Home Nacional Decreto da prefeitura do Rio de Janeiro pode impedir 60 mil turistas...

Decreto da prefeitura do Rio de Janeiro pode impedir 60 mil turistas de entrar na cidade

6
0
Os agentes verificam a temperatura de uma mulher usando uma m√°scara protetora depois que ela desce de um √īnibus p√ļblico, com o P√£o de A√ß√ļcar em backgorund

Cerca de 60 mil turistas que utilizam o transporte fretado est√£o impedidos de ingressar na cidade do Rio de Janeiro a partir do primeiro minuto do dia 30 de dezembro de 2020 at√© as 6h da manh√£ do dia 01 de janeiro de 2021. A regra faz parte do decreto 48.322, assinado pelo prefeito em exerc√≠cio Jorge Felippe (DEM), que pro√≠be o acesso de vans e √īnibus fretados √† cidade.


O texto, publicado nesta ter√ßa-feira (29) no Di√°rio Oficial, causou revolta entre os empres√°rios, que acusam a prefeitura de discrimina√ß√£o social, uma vez que a proibi√ß√£o n√£o se estende aos turistas que chegarem √† cidade em navios, avi√Ķes, ve√≠culos particulares ou mesmo √īnibus de linhas regulares, limitando a proibi√ß√£o apenas aqueles que teoricamente possuem poder aquisitivo mais baixo.¬†

‚ÄúH√° uma clara discrimina√ß√£o contra o acesso de turistas que utilizam os transportes reconhecidamente mais baratos e populares. Isso causa um impacto social profundo e n√£o combina com a tradi√ß√£o da pr√≥pria cidade. O Rio de Janeiro fechou os bra√ßos aos mais pobres, com a desculpa de proteger a sociedade da pandemia‚ÄĚ, acrescentou Geraldo Maia, um dos diretores da Associa√ß√£o de Micros, Pequenas e M√©dias Empresas de Fretamento e de Turismo do Estado de S√£o Paulo.¬†

Quem tamb√©m se manifestou foi D√™nis Marciano, diretor do Movimento Fretadores Pela Liberdade. “√Č um absurdo. A malha a√©rea vai descer 300 ou 500 voos nesse per√≠odo. A proibi√ß√£o s√≥ atinge vans e √īnibus fretados. A regra teria que ser para todos. N√£o pode separar o modal rodovi√°rio do modal aeroporto”.¬†Segundo ele, esse tipo de discrimina√ß√£o, que atinge sobretudo parte da popula√ß√£o que busca transporte mais barato, √© inaceit√°vel e deveria ser revisto j√° pela prefeitura ou, em √ļltimo caso, pela Justi√ßa.

Ele argumenta que a proibi√ß√£o prejudica o direito n√£o apenas de turistas, mas de moradores da cidade. ‚ÄúTem muita gente que aproveita o feriado para passar alguns dias com a fam√≠lia. Tem que olhar isso tamb√©m”, afirmou Marciano.¬†A estimativa segundo o movimento √© de que pelo menos 60 mil turistas sejam impedidos de seguir suas viagens conforme o planejado, gerando assim profunda perda de renda ao setor e atrapalhando o planejamento dos viajantes.¬†

O preju√≠zo para as pequenas empresas e turistas √© grande, segundo Reinaldo Ferreira, que preside a Associa√ß√£o Brasiliense das Ag√™ncias de Turismo Receptivo (Abare), que estima que apenas da regi√£o Centro-Oeste do pa√≠s, cerca de 170 √īnibus e vans, com aproximadamente 3400 passageiros, ser√£o impedidas de adentrar √† capital carioca.¬†¬†‚ÄúN√≥s compreendemos que o momento √© dif√≠cil, mas essa √© uma oportunidade √ļnica para que as pequenas empresas possam diminuir um pouco os preju√≠zos causados por um ano de grandes perdas.

O decreto √© claramente discriminat√≥rio, pois n√£o atinge nenhum outro modal. Al√©m disso, agrava profundamente a crise que se abate sobre o setor do turismo e certamente causar√° desemprego a curto prazo, apesar da alta temporada‚ÄĚ, destaca Ferreira.¬†

Desde o in√≠cio da pandemia, as restri√ß√Ķes praticamente inviabilizaram a atua√ß√£o de pelo menos 13 mil vans que atuam no Rio de Janeiro. ‚ÄúNosso preju√≠zo esse ano foi perto de 100%. Precisamos demitir funcion√°rios, muitos n√£o puderam manter as presta√ß√Ķes dos financiamentos em dia.

Esse decreto nos proíbe de fazer o pouco que poderíamos neste ano, afirma Anderson Garcia Borges, o Lobão, que representante dos transportadores de fretamento de turismo do Rio de Janeiro. Segundo Lobão, em média as vans carregam 9 passageiros por viagem, fazendo uma média de 10 viagens por dia em datas como o réveillon, o que significa mais de um milhão de passageiros sem acesso ao transporte por conta do decreto.