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Quase 23 milhões estão parados no País

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A taxa composta de subutilização da força de trabalho fechou o terceiro trimestre do ano em 21,2%, atingindo 22,9 milhões de pessoas em todo o País. O indicador, que agrega a taxa de desocupação, a de desocupação por insuficiência de horas e a da força de trabalho potencial, foi divulgado nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No segundo trimestre de 2016, para a totalidade do Brasil, essa taxa foi de 20,9%, o que significa que houve uma alta de 0,3 ponto percentual entre um trimestre e outro e de 3,2 pontos percentuais em relação a igual trimestre de 2015, quando o indicador era de 18%.
Os dados divulgados pelo IBGE constam da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua. Os principais resultados da pesquisa foram divulgados no dia 27 de outubro e indicavam uma taxa de desemprego de 11,8% – resultado 0,5 ponto percentual superior aos 11,3% do trimestre encerrado em junho, que apontava 12 milhões de trabalhadores desocupados para uma população ocupada de 89,8 milhões de trabalhadores.
Nordeste está pior
Os dados do IBGE indicam que a maior taxa composta da subutilização da força de trabalho foi observada no Nordeste, que, no terceiro trimestre do ano, chegou a 31,4%, enquanto a menor foi registrada na região Sul (13,2%).
Bahia (34,1%), Piauí (32,6%) e Maranhão e Sergipe (ambos com 31,9%), foram os Estados com as maiores taxas. Já as menores foram anotadas em Santa Catarina (9,7%), Mato Grosso (13,2%) e Paraná (14,2%).
A taxa combinada de subocupação por insuficiência de horas trabalhadas e desocupação (pessoas ocupadas com uma jornada de menos de 40 horas semanais, mas que gostariam de trabalhar em um período maior somadas às pessoas desocupadas) foi de 16,5%, sendo 4,8 milhões de trabalhadores subocupados por insuficiência de horas trabalhadas e 12 milhões de desocupados. No segundo trimestre de 2016, para Brasil, essa taxa foi de 16% e, no terceiro trimestre de 2015, de 14,4%.
Já a taxa combinada da desocupação e da força de trabalho potencial, que abrange as pessoas que gostariam de trabalhar mas não procuraram trabalho, ou que procuraram mas não estavam disponíveis para trabalhar (a chamada força de trabalho potencial), foi de 16,8%, atingindo 6,1 milhões de pessoas. No segundo trimestre de 2016, para Brasil, essa taxa foi de 16,4% e, no terceiro trimestre de 2015, de 12,8%.
Rendimento médio
O rendimento médio real dos trabalhadores ficou acima da média nacional (R$ 2.015,00) apenas nas regiões Sudeste (R$ 2.325,00), Centro-Oeste (R$ 2.288,00) e Sul (R$ 2.207,00), enquanto Norte (R$ 1.539,00) e Nordeste (R$ 1.348,00) ficaram abaixo da média.
Frente ao segundo trimestre de 2016, houve aumento do rendimento médio real no Sudeste (0,6%) e no Sul (2,8%) – nas demais houve estabilidade. Já em relação ao terceiro trimestre de 2015, com exceção do Centro-Oeste, que se manteve estável, todas as demais regiões acusaram queda, com destaque para o Nordeste (-3,9%).
Melhora, só no 2º trimestre do ano que vem
Os dados recentes do mercado de trabalho reforçam o cenário de pessimismo para o emprego até o segundo trimestre de 2017, quando finalmente a taxa de desocupação deve começar a se estabilizar. A avaliação é do pesquisador do Centro de Pesquisa Econômica Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), Tiago Barreira.
Os resultados da Pnad Contínua mostram que a taxa de desemprego atingiu patamar recorde no terceiro trimestre em 19 unidades da federação. Em São Paulo, a taxa de desocupação alcançou 12,8%, acima da média nacional, de 11,8%.
“Vemos perspectiva de piora do desemprego até o primeiro trimestre do ano que vem. A taxa de desocupação começa a ficar estável no segundo trimestre, e no terceiro trimestre começamos a ter queda no desemprego”, previu Barreira.
No caso de São Paulo, o patamar recorde de desemprego tem relação com as dispensas de trabalhadores da indústria e do setor de serviços. “É uma região com uma concentração grande de indústria e do setor de serviços. O mercado de trabalho fica mais exposto à queda na atividade. Santa Catarina, por exemplo, é mais dependente de exportações e do agronegócio, então a taxa de desemprego é mais baixa (6,4%)”, apontou Barreira.
Em relação ao terceiro trimestre de 2015, todos os Estados registraram aumento na taxa de desemprego este ano. “Não houve exceções. Todos apresentaram tiveram no desemprego e redução do nível de ocupação”, disse o pesquisador. (Estadão Conteúdo)