Bolsonaro usa mentiras para atacar Miriam Leitão, diz Jornal Nacional em editorial

Bolsonaro usa mentiras para atacar Miriam Leitão, diz Jornal Nacional em editorial

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No mesmo café da manhã com jornalistas da mídia estrangeira em que atacou os governadores nordestinos, o presidente da República Jair Bolsonaro também acusou a jornalista Miriam Leitao, funcionária do grupo Globo, de mentir sobre o drama que viveu na época da ditadura militar (1964-1985). Acontece, porém, que foi o político quem mentiu ao falar sobre a profissional da imprensa.

Segundo Bolsonaro, Miriam teria integrado a lutada armada cointra a ditadura e dirigia-se ao Araguaia quando foi presa, na década de 1970. Além disso, o presidente também afirmou que Miriam mente ao afirmar que sofreu abusos e foi torturada na prisão.

As declarações de Bolsonaro vieram após o presidente ser questionado sobre o cancelamento da participação da jornalista na 13ªFeira do Livro de Jaraguá do Sul, em Santa Catarina. Ela e o marido, o sociólogo Sérgio Abranches, foram excluídos do evento “para garantir a segurança dos convidados”, após os organizadores receberem uma petição de repúdio devido a um suposto “viés ideológico e posicionamento” do casal.

Aos jornalistas que participavam do encontro, BOlsonaro se disse “completamente aberto á liberdade de imprensa”, mas que os jornalistas, como Miriam Leitão, deveriam aprender a receber críticas. Foi quando soltou uma mentira:

“Ela estava indo para a guerrilha do Araguaia quando foi presa em Vitória. E depois (Míriam) conta um drama todo, mentiroso, que teria sido torturada , sofreu abuso etc. Mentira. Mentira”, disse aos correspondentes estrangeiros.

Miriam Leitão foi presa em 1972, quando tinha 19 anos, era estudante universitária e militante do PCdoB, atuando no Espírito do Santo. Suas atividades consistiam em reuniões, distribuição de panfletos e pichação de muros com palavras de ordem contra a ditadura, mas ela nunca integrou nem teria cogitado integrar a guerrilha do Araguaia.

Além disso, quando foi presa Miriam estava grávida e foi torturada por diversos métodos, tendo ficado encarcerada por três meses.

Mais tarde, ela ainda foi absolvida das acusações de que foi alvo em todas as instâncias.

Jornal Nacional

Na edição do Jornal Nacional desta sexta-feira (19 de julho), a Globo lançou uma nota de repúdio contra os ataques de Bolsonaro à Miriam Leitão. “Essas afirmações do presidente causam profunda indignação e merecem absoluto repúdio. Em defesa da verdade histórica e da honra da jornalista Miriam Leitão, é preciso dizer com todas as letras que não é a jornalista quem mente.”

A nota pode ser conferida, na íntegra, no site da emissora.

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