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Erário tem prejuízo de R$ 2 milhões com faltas em consultas

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Dr. Vitor mostra grafico com número de faltas em consultas e exames Foto: Renata Reis

Absenteísmo foi transformado em índices que facilitaram cálculos diante do serviço pago com antecedência

Que as faltas nos serviços de saúde agendados sem cancelamento prévio causam prejuízos, não é difícil imaginar que acontece, mas estudo iniciado na Secretaria Municipal da Saúde possibilita, pela primeira vez, uma estimativa do desperdício. O secretário Vitor dos Santos mostrou como tem coordenado as ações para identificar o tamanho do absenteísmo, as possíveis causas para, posteriormente, adotar providências que possam diminuir o problema.

“A falta nos consultórios e exames é cultural. Também acontece na iniciativa privada, principalmente quando a consulta não é paga. No setor público, o mesmo acontece porque algumas pessoas têm a falsa ideia de que não pagam por aquilo, quando, na verdade, desembolsam com os impostos. E como pagam tributos, alguns pensam que, se faltar sem avisar com antecedência, tudo bem”. São consideradas as situações que são realmente inesperadas, mas é a minoria. 

Este estudo da Saúde permite mostrar à população que há prejuízo para todos. O secretário conta que muitos dos serviços são pré-pagos, como os médicos concursados que estão nas unidades de saúde para cumprir determinada carga horária com um determinado número de pacientes. Se o médico atender a todos ou atender apenas a uma parte, ele será pago da mesma forma todo mês. O mesmo acontece com exames. É diferente com as contratações de profissionais e serviços pelo Cismetro, pois só são pagos por produção. 

Com base no pagamento prévio de consultas em alguns setores da rede e as faltas do segundo quadrimestre apresentadas na audiência pública de saúde, realizada na última quarta-feira, na Câmara, chegou-se à estimativa de desperdício de dinheiro público no valor de R$ 550 mil. Durante o ano todo, este mesmo cálculo leva ao valor de pelo menos R$ 1,9 milhão de prejuízo com as faltas dos pacientes. 

FALTAS NO QUADRIMESTRE

Nos gráficos apresentados, há exemplos. Para consultas de cardiologia na Policlínica, das 2.427 agendadas no quadrimestre, 410 faltaram; dos 789 agendamentos com nutricionista neste período, 447 faltaram. Há números expostos em gráficos com comparativos do quadrimestre anterior em todos os setores. A Gazeta pediu, então, o detalhamento do absenteísmo nos serviços e providências adotadas pelo Município. 

FALTAS EM PORCENTUAL

O secretário compilou alguns dos índices. Na área de fonoaudiologia, o absenteísmo é de 15,9%. Na psicologia, mas em toda a rede e não apenas no Ambulatório de Saúde Mental, o índice de faltas é de 25,09% e, neste caso, o secretário faz um paralelo com a quantidade de medicamentos dispensados, que poderiam ser reduzidos evitando uma série de consequências ao próprio paciente, caso as terapias acontecessem de forma adequada. 

No serviço de terapia ocupacional da rede, a porcentagem de faltas é de 15,48%; na cardiologia, de 16,9%; na dermatologia, de 20,49%; fisioterapia (21,86%); oftalmologia (26,21%); raio-x (26,73%). São estes os indicativos de desperdício econômico em consultas, que serão confirmadas ao longo de mais análises que serão realizadas. 

Vitor adiantou que, após a conclusão desse estudo, verificará alternativas para evitar que os pacientes faltem. “Se for viável colocar algumas pessoas apenas para fazer contato com os pacientes um dia antes da consulta ou exame para lembrar, poderá ser feito”. 

Fonte: Gazeta de Limeira – Renata Reis