{"id":20638,"date":"2025-01-12T15:12:15","date_gmt":"2025-01-12T18:12:15","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2025\/01\/12\/estudo-de-sp-comprova-beneficios-do-exercicio-fisico-para-pessoas-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica\/"},"modified":"2025-01-12T15:12:15","modified_gmt":"2025-01-12T18:12:15","slug":"estudo-de-sp-comprova-beneficios-do-exercicio-fisico-para-pessoas-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/estudo-de-sp-comprova-beneficios-do-exercicio-fisico-para-pessoas-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica\/","title":{"rendered":"Estudo de SP comprova benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico para pessoas com doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<br \/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.agenciasp.sp.gov.br\/wp-content\/uploads\/2024\/09\/treino-em-casa-feminino-fotos-oxer-2.jpg?w=696&#038;ssl=1\" \/><\/p>\n<div>\n<p>Pessoas com doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC), em geral, n\u00e3o toleram fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos \u2013 o cansa\u00e7o, a falta de ar constante e a fraqueza muscular associados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que, muitas vezes, desestimulam a pr\u00e1tica rotineira de atividades f\u00edsicas. O exerc\u00edcio regular, no entanto, \u00e9 considerada a conduta mais efetiva na reabilita\u00e7\u00e3o pulmonar desses pacientes.<\/p>\n<p>Agora, um novo estudo brasileiro, coordenado pela professora\u00a0Fernanda Degobbi Lopes\u00a0e\u00a0apoiado pela Fapesp, ressalta os benef\u00edcios do exerc\u00edcio f\u00edsico tamb\u00e9m na resposta imune das pessoas com DPOC grave, mostrando diminui\u00e7\u00e3o dos fatores inflamat\u00f3rios, maior ganho de massa muscular, diminui\u00e7\u00e3o da dispneia e melhora da qualidade de vida dessas pessoas.<\/p>\n<p>O trabalho in\u00e9dito foi conduzido durante o p\u00f3s-doutorado de\u00a0Juliana Tiyaki Ito-Uchoa\u00a0no Laborat\u00f3rio de Terap\u00eautica Experimental, do Instituto dos Laborat\u00f3rios de Investiga\u00e7\u00e3o M\u00e9dica do Hospital das Cl\u00ednicas da Faculdade de Medicina da Universidade de S\u00e3o Paulo\u00a0(HC\/FMUSP), com colabora\u00e7\u00e3o do Departamento de Fisioterapia, do Servi\u00e7o de Reabilita\u00e7\u00e3o Pulmonar, do Servi\u00e7o de Pneumologia do Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (Incor) e do Laborat\u00f3rio de Dermatologia e Imunodefici\u00eancias. Os resultados foram\u00a0publicados\u00a0na revista\u00a0<em>Pulmonology<\/em>.<\/p>\n<p>H\u00e1 cerca de dez anos, Lopes e seu grupo de pesquisa v\u00eam estudando a resposta imune na DPOC. Eles demonstraram tanto em estudos cl\u00ednicos como em experimentais que os indiv\u00edduos fumantes que desenvolvem a DPOC apresentam uma falha na resposta imune mediada por um tipo espec\u00edfico de c\u00e9lulas reconhecidas por controlar o processo inflamat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A DPOC, como o pr\u00f3prio nome diz, \u00e9 uma doen\u00e7a cr\u00f4nica do pulm\u00e3o que tem como principal agente causador o tabagismo. \u00c9 uma doen\u00e7a multifatorial complexa, que provoca um processo inflamat\u00f3rio cr\u00f4nico dos br\u00f4nquios, causa a destrui\u00e7\u00e3o das paredes alveolares e leva a efeitos sist\u00eamicos, como comorbidades cardiovasculares, perda de massa muscular, maior fragilidade \u00f3ssea, al\u00e9m de contribuir para o descondicionamento f\u00edsico.<\/p>\n<p>Sua principal caracter\u00edstica \u00e9 a limita\u00e7\u00e3o do fluxo a\u00e9reo pulmonar, associada a uma resposta inflamat\u00f3ria anormal \u00e0 inala\u00e7\u00e3o de part\u00edculas ou gases nocivos (especialmente vindos do cigarro). Isso se reflete justamente na redu\u00e7\u00e3o da aptid\u00e3o f\u00edsica, gerando preju\u00edzo das atividades laborais e da vida di\u00e1ria. Por isso, a doen\u00e7a \u00e9 considerada uma das principais causas de morte e de incapacidade f\u00edsica no mundo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\">As c\u00e9lulas de defesa<\/h2>\n<p>O processo inflamat\u00f3rio causado pela DPOC provoca uma resposta imune do organismo\u00a0tanto na resposta inata (das c\u00e9lulas que residem no tecido e est\u00e3o de \u201cprontid\u00e3o\u201d para responder a qualquer fator ex\u00f3geno) quanto na resposta adaptativa (que acontece quando a pessoa continua exposta ao tabagismo, intensificando o processo inflamat\u00f3rio, o que leva \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de cronicidade e ativa\u00e7\u00e3o de outros mecanismos de defesa mais espec\u00edficos).<\/p>\n<p>No caso da DPOC, alguns estudos cl\u00ednicos e experimentais desenvolvidos pelo grupo coordenado por Lopes, tamb\u00e9m com apoio da Fapesp (Aux\u00edlios \u00e0 Pesquisa\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/96977\/o-papel-das-proteinas-socs-e-stat-na-diferenciacao-das-celulas-tcd4-naive-no-desenvolvimento-da-doen\/?q=16\/17817-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">16\/17817-8\u00a0<\/a>e\u00a0<a href=\"https:\/\/bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/88547\/epitelio-respiratorio-como-regulador-da-resposta-imune-na-patogenese-da-dpoc\/?q=14\/15819-8\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">14\/15819-8<\/a>), demonstraram que a doen\u00e7a induz um desequil\u00edbrio nas c\u00e9lulas de defesa Th17 e Treg (dois tipos de linf\u00f3citos), o que contribui para uma falha no controle da inflama\u00e7\u00e3o e na consequente progress\u00e3o da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>As c\u00e9lulas Treg s\u00e3o consideradas anti-inflamat\u00f3rias e s\u00e3o respons\u00e1veis por ativar a produ\u00e7\u00e3o da interleucina 10 (IL10), que ajuda a diminuir a resposta inflamat\u00f3ria no organismo. Em contraste, as c\u00e9lulas Th17 s\u00e3o pr\u00f3-inflamat\u00f3rias, ou seja, quando seus n\u00edveis est\u00e3o aumentados, elas s\u00e3o associadas \u00e0 progress\u00e3o e piora da doen\u00e7a.<\/p>\n<p>Os estudos do grupo demonstraram o aumento da resposta mediada pelas c\u00e9lulas Th17 no desenvolvimento e na progress\u00e3o da DPOC. Demonstraram ainda que fumantes que se tornam DPOC apresentam uma redu\u00e7\u00e3o da resposta anti-inflamat\u00f3ria mediada pelas c\u00e9lulas Treg, que est\u00e3o diminu\u00eddas ou inativadas, ou seja, n\u00e3o conseguem trabalhar corretamente.<\/p>\n<p>\u201cAs c\u00e9lulas Treg est\u00e3o presentes nos tecidos, mas elas precisam de uma \u2018sinaliza\u00e7\u00e3o\u2019 para serem ativadas e produzirem a interleucina 10, que vai atuar na diminui\u00e7\u00e3o da inflama\u00e7\u00e3o. Nas pessoas que fumam e t\u00eam DPOC, esse mecanismo n\u00e3o \u00e9 ativado\u201d, explicou Lopes, autora principal do estudo.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O impacto do exerc\u00edcio<\/strong><\/h2>\n<p>O efeito anti-inflamat\u00f3rio do treinamento f\u00edsico \u00e9 bem estabelecido em adultos saud\u00e1veis: a atividade f\u00edsica suprime a inflama\u00e7\u00e3o sist\u00eamica por meio da libera\u00e7\u00e3o muscular local de miocinas (prote\u00ednas produzidas pelos m\u00fasculos quando contra\u00eddos), respons\u00e1veis pelo aumento da interleucina 10, por exemplo. Em pessoas com DPOC, o treinamento f\u00edsico \u00e9 fundamental para a reabilita\u00e7\u00e3o pulmonar, mas ainda n\u00e3o se conhecia o mecanismo envolvido na resposta imune anti-inflamat\u00f3ria.<\/p>\n<p>Para chegar \u00e0 conclus\u00e3o, a equipe avaliou 20 pessoas com DPOC grave, que tinham entre 50 e 80 anos, estavam sob tratamento m\u00e9dico, clinicamente est\u00e1veis (pelo menos 30 dias sem exacerba\u00e7\u00e3o) e eram fisicamente inativas. Elas foram divididas em dois grupos: o grupo exerc\u00edcios f\u00edsicos e o grupo-controle.<\/p>\n<p>O programa de treinamento no grupo de exerc\u00edcios foi realizado em 24 sess\u00f5es, tr\u00eas vezes por semana, com cada sess\u00e3o durando uma hora. As sess\u00f5es foram divididas em exerc\u00edcios aer\u00f3bicos (teste de esteira) e treinamento de resist\u00eancia (muscula\u00e7\u00e3o), supervisionados por um fisioterapeuta.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s esse per\u00edodo de treinos, o grupo que fez exerc\u00edcios apresentou um aumento nas c\u00e9lulas Treg \u201cativadas\u201d, ou seja, com capacidade de efetuar a a\u00e7\u00e3o anti-inflamat\u00f3ria, concomitantemente com uma redu\u00e7\u00e3o nas c\u00e9lulas Th17 (pr\u00f3-inflamat\u00f3rias). Al\u00e9m disso, o grupo ativo tamb\u00e9m apresentou melhora na for\u00e7a muscular e diminui\u00e7\u00e3o da dispneia (falta de ar).<\/p>\n<p>\u201cAl\u00e9m de corroborar os achados sobre os efeitos ben\u00e9ficos da atividade f\u00edsica para atenua\u00e7\u00e3o e preven\u00e7\u00e3o de diferentes doen\u00e7as, esses resultados apresentam pela primeira vez que o treinamento f\u00edsico inibe a resposta Th17 e promove aumento de c\u00e9lulas Treg com atividade anti-inflamat\u00f3ria em indiv\u00edduos com DPOC, mesmo em est\u00e1gios avan\u00e7ados da doen\u00e7a. Isso significa melhora da resposta imune e consequente atenua\u00e7\u00e3o dos sintomas respirat\u00f3rios\u201d, conta Lopes.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, diz a pesquisadora, os benef\u00edcios da atividade f\u00edsica podem ser estendidos para qualquer pessoa com DPOC, mesmo que n\u00e3o seja um paciente grave. \u201cA gente sabe que a maioria n\u00e3o faz atividade f\u00edsica por causa da falta de ar, do cansa\u00e7o. \u00c0 medida que a doen\u00e7a progride, a pessoa perde cada vez mais sua capacidade respirat\u00f3ria. Mas esse estudo traz resultados que v\u00e3o impactar a vida dessas pessoas. \u00c9 essencial que elas entendam que, aos poucos, o exerc\u00edcio f\u00edsico vai melhorar a aptid\u00e3o f\u00edsica, melhorar a for\u00e7a muscular e ainda diminuir a inflama\u00e7\u00e3o\u201d, ressaltou a pesquisadora.<\/p>\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>A doen\u00e7a no Brasil<\/strong><\/h2>\n<p>Nos pa\u00edses industrializados, estima-se que entre 5% e 10% da popula\u00e7\u00e3o adulta sofra\u00a0de DPOC. No Brasil, um\u00a0estudo\u00a0realizado com pessoas com mais de 40 anos mostrou uma preval\u00eancia de 15,8% na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>De acordo com\u00a0dados\u00a0da Secretaria de Vigil\u00e2ncia em Sa\u00fade (SVS) baseados na metodologia Global Burden of Disease (GBD), por aqui a DPOC \u00e9 a quinta causa de morte entre as doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis em todas as idades. Nas \u00faltimas d\u00e9cadas, foi a quinta maior causa de interna\u00e7\u00e3o no Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) entre pacientes com mais de 40 anos.<\/p>\n<\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/www.agenciasp.sp.gov.br\/estudo-comprova-beneficios-do-exercicio-fisico-para-pessoas-com-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica\/\" rel=\"noopener\">Informa\u00e7\u00f5es GOV.SP<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas com doen\u00e7a pulmonar obstrutiva cr\u00f4nica (DPOC), em geral, n\u00e3o toleram fazer exerc\u00edcios f\u00edsicos \u2013 o cansa\u00e7o, a falta de ar constante e a fraqueza muscular associados \u00e0 condi\u00e7\u00e3o s\u00e3o fatores que, muitas vezes, desestimulam a pr\u00e1tica rotineira de atividades f\u00edsicas. 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