferior-ao-recomendado\/"},"modified":"2025-02-09T09:19:09","modified_gmt":"2025-02-09T12:19:09","slug":"consumo-de-peixe-em-sp-e-inferior-ao-recomendado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/consumo-de-peixe-em-sp-e-inferior-ao-recomendado\/","title":{"rendered":"Consumo de peixe em SP \u00e9 inferior ao recomendado"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>O consumo de pescado (peixes, crust\u00e1ceos e moluscos) no estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 abaixo do recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). Em m\u00e9dia, os paulistas consomem esses alimentos apenas de uma a tr\u00eas vezes por m\u00eas, enquanto a OMS sugere o consumo pelo menos duas vezes por semana \u2013 o que equivale a 250 gramas semanais. A til\u00e1pia, em forma de fil\u00e9, \u00e9 a esp\u00e9cie mais consumida, preferida por sua carne branca, sabor suave e facilidade de preparo. O alto custo da prote\u00edna, por\u00e9m, \u00e9 apontado como um dos principais fatores que limitam seu consumo.<\/p>\n<p>Essas\u00a0informa\u00e7\u00f5es s\u00e3o de uma pesquisa realizada entre 2023 e 2024 pelo Instituto de Oceanografia (IO) da USP, em parceria com o Instituto de Pesca do Estado de S\u00e3o Paulo (Ipesp), por meio do N\u00facleo de Pesquisas Pescado para Sa\u00fade, que investigou o perfil de consumo e dos consumidores paulistas de pescados, al\u00e9m das principais esp\u00e9cies consumidas.<\/p>\n<p>A pesquisa gerou dados para embasar pol\u00edticas p\u00fablicas que promovam o acesso, a distribui\u00e7\u00e3o e a inclus\u00e3o do pescado na alimenta\u00e7\u00e3o dos consumidores, com o objetivo de aumentar o consumo dessa prote\u00edna de alto valor nutricional em compara\u00e7\u00e3o a outras fontes de prote\u00edna animal. De acordo com a nutricionista e pesquisadora de p\u00f3s-doutorado do Ipesp e do IO, J\u00e9ssica Levy, o consumo adequado de pescado pode prevenir diversas doen\u00e7as, como problemas cardiovasculares e dist\u00farbios relacionados \u00e0 sa\u00fade mental. \u201c\u00c9 uma prote\u00edna biodispon\u00edvel, de f\u00e1cil digest\u00e3o e rica em vitaminas e minerais como zinco, sel\u00eanio, f\u00f3sforo, c\u00e1lcio e ferro. Al\u00e9m disso, cont\u00e9m menos gordura saturada do que a carne vermelha e \u00e9 rica em \u00e1cidos graxos essenciais\u201d, explica a pesquisadora.<\/p>\n<p>Os resultados do estudo foram publicados em\u00a0<a href=\"https:\/\/rsdjournal.org\/index.php\/rsd\/article\/view\/47367\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo na\u00a0<em>Research, Society and development<\/em><\/a>. A coordena\u00e7\u00e3o do trabalho \u00e9 do professor Daniel Lemos, do IO, na \u00e1rea de Aquicultura \u2013 um ramo da Zootecnia que estuda a produ\u00e7\u00e3o de organismos aqu\u00e1ticos, como peixes, moluscos, crust\u00e1ceos, anf\u00edbios, r\u00e9pteis e plantas aqu\u00e1ticas para uso do homem. O professor Lemos relata que o baixo consumo per capta de pescado apontado na pesquisa coincide tamb\u00e9m com os registros crescentes de doen\u00e7as n\u00e3o transmiss\u00edveis, como obesidade e hipertens\u00e3o na popula\u00e7\u00e3o brasileira.\u00a0<\/p>\n<p>Ele acredita que, em um futuro pr\u00f3ximo, o Brasil ser\u00e1 um grande produtor de pescado e o benef\u00edcio social pode ser significativo se houver mais acesso a esse alimento de alta qualidade nutritiva.<\/p>\n<p>Em rela\u00e7\u00e3o ao alto custo, principal fator apontado na pesquisa que limita o consumo de pescado, Lemos sugere que a redu\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o desse alimento passa tamb\u00e9m pelo melhor aproveitamento do pescado. Como exemplo, ele cita que atualmente o fil\u00e9 de til\u00e1pia, a esp\u00e9cie mais consumida, representa apenas 30% do peixe inteiro. \u201cAs demais partes, t\u00e3o nutritivas quanto o fil\u00e9, ainda s\u00e3o pouco aproveitadas para alimenta\u00e7\u00e3o humana, mas poderiam ser utilizadas na produ\u00e7\u00e3o de produtos de pescado de qualidade e mais acess\u00edveis, como j\u00e1 ocorre com outras fontes de prote\u00edna animal\u201d, diz.<\/p>\n<p>A pesquisa foi realizada com 1947 pessoas de todas as regi\u00f5es administrativas do estado de S\u00e3o Paulo, que responderam um question\u00e1rio de forma on-line, compartilhados em eventos e em mercados municipais, composto por 23 quest\u00f5es que versavam sobre a periodicidade de consumo dentro e fora de casa; local de compra; forma de preparo; preserva\u00e7\u00e3o (se era congelado, resfriado, seco ou salgado); apresenta\u00e7\u00e3o (inteiro, fil\u00e9 ou posta); forma de preparo (assado, frito ou cozido); o que se observava na hora da compra (apar\u00eancia, odor, textura, pre\u00e7o); esp\u00e9cies de pescado mais consumidas (de pesca ou de cultivo, de \u00e1gua doce ou marinha); os motivos do consumo (qualidade nutricional, sabor, facilidade de preparo); motivos de consumir menos pescado (pre\u00e7o, falta de seguran\u00e7a e\/ou falta de acesso aos locais de compra); opini\u00e3o sobre o pre\u00e7o do pescado (barato, regular ou caro); al\u00e9m de quest\u00f5es socioecon\u00f4micas relacionadas \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o de moradia no estado de S\u00e3o Paulo, renda e escolaridade.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-de-sp-investiga-a-presenca-de-microplasticos-em-camaroes-no-litoral\/\" rel=\"noopener\">Estudo de SP investiga a presen\u00e7a de micropl\u00e1sticos em camar\u00f5es no litoral<\/a><\/strong><\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Til\u00e1pia, a preferida dos paulistas<\/h2>\n<p>Dos volunt\u00e1rios que participaram da pesquisa, 62% eram do sexo feminino, com a faixa et\u00e1ria predominante entre 40 e 59 anos (43%). Al\u00e9m disso, 38% dos respondentes tinham n\u00edvel superior, com especializa\u00e7\u00e3o ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 renda domiciliar, 48% dos participantes recebiam entre dois e seis sal\u00e1rios m\u00ednimos. As esp\u00e9cies apontadas como mais consumidas foram a til\u00e1pia, seguido pelo salm\u00e3o, pescada, atum, sardinha, ca\u00e7\u00e3o, bacalhau e camar\u00e3o. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 til\u00e1pia, o maior produtor nacional dessa esp\u00e9cie \u00e9 o Paran\u00e1, respons\u00e1vel por mais de 34% do volume total de til\u00e1pias produzidas por aquicultura no Brasil. A segunda posi\u00e7\u00e3o no cultivo nacional de til\u00e1pia \u00e9 o estado de S\u00e3o Paulo, com uma produ\u00e7\u00e3o de 77.300 toneladas, em 2022.<\/p>\n<p>Sobre a frequ\u00eancia de consumo, os participantes disseram que ocorria de uma a tr\u00eas vezes por m\u00eas (35%), tanto em casa quanto fora. J\u00e1 os crust\u00e1ceos eram consumidos principalmente em ocasi\u00f5es especiais (46%), enquanto os moluscos eram raramente consumidos (52%). A maioria dos consumidores que adquiriam os pescados para preparar em casa preferiam comprar fil\u00e9s de peixe congelados em supermercados (73%). Em termos de preparo, o peixe (29%) e os crust\u00e1ceos (26%) eram, preferencialmente, consumidos fritos, enquanto os moluscos geralmente cozidos (25%).<\/p>\n<p>Ao serem questionados sobre quem preparava o pescado adquirido em casa, 57% dos respondentes afirmaram que eram eles mesmos, enquanto 35% disseram que um membro espec\u00edfico da fam\u00edlia era respons\u00e1vel pela prepara\u00e7\u00e3o. Na hora da compra, 55% observava a apar\u00eancia geral do pescado, os olhos e as br\u00e2nquias, e 10% considerava, o pre\u00e7o.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o, 47% dos respondentes consideraram o pescado \u201ccaro\u201d, e 19% achavam \u201cmuito caro\u201d. No entanto, 29% afirmaram que pagariam mais pelo pescado caso ele tivesse certifica\u00e7\u00e3o de qualidade, enquanto 44% disseram que consumiriam menos, caso o pre\u00e7o fosse mais alto em compara\u00e7\u00e3o com outras carnes de origem animal. Quase 50% da amostra alegou que consumia pescado por consider\u00e1-lo saud\u00e1vel, seguido por 37% que o faziam por gostar do sabor.<\/p>\n<p><strong>LEIA TAMB\u00c9M: <a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/sp-reverte-suspensao-de-consumo-de-moluscos-bivalves-como-mariscos-e-ostras\/\" rel=\"noopener\">SP reverte suspens\u00e3o de consumo de moluscos bivalves, como mariscos e ostras<\/a><\/strong><\/p>\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/20250130_alimento-pescado2.jpg?ssl=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/jornal.usp.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/20250130_alimento-pescado2.jpg?w=696&#038;ssl=1\" alt=\"foto montagem de alimentos: travessa de alum\u00ednio contendo bife grande sobreposto de camar\u00f5es, acompanhado de arroz, ovos e azeitona e outro prato de lou\u00e7a branca contendo lagosta frita, acompanhado de batatas e salada.\" class=\"wp-image-848839\" style=\"width:800px;height:auto\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Maioria dos paulistas consome crust\u00e1ceos apenas em ocasi\u00f5es especiais, e raramente comem moluscos. Foto: J\u00e9ssica Levy\/N\u00facleo de Pesquisas Pescados para a Sa\u00fade<\/figcaption><\/figure>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pescado para sa\u00fade<\/h2>\n<p>O grupo de estudo do N\u00facleo de Pesquisas Pescado para Sa\u00fade conta com o financiamento da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp) e envolve v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es participantes, tendo o IO como sede em co-execu\u00e7\u00e3o com o Instituto de Pesca, e parceria com a Universidade Mogi das Cruzes (UMC) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), al\u00e9m de empresas privadas nacionais e internacionais compondo um N\u00facleo de Pesquisas Orientados a Problemas (NPOP), no \u00e2mbito do edital Ci\u00eancia para o Desenvolvimento da Fapesp.<\/p>\n<p>A miss\u00e3o do n\u00facleo \u00e9 promover e aumentar o consumo de pescado, incluindo produtos de aquicultura fortificados nutricionalmente, como uma alternativa mais saud\u00e1vel ao consumo de carnes vermelhas e processadas e fast foods, na luta contra a epidemia de obesidade, doen\u00e7as coron\u00e1rias e males associados existentes no estado de S\u00e3o Paulo e no Brasil.Como primeira tarefa, o n\u00facleo realizou um estudo de mercado para identificar as esp\u00e9cies de pescado mais consumidas no estado de S\u00e3o Paulo e as prefer\u00eancias do consumidor. Outra tarefa \u00e9 informar ao p\u00fablico a import\u00e2ncia do pescado por meio da comunica\u00e7\u00e3o e divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<\/p><\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/consumo-de-peixe-em-sao-paulo\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O consumo de pescado (peixes, crust\u00e1ceos e moluscos) no estado de S\u00e3o Paulo est\u00e1 abaixo do recomendado pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS). 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