”É preciso evitar a terceirização dos filhos”, diz escritor Marcos Piangers

”É preciso evitar a terceirização dos filhos”, diz escritor Marcos Piangers

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Marcos Piangers é autor do best seller ‘O Papai É Pop’ Foto:Reprodução/Instagram

Autor do best seller ‘O Papai é Pop’ diz que é preciso assumir paternidade por inteiro

Os melhores momentos de um filho são maravilhosos, mas se a gente perde os piores, alguém vai sofrer com eles”, avalia Marcos Piangers, autor do best seller ‘O Papai É Pop’, que já foi traduzido para outros dois idiomas.

O escritor, que conversou com AnaMaria Digital durante um evento do Hospital GRAACC, chama esse fenômeno de “terceirização dos filhos’, em que os pais só querem aproveitar os melhores momentos ao lado dos pequenos.

“Mas aí será algum professor, a babá, uma avó ou um vizinho que estará lá fazendo o seu papel, o que não é legal”, avalia ele, antes de completar: “É importante que o pai assuma esse papel como um cuidador.”

Marido de Ana Cardoso e pai de Anitta, de 14 anos, e Aurora, de 7, Piangers não esconde que errou ao saber que teria de lidar com a paternidade.

Como sua vida profissional e fisiológica não se transformou assim como a de sua mulher, ele diz que foi preciso tempo para entender tudo, “pois o impacto de uma gravidez não é sentido pelo homem.”

ESCOLHA SOLITÁRIA

O escritor relembra ainda a crença de que precisava ganhar mais dinheiro em seu trabalho para conseguir colocar as filhas na melhor creche ou comprar um apartamento maior. Tanto que trocou de carro assim que soube da primeira gravidez.

“Mas foi tudo uma estupidez”, relembra, aos risos. “Hoje, 14 anos depois, eu olho pra trás e vejo tudo o que me afastava da minha família, pois é preciso trabalhar muito mais tempo para sustentar financeiramente essas mudanças.”

Para Piangers, a crença que diz que a família está sempre em primeiro lugar é uma grande mentira. “A gente construiu uma sociedade de consumo baseada em outras coisas, que nos incentiva justamente a estar longe de tudo”, avalia.

Ao perceber que era muito mais feliz ao lado de seu núcleo familiar, ele revela que foi preciso romper com estereótipos e mudar atitudes, como deixar reuniões de trabalho para buscar ou levar as filhas em compromissos.

Na tentativa de enfrentar essa solidão, Piangers começou a escrever as percepções que tinha da paternidade e os momentos que vivia com sua família. Anotações que resultaram no best seller, que já tem mais de 200 mil cópias vendidas.

PATERNIDADE E MATERNIDADE

Ao ser questionado sobre como fazer da paternidade um conceito igual ao da maternidade, no sentido de terem papéis iguais na sociedade, Piangers diz que o primeiro passo é fazer uma mudança interna.

“Criar uma família é criar o seu pequeno mundinho, suas regras. O que determina família não são laços sanguíneos, mas sim o afeto e amor. Essa é uma chance de sincronizar com uma outra pessoa que acredita na mesma lógica de construção familiar que você”, diz.

O escritor também indica que esse passo para a igualdade deve passar também por políticas públicas como a licença-paternidade, por exemplo, ou ainda uma licença parental, em que homens e mulheres possam ter direito ao afastamento do trabalho pela mesma quantidade de dias após o nascimento do bebê.

“Colocar trocador no banheiro masculino, bonecas que falam papai. Existem várias formas da gente construir essa consciência. Passa pelo governo, mas também pelas empresas. Que tal colocar uma creche dentro da companhia ou comunicar a responsabilidade do homem em participar também? Existem caminhos e eles são bem claros”, ressalta.

Ele ainda acredita que o conceito irá mudar nos próximos anos, uma vez que as pessoas estão aprendendo a viver melhor em sociedade. “Se ficar igual será um fracasso”.

“NÃO TENHA FILHOS SE NÃO TIVER TEMPO”

Marcos Piangers é autor de um texto que diz para as pessoas não terem filhos se elas não tiverem “tempo, paciência e dedicação” ou “se está muito cansado, se não tem saco para lidar com criança. E se já tem, então crie. Crie com todo amor e carinho. Crie com menos gastos e mais tempo junto”.

O texto repercutiu e virou assunto na web. Questionado sobre o que pensa da repercussão, o escritor afirma que não acompanhou, pois disse não se atentar aos comentários negativos que surgem para gerar discórdia.

“Eu entro pouco nas minhas redes sociais porque é um jogo que leva a gente pra outro caminho e eu não vou cair nele, ainda mais com o meu propósito de ser o melhor pai possível e estar perto da minha família. Mas eu sei que teve gente que achou errado”, conclui.

Ana Caroline Mota

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