{"id":18609,"date":"2024-12-09T18:34:02","date_gmt":"2024-12-09T21:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2024\/12\/09\/siria-potencias-estrangeiras-apoiaram-13-anos-de-guerra-contra-assad\/"},"modified":"2024-12-09T18:34:02","modified_gmt":"2024-12-09T21:34:02","slug":"siria-potencias-estrangeiras-apoiaram-13-anos-de-guerra-contra-assad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/siria-potencias-estrangeiras-apoiaram-13-anos-de-guerra-contra-assad\/","title":{"rendered":"S\u00edria: pot\u00eancias estrangeiras apoiaram 13 anos de guerra contra Assad"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>Os diversos grupos armados de oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria que conseguiram derrubar o regime de Bashad al-Assad foram treinados, armados e financiados por mais de uma d\u00e9cada por diversas pot\u00eancias regionais e globais, como o Qatar, a Ar\u00e1bia Saudita, a Turquia, os Estados Unidos, Israel e membros da Uni\u00e3o Europeia, entre outros.<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>Especialistas em Oriente M\u00e9dio consultados pela Ag\u00eancia Brasil avaliam que a lideran\u00e7a de grupos extremistas isl\u00e2micos entre os rebeldes s\u00edrios, considerados terroristas por diversos pa\u00edses e organiza\u00e7\u00f5es, traz o risco de que uma nova teocracia isl\u00e2mica seja instalada na S\u00edria.<\/p>\n<p>O p\u00f3s-doutor em Ci\u00eancias Sociais e especialista em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais Marcelo Buzetto explica que a guerra da S\u00edria, iniciada em 2011, ap\u00f3s os eventos batizados de Primavera \u00c1rabe, n\u00e3o foi uma guerra civil convencional em que grupos formados por s\u00edrios lutam entre si, mas foi uma guerra internacional que envolveu as principais pot\u00eancias regionais e do planeta.<\/p>\n<p>\u201cEsses grupos todos que derrubaram o Assad s\u00e3o financiados por v\u00e1rios pa\u00edses. Cada um dando apoio de alguma maneira, com dinheiro, log\u00edstica, equipamentos, armas, informa\u00e7\u00f5es, uns mais discretamente, outros mais explicitamente\u201d, disse o especialista em Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>No livro <em>A Segunda Guerra-Fria<\/em>, Luiz Alberto Moniz Bandeira conta como ocorreu a convoca\u00e7\u00e3o de milhares de jihadistas em diversos pa\u00edses, principalmente na L\u00edbia p\u00f3s queda de Muammar Gaddafi. Os jihadistas s\u00e3o os adeptos da jihad que acreditam na \u201cguerra santa\u201d para instituir a Sharia, a lei isl\u00e2mica.<\/p>\n<p>Segundo o historiador, milhares de mercen\u00e1rios estrangeiros foram recrutados para sustentar a guerra contra al-Assad com apoio da Turquia, das monarquias \u00e1rabes sunitas e de pot\u00eancias como Fran\u00e7a, Inglaterra e EUA.<\/p>\n<p>O professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais e de Geopol\u00edtica da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) Leonardo Trevisan destacou que as monarquias sunitas, assim como Israel e as pot\u00eancias ocidentais, tinham o interesse em alimentar a guerra na S\u00edria para isolar o Ir\u00e3, de maioria xiita e aliada do governo de Assad. Com a queda de Assad, poderiam abrir o caminho para os chamados Acordos de Abra\u00e3o, que <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2023-10\/entenda-como-acordos-de-israel-podem-ter-influenciado-ataque-do-hamas\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pretendiam normalizar as rela\u00e7\u00f5es dos pa\u00edses \u00e1rabes com Israel<\/a>.<\/p>\n<p>\u201cUma S\u00edria sunita vai, com certeza, expulsar o Hezbollah. E a\u00ed entra o interesse de Israel tamb\u00e9m nessa queda do Assad, que \u00e9 um interesse econ\u00f4mico em parceria com os \u00e1rabes moderados, de redesenhar o Oriente M\u00e9dio. Um Oriente M\u00e9dio muito mais, vamos dizer, pr\u00f3-neg\u00f3cios. E nesse mundo \u00e1rabe e israelense n\u00e3o tem muito espa\u00e7o para a l\u00f3gica xiita e muito menos para a quest\u00e3o palestina\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Em contrapartida, R\u00fassia, Ir\u00e3 e o grupo liban\u00eas Hezbollah davam sustenta\u00e7\u00e3o ao governo Assad na luta contra esses grupos armados da oposi\u00e7\u00e3o, que inclu\u00eda o Estado Isl\u00e2mico (EI). O governo de Bashad al-Assad formava, ao lado do Ir\u00e3 e do Hezbollah, entre outros grupos, o chamado Eixo da Resist\u00eancia, que \u00e9 a coaliz\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 hegemonia dos EUA e de Israel na regi\u00e3o. O Ir\u00e3 reconheceu que a <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2024-12\/ira-admite-que-eixo-da-resistencia-sera-afetado-pela-queda-de-al-assad\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">queda de Assad prejudica o Eixo da Resist\u00eancia<\/a>.\u00a0<\/p>\n<h2>Gasoduto<\/h2>\n<p>O pesquisador Marcelo Buzetto destacou que, por sua posi\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica, a S\u00edria est\u00e1 no centro da disputa geopol\u00edtica mundial onde o Ocidente, de um lado, e principalmente R\u00fassia, China e Ir\u00e3, de outro, medem for\u00e7as. Nesse cen\u00e1rio, a constru\u00e7\u00e3o de um gasoduto para levar petr\u00f3leo e g\u00e1s atravessando a S\u00edria teria papel fundamental na guerra iniciada em 2011.<\/p>\n<p>\u201cAs monarquias \u00e1rabes, tradicionalmente aliadas dos Estados Unidos e do colonialismo europeu, tinham um projeto de gasoduto que apresentaram para o Bashar al-Assad a partir de 2000. Mas o Bashar al-Assad teria que se afastar da R\u00fassia e do Ir\u00e3 e do Hezbollah. O Bashar al-Assad fez outra op\u00e7\u00e3o de uma coopera\u00e7\u00e3o priorit\u00e1ria com R\u00fassia, Ir\u00e3 e China\u201d, avaliou.<\/p>\n<h2>Turquia<\/h2>\n<p>Um dos atores mais ativos na guerra da S\u00edria foi a Turquia que, historicamente, se colocava contr\u00e1rio \u00e0 pol\u00edtica do governo Assad de dar certa autonomia aos curdos, especialmente por temer o fortalecimento do Partido dos Trabalhadores do Curdist\u00e3o (PKK). O governo de Recep Tayyip Erdogan teme o fortalecimento do movimento curdo que poderia colocar em risco a estabilidade do regime de Istambul.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA Turquia n\u00e3o quer ouvir falar de fundar um Estado curdo. Isso ela n\u00e3o quer. A Turquia tem o interesse de evitar um fortalecimento dos curdos ali na fronteira dela porque isso implicaria em ela tamb\u00e9m ter que dar espa\u00e7o para os curdos dentro da Turquia\u201d, explicou o professor Trevisan.<\/p>\n<h2>Extremismo<\/h2>\n<p>Um dos principais e mais poderosos \u00e9 grupo isl\u00e2mico fundamentalista Hayat Thrir al-Sham (HTS), que nasceu como um bra\u00e7o da Al Qaeda do Iraque e com ideologia jihadista. O regime ditatorial de Assad, por outro lado, era secular, ou seja, separava o Estado da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>O especialista Marcelo Buzetto destacou que a maior parte dos grupos que tomaram o poder na S\u00edria s\u00e3o adeptos do wahabismo, doutrina ultraconservadora surgida na Ar\u00e1bia Saudita no s\u00e9culo 18, que prega que os governos devem seguir os preceitos da jurisprud\u00eancia isl\u00e2mica.\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cEsses grupos mercen\u00e1rios e terroristas s\u00e3o, na sua maioria, adeptos da corrente sunita chamada waharista. O wahabismo \u00e9 a ideologia sect\u00e1ria, conservadora, reacion\u00e1ria, antidemocr\u00e1tica de grupos como a Al-Qaeda, de governos como o da Ar\u00e1bia Saudita, que n\u00e3o respeita os direitos das mulheres, n\u00e3o respeita as liberdades democr\u00e1ticas. \u00c9 muito perigoso a tomada do poder na S\u00edria por esses grupos\u201d, avaliou.<\/p>\n<p>Buzetto lembrou que muitos desses grupos, at\u00e9 pouco tempo, estavam cortando cabe\u00e7as de crist\u00e3os e de adeptos de outras \u00e9tnicas ou grupos religiosos e colocando os v\u00eddeos na internet, no estilo do Estado Isl\u00e2mico. Agora, esses grupos buscam enviar uma mensagem de que est\u00e3o mais moderados.<\/p>\n<p>O professor Leonardo Trevisan avaliou que existe o risco de que um novo califado baseado nas leis isl\u00e2micas possa ser instalado na S\u00edria. \u201cO Talib\u00e3 tamb\u00e9m fez esse discurso de modera\u00e7\u00e3o quando os americanos sa\u00edram e eles tomaram o governo. Hoje, o Afeganist\u00e3o n\u00e3o tem mais escola para meninas. Ent\u00e3o, corre-se o risco de virar mais uma teocracia isl\u00e2mica\u201d, afirmou o especialista da ESPM.<\/p>\n<p>A Comiss\u00e3o Internacional Independente de Investiga\u00e7\u00e3o da S\u00edria da ONU tem relatado uma s\u00e9rie de abusos de direitos humanos por parte dos grupos rebeldes s\u00edrios, incluindo tortura, execu\u00e7\u00f5es e pris\u00f5es arbitr\u00e1rias.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2024-12\/siria-potencias-estrangeiras-apoiaram-13-anos-de-guerra-contra-assad\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os diversos grupos armados de oposi\u00e7\u00e3o na S\u00edria que conseguiram derrubar o regime de Bashad al-Assad foram treinados, armados e financiados por mais de uma d\u00e9cada por diversas pot\u00eancias regionais e globais, como o Qatar, a Ar\u00e1bia Saudita, a Turquia, os Estados Unidos, Israel e membros da Uni\u00e3o Europeia, entre outros. 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