{"id":18109,"date":"2024-12-01T17:15:04","date_gmt":"2024-12-01T20:15:04","guid":{"rendered":"https:\/\/guialimeira.com.br\/2024\/12\/01\/rebeldes-tomam-a-2a-maior-cidade-da-siria-em-ofensiva-contra-assad\/"},"modified":"2024-12-01T17:15:04","modified_gmt":"2024-12-01T20:15:04","slug":"rebeldes-tomam-a-2a-maior-cidade-da-siria-em-ofensiva-contra-assad","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/guialimeira.com.br\/news\/rebeldes-tomam-a-2a-maior-cidade-da-siria-em-ofensiva-contra-assad\/","title":{"rendered":"Rebeldes tomam a 2\u00aa maior cidade da S\u00edria em ofensiva contra Assad"},"content":{"rendered":"<p> <br \/>\n<\/p>\n<div>\n<p>A guerra civil da S\u00edria, iniciada em 2011, ganhou novo cap\u00edtulo neste final de semana porque grupos rebeldes isl\u00e2micos que lutam contra o governo de Bashad Al-Assad tomaram Aleppo, a segunda maior cidade do pa\u00eds com cerca de 2 milh\u00f5es de habitantes. Em retalia\u00e7\u00e3o, as for\u00e7as a\u00e9reas s\u00edria e russa realizam bombardeios contra posi\u00e7\u00f5es dos rebeldes, tanto em Aleppo como na prov\u00edncia de Idlib, que est\u00e1 sob controle dos jihadistas isl\u00e2micos.\u00a0\u00a0<img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.png?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/agenciabrasil.ebc.com.br\/ebc.gif?w=696&#038;ssl=1\" style=\"width:1px; height:1px; display:inline;\"\/><\/p>\n<p>V\u00eddeos publicados nas redes sociais mostram dezenas de homens armados desfilando por Aleppo, que j\u00e1 havia sido tomada por rebeldes em 2016. Na \u00e9poca, eles acabaram expulsos pelo regime s\u00edrio ap\u00f3s apoio da for\u00e7a a\u00e9rea russa.<\/p>\n<p>Segundo ag\u00eancias de not\u00edcias locais, os rebeldes impuseram um toque de recolher em Aleppo ap\u00f3s tomarem o controle da cidade. J\u00e1 a ag\u00eancia de not\u00edcias oficiais da S\u00edria afirma que o ex\u00e9rcito do pa\u00eds se reagrupou na zonal rural do norte da cidade de Hama, ao sul de Aleppo.\u00a0\u00a0<\/p>\n<p>\u201cOs avi\u00f5es de guerra conjuntos s\u00edrio-russos est\u00e3o intensificando os ataques a\u00e9reos nos locais, quart\u00e9is-generais, dep\u00f3sitos de armas e muni\u00e7\u00f5es dos terroristas, deixando dezenas de baixas e mortes entre os terroristas\u201d, informou uma fonte militar s\u00edria \u00e0 ag\u00eancia de not\u00edcias oficial do pa\u00eds, a Sana.<\/p>\n<p>De acordo com a assessoria da Presid\u00eancia da S\u00edria, Assad afirmou que \u00e9 capaz de eliminar os rebeldes com a ajuda dos seus aliados. \u201cO terrorismo s\u00f3 entende a linguagem da for\u00e7a, e \u00e9 a linguagem com a qual iremos quebr\u00e1-lo e elimin\u00e1-lo, independentemente dos seus apoiantes e patrocinadores. Eles n\u00e3o representam nem as pessoas nem as institui\u00e7\u00f5es, representam apenas as ag\u00eancias que os operam e os apoiam\u201d, declarou.<\/p>\n<p>De acordo com a organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental (ONG) Observat\u00f3rio S\u00edrio para os Direitos Humanos, a ofensiva rebelde contra o governo s\u00edrio come\u00e7ou na \u00faltima quarta-feira (27) e estima-se que j\u00e1 causou a morte de mais de 300 pessoas. A organiza\u00e7\u00e3o relata ainda a fuga em massa de civis ap\u00f3s a invas\u00e3o de Aleppo.\u00a0\u00a0<\/p>\n<h2>Guerra santa<\/h2>\n<p>Entre os diversos grupos armados s\u00edrios que lutam contra o regime de Al-Saad, destaca-se o grupo isl\u00e2mico fundamentalista Hayat Thrir al-Sham (HTS), que nasceu em 2011 como um grupo filiado \u00e0 Al Qaeda do Iraque e com ideologia jihadista, ou seja, que defende uma \u201cguerra santa\u201d para instituir a Sharia, a lei isl\u00e2mica. O regime de Assad, por outro lado, \u00e9 secular, ou seja, separa o governo da religi\u00e3o.<\/p>\n<p>A professora de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da PUC de Minas Gerais Rashmi Singh informou que o HTS surgiu no in\u00edcio da guerra civil s\u00edria como um bra\u00e7o da Al-Qaeda, tendo rompido com o grupo anos depois.<\/p>\n<p>Para a especialista, a guerra no L\u00edbano abriu uma oportunidade para a ofensiva contra o governo Assad, uma vez que o Hezbollah foi um dos principais aliados da S\u00edria na luta contra esses grupos.<\/p>\n<p>\u201cO Hezbollah ficou enfraquecido depois que Israel entrou no L\u00edbano. Vimos tamb\u00e9m ataques de Israel contra v\u00e1rios l\u00edderes militares iranianos na S\u00edria. Isso forma uma grande parte da decis\u00e3o dos grupos como Hayat para entrar de novo em uma luta pela cidade do Aleppo\u201d, comentou.<\/p>\n<h2>Guerra proxy<\/h2>\n<p>A guerra civil que j\u00e1 matou cerca de 300 mil s\u00edrios e levou ao deslocamento de milh\u00f5es de pessoas no pa\u00eds \u00e1rabe \u00e9 uma esp\u00e9cie de guerra proxy, ou seja, uma guerra por procura\u00e7\u00e3o que envolve as principais pot\u00eancias do planeta, segundo explicou o professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais da Universidade Federal do ABC paulista (UFABC) Mohammed Nadir.<\/p>\n<p>Ele argumenta que os protestos conhecidos como Primavera \u00c1rabe, a partir de 2010, foram usados pelas pot\u00eancias ocidentais para apoiar grupos armados e jihadistas na luta contra governos n\u00e3o alinhados com o ocidente.<\/p>\n<p>\u201cDesde o in\u00edcio da guerra civil, as grandes pot\u00eancias est\u00e3o a medir for\u00e7as na S\u00edria. Os Estados Unidos tentaram, com a Primavera \u00c1rabe, derrubar o regime de Assad, assim como fizeram com Gaddafi na L\u00edbia. Foi uma grande oportunidade para mudar os regimes n\u00e3o amigos do ocidente e dos EUA\u201d, lembrou Nadir, que \u00e9 coordenador de estudos \u00e1rabes da UFABC.\u00a0<\/p>\n<p>Mohammed Nadir destacou que a presid\u00eancia de Barack Obama nos EUA apoiou os jihadistas contra Assad. Os grupos rebeldes tamb\u00e9m teriam recebido apoio da Turquia e das monarquias do Golfo, como Ar\u00e1bia Saudita, Qatar e Emirados \u00c1rabes Unidos.\u00a0<\/p>\n<p>Para o especialista, a ofensiva atual tamb\u00e9m pode ser uma estrat\u00e9gia para atingir a R\u00fassia.\u00a0<\/p>\n<p>\u201cA tomada de Aleppo pode ser tamb\u00e9m uma estrat\u00e9gia de desgastar a R\u00fassia, que tem interesse em manter sua base militar com acesso ao Mar Mediterr\u00e2neo, na S\u00edria. A R\u00fassia est\u00e1 ocupada com a guerra na Ucr\u00e2nia e n\u00f3s temos agora esse avan\u00e7o dos jihadistas na S\u00edria\u201d, comentou.<\/p>\n<p>Apesar da derrota de Assad que perdeu Aleppo, o professor de rela\u00e7\u00f5es internacionais avalia que \u00e9 muito dif\u00edcil para os rebeldes manterem a posi\u00e7\u00e3o que conquistaram. \u201cA reconquista novamente do Aleppo vai ser muito sangrenta porque essa alian\u00e7a jihadista dificilmente vai abrir m\u00e3o da cidade\u201d, finalizou Nadir.<\/p>\n<p>      <!-- Relacionada --><\/p>\n<p>            <!-- Relacionada -->\n    <\/div>\n<p><br \/>\n<br \/><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/internacional\/noticia\/2024-12\/rebeldes-tomam-2a-maior-cidade-da-siria-em-ofensiva-contra-assad\" rel=\"noopener\">Ag\u00eancia Brasil <\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A guerra civil da S\u00edria, iniciada em 2011, ganhou novo cap\u00edtulo neste final de semana porque grupos rebeldes isl\u00e2micos que lutam contra o governo de Bashad Al-Assad tomaram Aleppo, a segunda maior cidade do pa\u00eds com cerca de 2 milh\u00f5es de habitantes. 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